Trinta e nove

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— Você parece desanimada

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— Você parece desanimada. 

Ergo o olhar do meu prato — a comida permanece intocável — e olho para o meu pai do outro lado da mesa. Ele está me observando atentamente. Era para ser um momento divertido entre pai e filha, mas estou distraída. Estou tentando fingir que tudo está bem, mas tudo dentro de mim está desmoronando. 

— Desculpe — eu tento um sorriso, mas sei que o meu pai me conhece bem o suficiente para não cair nesse joguinho. 

Sua expressão inquisitiva prova isso. 

— O que está acontecendo? — pergunta com leveza, daquela forma que me faz ter vontade de contar tudo até esvaziar toda a frustração dentro de mim. 

— Não é nada — não sei se estou preparada para contar tudo que vem acontecendo na minha vida nos últimos meses. 

Papai não desiste. 

— Você nunca foi boa em mentir para mim, querida. Eu soube que tinha algo de errado quando você dirigiu até aqui em um dia no meio da semana. 

Droga. Odeio a forma como ele me conhece tão bem, até mesmo melhor do que eu. Evito olhar para o meu pai por um instante, temendo que ele veja a dor e a angústia transparecer em meus olhos. De repente sinto vontade de chorar, o que é uma merda, porque eu vim aqui justamente para tentar esquecer. Ficar em casa pensando em James, na forma que o abandonei sem dizer adeus, estava me consumindo por inteira, então decidi vir até o meu pai porque passar um tempo com ele sempre me acalma. Mas não é o caso agora. Apesar de estar tentando muito, eu não consigo simplesmente me sentar em uma mesa no Dalla's, restaurante onde eu e o meu pai comemos de vez em quando, e conversar sobre amenidades com um sorriso fingido no rosto enquanto o mundo está desabando lá fora… e dentro de mim.

— Mackenzie? — Papai chama, o tom apreensivo. 

Olho para ele com lágrimas nos olhos. 

— Saí do emprego — confesso. 

Seus lábios se entreabrem em surpresa, mas ele é rápido em se recuperar. Com muita calma, pergunta: 

— Foi demitida? 

Balanço a cabeça em negativa, e quando volto a falar, minha voz é extremamente afetada: 

— Eu deixei a Royal Corporation por conta própria. 

— Por quê? 

Um nó gigantesco se forma no meio da minha garganta. Não consigo engoli-lo de volta, e sinto que estou prestes a desmoronar no meio de um restaurante lotado. Eu sou tão patética. 

— Eu não podia continuar trabalhando naquela empresa — desabafo. — Não estando sob o mesmo teto que o James, meu chefe. 

A expressão do meu pai endurece. 

— Como assim? Esse cara tentou alguma coisa? 

— Não — eu o tranquilizo. — James não é esse tipo de cara. 

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