ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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Sicília, Itália.
— O destino final da sua vida miserável será o próprio paraíso se comparado ao inferno que o aguarda, Martinelli. — afirmei com os olhos faiscando de raiva. Cada palavra ecoava pelo ambiente carregado, permeado pelo odor âcre de cigarro queimado e uma tensão palpável. Com um movimento firme, joguei o cigarro no chão e o esmaguei com a sola do meu sapato, liberando uma nuvem de cinzas enquanto o encarava intensamente, com os músculos do meu rosto tensos e retesados.
Enquanto a fumaça saía, meus olhos frios como o aço perfuravam sua alma, transbordando raiva e desespero que pareciam tangíveis. Era como se um vendaval tempestuoso passasse por aquele espaço confinado, levando consigo qualquer esperança ou possibilidade de perdão que pudesse existir.
Um traidor.
Lamentavelmente estúpido o suficiente para trair a Cosa Nostra.
Na semana passada, uma grande remessa de cocaína, fonte de poder e riqueza, foi extraviada das mãos de nossa organização. O valor astronômico daquela droga havia desaparecido, evaporado como uma miragem em um deserto escaldante. Agora, um comboio de armas de guerra, destinado a reforçar nossas defesas na batalha contra a Bratva, a máfia russa, também se dissipou sem deixar rastros.
Indivíduos pérfidos tramavam em sigilo absoluto, minando nossa supremacia e agindo dentro dos laços sagrados de lealdade. Enfrentar um adversário externo era previsível, fazia parte da natureza implacável que permeava nossa existência. No entanto, ser apunhalado pelas costas por alguém que havia jurado fidelidade eterna à máfia italiana era uma afronta insuportável.
A máfia não tolerava traição, não importa a forma que ela assumisse.
Ajoelhado no chão, Lorenzo Martinelli mantinha-se em silêncio, os olhos fixos no chão. Seu semblante encolhido e submisso contrastava com a altivez que havia demonstrado algumas horas antes. A presença sombria que emanava de mim e a dor latejante das orelhas arrancadas e dos dedos mutilados eram lembretes cruéis de quem verdadeiramente detinha o poder nessa hierarquia brutal e sádica.
Para Martinelli, o que o esperava seria o próprio paraíso em comparação com o inferno que estava por vir. E agora, a fúria contida em minhas veias estava prestes a ser desencadeada de forma implacável.
Não houve resposta esclarecedora de sua parte, apenas murmúrios irrelevantes. É importante destacar que minha natureza violenta se satisfazia com sua resistência, pois quanto mais me desafiava, mais brutal eu me tornava. Torturar e matar por prazer eram atos comuns para mim, tanto fazendo justiça ou não.
Eu estava curioso para ver até onde a coragem de Martinelli iria levá-lo quando descobrisse o que eu tinha em mente.
Minhas mãos tremiam de raiva enquanto me aproximava dele, a pressão aumentando a cada passo. Eu podia sentir o coração acelerado de Martinelli pulsando no ar, sua respiração ofegante ecoando na sala. Sabia que ele estava com medo, mas alimentava-se da mesma coragem que o impedia de me entregar os nomes dos traidores.