Capítulo 3

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Tamborilava meus dedos na parte superior do tampo da mesa de carvalho do meu escritório, conforme meus olhos varriam o cenário transmitido pelos monitores espalhados pelo gabinete

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Tamborilava meus dedos na parte superior do tampo da mesa de carvalho do meu escritório, conforme meus olhos varriam o cenário transmitido pelos monitores espalhados pelo gabinete.  A sensação de ódio trivial palmilhava em minha corrente sanguínea.

Pietra Martinelli estava irreconhecível, em razão do espancamento que Guilhermo a fez sofrer desde que a sequestramos, após as condolências pelo morte do marido. Já havia se passado duas horas desde que liguei o computador e nada da vagabunda falar o que eu gostaria de ouvir.

Tudo o que deixava aqueles lábios carnudos era: “eu não sei de nada”, “não me mata”, “ eu juro”, “por favor”.

Argh!

Súplicas e mais súplicas.

O cheiro de álcool e tabaco, projetava no escritório, enquanto aguardava sem paciência alguma, a confissão da vadia Martinelli.

Eu não sei de nada — falou entre soluços. — Por favor, me deixe ir — clamou.

Se der as respostas que quero, juro que pensarei em seu caso — Guilhermo ameaçava, girando um canivete entre o indicador e polegar, andando em círculos ao redor da garota algemada a uma cadeira — Serei bonzinho com você.

Mas eu não sei de nada. Meu marido não me deixava a par dos negócios. Por favor eu... — o tapa desferido em seu rosto impediu que a mulher continuasse.

Então nossos joguinhos não acabaram, princesa.

Eu juro que não sei — respondeu em desespero. — As reuniões eram a portas fechadas — repetia, sem conseguir se impedir de chorar. — Por favor, por favor, me solte — suplicou. — Se eu soubesse de algo, eu diria... Mas eu não sei. — O subchefe riu em meio ao descontrole, lágrimas e luta da vadiazinha.

Guilhermo se ajoelhou em frente a mulher, ergueu o canivete e prescionou nós lábios trêmulos da vadia, o ato, arrancou um filete de sangue em seus lábios secos.

— Eu garanto que se você puxar nessa sua linda cabecinha, alguma coisa há de se lembrar — ameaçando ele arrastou o objeto pelo rosto da garota, sem perfurar, apenas um lembrete do que aconteceria se ela não colaborasse. — Apenas um nome, um apelido, uma inicial, um lugar, qualquer coisa. Pense bem, Pietra. A essa altura seu marido está de quatro pro capeta, o que mais você têm a perder por colaborar?

Eu juro... — Ela hesitou. — Eu não sei.

Então teremos que prolongar nossa festa — O subchefe sentenciou como se estivesse anunciando que hoje era quarta-feira.

Desliguei a porcaria daquela transmissão. Estava cansado de esperar pela confissão da desgraçada. Se ela soubesse de algo, viria a saber, o que eu duvidava.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora