Capitulo 33

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A lâmina fria, um beijo metálico e mortal, pressionava a pele delicada da minha garganta, um toque gélido que ameaçava romper a tênue barreira entre o medo e o sangue

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A lâmina fria, um beijo metálico e mortal, pressionava a pele delicada da minha garganta, um toque gélido que ameaçava romper a tênue barreira entre o medo e o sangue. A cada pulsação, sentia o aço afiado sussurrar promessas de dor, um prelúdio macabro para o silêncio eterno. Tentei controlar a respiração, cada inspiração rasa um exercício de autocontrole, pois o mínimo movimento poderia transformar o toque gélido em um corte profundo, rasgando minha traqueia como papel.

O hálito quente e ácido do homem, uma névoa nauseante, roçou meu ouvido enquanto ele rosnava, a voz grave e gutural como um animal selvagem:

— Se abrir essa boquinha, eu rasgo você aqui mesmo.

Um calafrio percorreu minha espinha, e o terror se manifestou em reações involuntárias: o estômago revirando em um nó de náusea, os dedos crispados em punhos tensos, os músculos contraídos como cordas de um instrumento de tortura, o suor brotando frio em minha nuca, como orvalho da morte. Diante de tudo que suportei nas mãos de Riccardo, a sombra da morte nunca se estendeu tão perto, tão palpável.

— Agora, princesa, você vai caminhar ao meu lado, em silêncio, até o lado externo. Me entendeu? — Um aceno mínimo de cabeça, um gesto de submissão forçada, foi minha resposta. O desgraçado esboçou um sorriso grotesco, os dentes amarelados como presas de um predador, e a expressão torcida em uma máscara de malícia. — Qualquer gracinha, princesa, e eu não vou hesitar em enfiar uma faca nesse coraçãozinho seu. O que seria uma pena, não?

Meu coração, um tambor de guerra frenético, disparava contra as costelas, ecoando o ritmo do medo. O desconhecido me puxou com brutalidade, a mão áspera e forte como garras me arrastando para os fundos do restaurante.

Lancei um olhar para trás, uma súplica silenciosa, na vã esperança de que Riccardo surgisse como um salvador improvável.

Ele se movia com precisão calculada, um predador guiando sua presa para a toca escura. Arrastou-me por um corredor estreito, um labirinto sombrio afastado do salão principal, onde as luzes e os sons da vida se dissipavam. Não havia ninguém à vista, nenhum funcionário, nenhum cliente, apenas o silêncio cúmplice da solidão. A certeza de que tudo fora premeditado, uma armadilha meticulosamente planejada, se instalou em minha mente. Ele estava me seguindo, espreitando nas sombras, esperando o momento perfeito para atacar. O piso liso e gélido de azulejos refletia as luzes amareladas, transformando o corredor em um espelho distorcido, onde sombras alongadas dançavam como fantasmas, e cada passo ecoava de forma abafada, um som fantasmagórico que se misturava ao tilintar distante de talheres e conversas amenas, um contraste cruel com o terror que se desenrolava.

A faca pressionava-se mais fundo cada vez que eu hesitava, a ameaça silenciosa de um corte real pairando sobre minha pele.

O tempo havia mudado drasticamente desde que eu entrara no restaurante. Antes, o céu era de um azul vibrante, o sol aquecia minha pele e o barulho das ondas misturava-se ao som das risadas e conversas despreocupadas. Agora, O ar estava carregado com o cheiro de chuva iminente, e uma rajada de vento varreu a rua, espalhando folhas soltas pela calçada. Os olhos do homem varreram os arredores com urgência, procurando algo ou alguém.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora