Capítulo 8

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Sentia-me como um animal indefeso na frente de faróis, chocada e medrosa, meus pensamentos sendo processados rápidos demais

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Sentia-me como um animal indefeso na frente de faróis, chocada e medrosa, meus pensamentos sendo processados rápidos demais. Meu corpo inteiro estava girando, minha cabeça estava confusa e eu estava confusa. Estava abalada porque eu não sabia o que pensar agora.

Comprada. Um negócio. Uma mercadoria. Comprada... Não, Dios, isso não é possível.

Meu batimento cardíaco estava rugindo em meus ouvidos, meus pulmões bombeando com tudo que valiam enquanto eu descia a escadaria de acesso ao primeiro andar. As vezes pulando mais de um degrau, e em outros momentos, segurando no corrimão para não cair quando minha mente voltava para o que foi me revelado momentos atrás.

Dios.

Meus pensamentos morreram quando de repente eu sofri um solavanco brusco em meu braço, que me fez tropeçar e bater os joelhos no chão duro.

— AÍ.

— Sua garota idiota! — Olhei para a dona da voz potente e me deparei com a imagem de Andrea, furiosa. — No que você estava pensando sua menina estúpida!? Não era para você sair daquela maldita festa. Porque demorou tanto?!

— Eu só... eu bebi demais — Respondi em um fio de voz, enquanto ela apertava a sua mão em meu braço com mais força, me obrigando a levantar. — Eu... Eu não estava me sentindo bem. Eu...

Eu descobri que vocês são ainda mais desprezíveis do que imaginei, era o que eu diria, mas minhas cordas vocais não funcionavam. Eu estava em choque. Perdida. Não sabia em que território eu estava pisando. De repente, olhar para Andrea me fez duvidar até mesmo que fosse minha mãe. Quem te deu a vida não tiraria assim de forma tão impiedosa.

— Eu já fui muito boazinha com você, Luiza! — proferiu de maneira ríspida, ao mesmo tempo em que começou a me arrastar pela casa. — Chega. Você vai voltar para aquela celebração e fazer tudo que eu mandar.

Ela me puxava pelo braço com brutalidade, eu agarrei a sua mão com força, desfazendo o enlace.

— ME SOLTA! — gritei bem alto,  cerrando os punhos, e balançando a cabeça de um lado para o outro. — Não encosta em mim! Nunca mais.

Algo piscou em toda a sua expressão por um segundo, ela estreitou seu olhar escuro para mim.

— Você ficou louca, estúpida?

Lágrimas apareceram em meus olhos. Eu me afastei e engoli seco. Eu não iria chorar. Eu não iria expressar esse tipo de fraqueza. Eu me contive tão bem e falhar agora iria me quebrar.

— Eu gostaria muito de dizer que sim, mas estou mais lúcida do que nunca.

— Não estamos com tempo para seus dramas. Não percebe que têm pessoas a nossa espera? Pessoas importantes que estão ansiosos por você.

— Eu não me importo! Essa farsa toda nunca foi sobre mim.

O silêncio encheu a sala. Andrea moveu os olhos na direção do segundo andar, mais precisamente, para meu quarto. Um minuto se passou, a clareza atravessou os seus olhos, que, de tão revoltos, pareciam quase negros agora. Mamma fechou os olhos e respirou fundo antes de me encarar.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora