Capítulo 23

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Acordei com uma dor surda na cabeça, como se algo estivesse me esmagando por dentro

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Acordei com uma dor surda na cabeça, como se algo estivesse me esmagando por dentro. Abri os olhos com dificuldade, forçando a mente a se ajustar à luz suave que filtrava no ambiente. O quarto estava silencioso, mas era um silêncio opressor, denso, como se o ar tivesse se tornado mais espesso. Tentei me mover, mas meu corpo não respondia de imediato. Estava tão pesado, tão... desconfortável.

Senti o toque frio das lençóis de seda contra a minha pele e, ao olhar para mim mesma, percebi com um susto que estava vestindo apenas um conjunto de lingerie finíssima, que eu nunca usaria por vontade própria. Meu coração disparou, e a mente tentou, em vão, juntar os pedaços daquela noite que estavam fragmentados como um quebra-cabeça inacabado.

Onde eu estava? O que aconteceu?

A sensação de vertigem não me deixou, e a confusão aumentou à medida que tentava puxar as memórias de volta. O último momento claro foi ele. Riccardo.

Lembrei-me dele me puxando para o meio de uma sala, forçando-me a dançar com ele. Eu tentei me afastar, tentei negar, mas ele era implacável. As risadas ao fundo, a música alta, meu corpo tenso, incapaz de reagir como queria. Ele sempre tinha esse poder sobre mim, esse controle.

Mas o que aconteceu depois? Como eu vim parar aqui?

Eu não me lembrava de nada. Só sabia que estava em um lugar desconhecido, sozinha, com uma sensação crescente de pânico no peito.

Minhas mãos, trêmulas, tocavam a seda do lençol. Não havia sujeira ou decadência no ar, mas a sensação de desconforto era impossível de ignorar. Era um quarto luxuoso, mas em nenhum momento isso me trouxe conforto. Na verdade, quanto mais eu olhava, mais me sentia prisioneira de tudo aquilo.

O som de passos no corredor me fez congelar. Quem estava ali? Riccardo?

A porta se abriu com um rangido baixo, e então eu vi. Ele estava na entrada, como uma sombra que se estendia pela sala. Riccardo.

Ele estava tão... seguro de si, tão calmo, como se tivesse tudo sob controle. E, de alguma forma, ele tinha. Ele sempre tinha.

— Ah, você acordou — disse, com uma voz suave e cheia de uma satisfação que me causava náuseas. — Estava começando a achar que ia precisar de mais tempo.

Não consegui esconder o pânico que se espalhou por meu corpo.

— Onde estou? — minha voz saiu fraca, rouca. — O que você fez comigo?

Ele cruzou os braços, observando-me com aquele sorriso de canto, como se estivesse se divertindo com minha angústia. Aquele olhar...

— Você está exatamente onde precisa estar, Luiza. Quanto ao que eu fiz com você... Bem, talvez você descubra logo. Ou talvez nunca descubra.

Aquelas palavras, ditas com tanta calma, me fizeram tremer. Não apenas pela ameaça implícita, mas pela certeza de que ele sabia muito mais do que eu queria acreditar.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora