Capítulo 25

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Sete dias

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Sete dias.

Sete dias se passaram desde o terror que fui forçada a presenciar.

Sete dias em que eu me tornei uma assassina.

O peso dessa última vem me assombrando desde o ocorrido, me consumindo de dentro para fora. Não sei mais o que é comer, dormir sem acordar aos berros, não sei mais o que é... sobreviver. Cada passo que dou é um esforço, e cada segundo que passa é um lembrete de que a vida que eu tinha ficou para trás, sem mais.

Acordar no meio da noite, com a visão de Juliane ensanguentada na minha frente, se tornou algo rotineiro. O rosto dela, distorcido pelo sofrimento, com os olhos fixos em mim, parece me culpar. Ela me olha com um olhar profundo, vazio, acusador, e me sentencia à dor infinita. Eu a matei. Eu a matei. E não há perdão. Não há como escapar disso.

Eu tento me enganar. Tento acreditar que, no fundo, a dor vai passar, que o tempo vai curar. Mas cada vez que fecho os olhos, vejo Juliane, vejo a cena em minha mente, como um filme repetido que não consigo parar de assistir. E é como se ela estivesse me observando o tempo todo, me esperando para que eu me entregue à culpa. Como se esperasse que eu fosse finalmente sucumbir ao peso da minha própria morte, a morte que fiz a ela.

O som do tiro ainda ecoa em minha cabeça. É impossível não ouvi-lo, é impossível se livrar dele. Ele se repete como um grito distante, mas ao mesmo tempo tão forte que sinto a reverberação nos meus ossos. Eu tento bloquear, tento desviar, mas é como se o disparo estivesse preso em mim, martelando incessantemente. Cada estalo no ambiente, cada ruído que acontece ao meu redor, me transporta de volta àquele momento. O som do metal cortando o ar, a explosão do disparo. Como se eu pudesse ouvir os ecos do meu erro em cada lugar.

Às vezes, o silêncio é mais pesado do que o som. Quando estou em casa, sozinha, com as luzes apagadas, não há mais nada. Só eu, minha respiração entrecortada e o som da minha própria culpa. Cada objeto no ambiente parece me olhar, me lembrar. Cada canto da casa está impregnado dela, do que fiz.

Não consigo mais comer. Quando tento, o gosto da comida é indiferente, como se nada tivesse sabor. Minha boca está seca, meu estômago revolta-se a cada pedaço que tento engolir, e, quando finalmente engulo, me sinto pior. Não é fome. É vazio. Uma sensação de que eu poderia desaparecer e ninguém notaria. Não importa o quanto eu coma, nada preenche o buraco que foi aberto em mim.

Eu tento dormir. Tento fechar os olhos, encontrar algum refúgio, mas o sono não traz alívio. Ele me arrasta de volta, me joga naquela cena, naquele instante. O pesadelo não é só dela, é meu. Eu sou o monstro. Eu sou a culpada.

Acordo várias vezes durante a noite. O suor escorre, meu coração está disparado e meu peito se enche de angústia. E em cada esquina da casa, em cada ruído no escuro, o rosto de Juliane me encara. Sempre ali. Sempre me lembrando de que foi minha mão que a levou para aquele fim.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora