ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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O silêncio era denso, pesado como um presságio.
Eu estava no centro de uma igreja antiga, envolta em sombras e velas trêmulas que lançavam danças espectrais pelas paredes de pedra. O cheiro de incenso queimado misturava-se ao de algo metálico, quase ferrugem... quase sangue.
Vestida de noiva.
O véu cobria meu rosto, e a seda do vestido parecia se moldar ao meu corpo como uma segunda pele. Mas havia algo errado.
Algo horrivelmente errado.
A princípio, era apenas um fio escorrendo pela bainha do tecido imaculado. Um pingo escuro manchando o chão de mármore. Então, aos poucos, as saias do vestido começaram a sangrar.
Primeiro gotas tímidas.
Depois, uma torrente escarlate.
O líquido quente deslizava por minhas pernas, empapando os tecidos, encharcando o véu. Eu podia sentir o peso viscoso, o cheiro denso e sufocante se entranhando em minha pele.
O altar à minha frente tornou-se um borrão quando ergui as mãos, percebendo-as igualmente manchadas.
— Até que enfim... — A voz reverberou pelas paredes.
Meu coração congelou.
Riccardo estava à minha frente.
Mas ele não era apenas Riccardo.
Seus olhos, negros como o vazio, brilhavam com um brilho profano. Os chifres, retorcidos e imponentes, surgiam de seus cabelos escuros como coroas demoníacas. O terno perfeitamente alinhado agora parecia uma veste infernal, e seus pés descalços repousavam sobre brasas incandescentes que crepitavam contra o mármore.
O diabo.
Ele sorriu, e seus dentes pareciam afiados demais.
— Olhe para você, Luiza. — Ele inclinou a cabeça, como um lobo saboreando a presa. — Bela como a noiva que nasceu para ser.
Meus pés tentaram se mover, mas estavam presos ao sangue. O líquido havia formado poças profundas ao meu redor, refletindo meu rosto pálido, os olhos arregalados, a expressão aterrorizada.
O riso de Paola ecoou pela igreja.
Virei o rosto, e ela estava lá.
Seu vestido negro contrastava com minha figura pálida, e em sua mão, um cálice de ouro transbordava o mesmo líquido rubro que escorria de mim.
— Não lute contra isso, querida. — Ela sorveu um gole lento, lambendo os lábios depois. — Já está feito.
Atrás dela, Guilhermo surgiu.
Os olhos fundos, a pele acinzentada. Um cadáver vivo, observando-me com algo que parecia... piedade.
— Você nunca teve escolha. — Sua voz era um sussurro de morte.