Capitulo 31

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O silêncio era denso, pesado como um presságio

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O silêncio era denso, pesado como um presságio.

Eu estava no centro de uma igreja antiga, envolta em sombras e velas trêmulas que lançavam danças espectrais pelas paredes de pedra. O cheiro de incenso queimado misturava-se ao de algo metálico, quase ferrugem... quase sangue.

Vestida de noiva.

O véu cobria meu rosto, e a seda do vestido parecia se moldar ao meu corpo como uma segunda pele. Mas havia algo errado.

Algo horrivelmente errado.

A princípio, era apenas um fio escorrendo pela bainha do tecido imaculado. Um pingo escuro manchando o chão de mármore. Então, aos poucos, as saias do vestido começaram a sangrar.

Primeiro gotas tímidas.

Depois, uma torrente escarlate.

O líquido quente deslizava por minhas pernas, empapando os tecidos, encharcando o véu. Eu podia sentir o peso viscoso, o cheiro denso e sufocante se entranhando em minha pele.

O altar à minha frente tornou-se um borrão quando ergui as mãos, percebendo-as igualmente manchadas.

— Até que enfim... — A voz reverberou pelas paredes.

Meu coração congelou.

Riccardo estava à minha frente.

Mas ele não era apenas Riccardo.

Seus olhos, negros como o vazio, brilhavam com um brilho profano. Os chifres, retorcidos e imponentes, surgiam de seus cabelos escuros como coroas demoníacas. O terno perfeitamente alinhado agora parecia uma veste infernal, e seus pés descalços repousavam sobre brasas incandescentes que crepitavam contra o mármore.

O diabo.

Ele sorriu, e seus dentes pareciam afiados demais.

— Olhe para você, Luiza. — Ele inclinou a cabeça, como um lobo saboreando a presa. — Bela como a noiva que nasceu para ser.

Meus pés tentaram se mover, mas estavam presos ao sangue. O líquido havia formado poças profundas ao meu redor, refletindo meu rosto pálido, os olhos arregalados, a expressão aterrorizada.

O riso de Paola ecoou pela igreja.

Virei o rosto, e ela estava lá.

Seu vestido negro contrastava com minha figura pálida, e em sua mão, um cálice de ouro transbordava o mesmo líquido rubro que escorria de mim.

— Não lute contra isso, querida. — Ela sorveu um gole lento, lambendo os lábios depois. — Já está feito.

Atrás dela, Guilhermo surgiu.

Os olhos fundos, a pele acinzentada. Um cadáver vivo, observando-me com algo que parecia... piedade.

— Você nunca teve escolha. — Sua voz era um sussurro de morte.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora