ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Entrei no quarto atrás de Riccardo, os músculos retesados, a respiração ainda carregada pelo embate brutal que havíamos travado. Cada centímetro da minha pele ardia como se chamas invisíveis lambessem meus ferimentos, uma dor cortante que latejava a cada pulsação. Era como se a própria gasolina corresse em minhas veias, inflamando cada corte, principalmente aquele onde o desgraçado teve a audácia de esculpir sua inicial. Um símbolo de posse grotesco, como se eu não passasse de um animal marcado à força.
A cada passo, uma fisgada aguda disparava direto para os cortes, obrigando-me a conter um estremecimento. Meu corpo já começava a sucumbir à ressaca do álcool, a embriaguez desvanecendo tão cruelmente quanto o calor febril do embate anterior. A lucidez vinha como uma lâmina fria, tornando a dor mais nítida, mais insuportável.
O roupão branco envolvia-me com a frágil promessa de conforto, mas ao baixar o olhar, vi o tecido imaculado ser maculado pelo carmim espesso do meu próprio sangue. Pequenos pingos deslizavam por minhas pernas até o chão, salpicando o mármore com evidências silenciosas do que havia acontecido.
E Riccardo estava ali. À frente, sem uma única hesitação, sem um pingo de arrependimento.
Como se o sangue derramado—o meu e o dele—não passasse de um detalhe insignificante.
Com um kit de primeiros socorros em mãos, ele seguiu até a cama com a naturalidade cruel de quem sempre deteve o controle, sem pressa alguma deitou-se sobre o colchão. Apesar do corte que fiz não ter sido tão fundo, foi o bastante para o fazer sangrar. E isso, me satisfazia.
A toalha enrolada em sua cintura era a única coisa que enrolava em seu corpo. Deixando a mostra todos seus outros músculos.
— Venha aqui — ordenou, os olhos escuros semicerrados, a voz carregada da mesma arrogância de sempre.
Eu não me mexi.
— Faça você mesmo.
Riccardo suspirou, impaciente. Seus dedos deslizaram para a mesa de cabeceira, onde sua arma repousava. O barulho metálico do mecanismo sendo destravado reverberou pelo quarto como um aviso frio.
— Eu não gosto de repetir as coisas, Luiza.
Meu coração trovejou no peito. O medo e o ódio se misturaram, criando um nó sufocante em minha garganta.
— Então atire — desafiei, mesmo sabendo que ele era perfeitamente capaz disso.
Os olhos dele brilharam com algo perigoso. Num movimento brusco, ele virou a arma para o chão e puxou o gatilho. O estrondo foi ensurdecedor. O tiro ricocheteou no piso, fazendo-me dar um salto para trás, o coração disparado, a respiração descompassada.
O cheiro de pólvora impregnou o ar, misturando-se ao ferroso do sangue.
Riccardo ergueu o olhar para mim, satisfeito com meu sobressalto.