Capítulo 32

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Entrei no quarto atrás de Riccardo, os músculos retesados, a respiração ainda carregada pelo embate brutal que havíamos travado

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Entrei no quarto atrás de Riccardo, os músculos retesados, a respiração ainda carregada pelo embate brutal que havíamos travado. Cada centímetro da minha pele ardia como se chamas invisíveis lambessem meus ferimentos, uma dor cortante que latejava a cada pulsação. Era como se a própria gasolina corresse em minhas veias, inflamando cada corte, principalmente aquele onde o desgraçado teve a audácia de esculpir sua inicial. Um símbolo de posse grotesco, como se eu não passasse de um animal marcado à força.

A cada passo, uma fisgada aguda disparava direto para os cortes, obrigando-me a conter um estremecimento. Meu corpo já começava a sucumbir à ressaca do álcool, a embriaguez desvanecendo tão cruelmente quanto o calor febril do embate anterior. A lucidez vinha como uma lâmina fria, tornando a dor mais nítida, mais insuportável.

O roupão branco envolvia-me com a frágil promessa de conforto, mas ao baixar o olhar, vi o tecido imaculado ser maculado pelo carmim espesso do meu próprio sangue. Pequenos pingos deslizavam por minhas pernas até o chão, salpicando o mármore com evidências silenciosas do que havia acontecido.

E Riccardo estava ali. À frente, sem uma única hesitação, sem um pingo de arrependimento.

Como se o sangue derramado—o meu e o dele—não passasse de um detalhe insignificante.

Com um kit de primeiros socorros em mãos, ele seguiu até a cama com a naturalidade cruel de quem sempre deteve o controle, sem pressa alguma deitou-se sobre o colchão. Apesar do corte que fiz não ter sido tão fundo, foi o bastante para o fazer sangrar. E isso, me satisfazia.

A toalha enrolada em sua cintura era a única coisa que enrolava em seu corpo. Deixando a mostra todos seus outros músculos.

— Venha aqui — ordenou, os olhos escuros semicerrados, a voz carregada da mesma arrogância de sempre.

Eu não me mexi.

— Faça você mesmo.

Riccardo suspirou, impaciente. Seus dedos deslizaram para a mesa de cabeceira, onde sua arma repousava. O barulho metálico do mecanismo sendo destravado reverberou pelo quarto como um aviso frio.

— Eu não gosto de repetir as coisas, Luiza.

Meu coração trovejou no peito. O medo e o ódio se misturaram, criando um nó sufocante em minha garganta.

— Então atire — desafiei, mesmo sabendo que ele era perfeitamente capaz disso.

Os olhos dele brilharam com algo perigoso. Num movimento brusco, ele virou a arma para o chão e puxou o gatilho. O estrondo foi ensurdecedor. O tiro ricocheteou no piso, fazendo-me dar um salto para trás, o coração disparado, a respiração descompassada.

O cheiro de pólvora impregnou o ar, misturando-se ao ferroso do sangue.

Riccardo ergueu o olhar para mim, satisfeito com meu sobressalto.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora