ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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Era amanhã.
Eu sabia, mesmo sem precisar olhar para o calendário. O tempo havia se distorcido enquanto estava trancada naquele quarto, cada dia uma tortura silenciosa que me preparava para o inevitável. O dia do meu casamento, ou, quem sabe, o dia do meu sepultamento.
Não sabia ao certo o que sentia. Seria, Raiva? Medo? Uma frustração amarga por ter falhado comigo mesma? Talvez fosse um misto de todas essas coisas.
O ódio que eu sentia por Riccardo era impossível de medir. Era algo que queimava, uma fúria cega e incontrolável, uma dor que se transformava em um desejo de vingança que não encontrava saída. E, em poucas horas, ele estaria lá, no altar, olhando para mim com aquele olhar insuportável, como se fosse seu direito. O mesmo olhar que já me roubou tudo o que eu conhecia, e que agora, ironicamente, ia tomar minha liberdade, minha dignidade, minha vida.
Pensativa, puxei minhas pernas para cima, trazendo os joelhos para junto do peito, e abracei-os com força, como se pudesse me proteger do turbilhão de pensamentos que me afligiam. A cabeça se deitou lentamente sobre os braços cruzados, meu corpo tenso como se fosse uma fortaleza vulnerável.
O que Riccardo faria após o casamento? Quais seriam seus planos para o futuro, e, principalmente, o que restaria de mim? O enigma que ele representava parecia me consumir por completo, as perguntas sem resposta ecoando nas paredes do meu ser. Soltei uma risada amarga, uma risada que não tinha gosto de alegria, mas de resignação. Eu iria me casar. Eu. Me casar sem ter sido consultada sobre isso. Sem amor, sem a menor centelha de desejo real.
Minha mente se voltava para os planos que eu tinha, planos que pareciam agora tão distantes e inalcançáveis. O primeiro deles, e o mais simples, seria ter ao meu lado um homem que me amasse. Mas eu não tinha isso. E talvez nunca tivesse.
Olhei ao redor, o meu quarto estava em completo caos, e a desordem refletia com uma precisão cruel o estado da minha vida. Cada objeto quebrado, cada mancha nas paredes, parecia ecoar o estrago interno que eu carregava. Após a surra que levei de Giuseppe, a frieza de tudo ao meu redor era palpável. Eles realmente me abandonaram aqui. Não havia ninguém para limpar o cenário de desespero em que me encontrava, ninguém para cuidar dos meus ferimentos, como se minha dor fosse invisível ou, pior, irrelevante. O silêncio era a única coisa que me acompanhava.
Após aquele dia, as únicas coisas que passaram a chegar até mim eram pratos de comida e jarras de água. Nenhuma delas eram entregues por Nanna, que fora proibida de se aproximar de mim. Quem as trazia eram outros funcionários, rostos impessoais, que se limitavam a cumprir uma ordem sem ao menos olhar em meus olhos.
Nos primeiros dias, rejeitei tudo o que me trouxeram. Eu queria nada além de esquecer, de me afogar na dor e na revolta, sem me importar com o que aconteceria ao meu corpo. A única coisa que pedi, com a esperança de encontrar um alívio temporário, foram garrafas de bebida. Mas, como esperado, meu pedido foi negado.