ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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Meus lábios estavam inchados, úmidos, latejando com a urgência do beijo que ainda pulsava em mim. Senti o gosto dele misturado ao meu, e a respiração entrecortada denunciava o que tínhamos acabado de fazer. O ar entre nós ainda estava impregnado de desejo e raiva, e, por um segundo, esqueci de tudo — de onde estávamos, de quem ele era, de tudo o que nos separava.
Meu corpo vibrava, tenso e quente, como se uma corrente elétrica tivesse me atravessado. Ainda com a mão na nuca dele, senti os fios de cabelo bagunçados entre os meus dedos, o coração disparado.
Riccardo me encarava. Os olhos escurecidos, a mandíbula contraída. Havia algo selvagem nele, como se estivesse lutando contra um instinto primitivo. Mas, como uma lâmina fria atravessando a chama, o olhar dele mudou. Rápido. Preciso. Ele recuou um passo, afastando-se com uma serenidade gelada, como se nada tivesse acontecido.
— Se recomponha — ordenou, ajustando a lapela do paletó e passando a mão pelos cabelos com uma calma ensaiada. — Estamos voltando para o salão.
Engoli em seco, ainda sem conseguir acompanhar o corte brusco. Mesmo assim, ergui o queixo e ajeitei o vestido com movimentos calculadamente suaves. Um sorriso malicioso brotou em meus lábios. Eu não precisava que ele dissesse nada. Eu sabia o que aquele beijo tinha sido. E mais: sabia que ele também sabia.
— Como quiser. — Minha voz saiu doce e cortante, como veneno em taça de cristal.
Ele lançou um olhar na minha direção, lento, arrastado, como se quisesse me despir novamente — mas agora com os olhos.
— Tome cuidado com o que diz, Luiza. — Sua voz desceu grave, arranhando as palavras como se me marcasse com elas. — Porque da próxima vez... eu posso não querer parar.
Olhei fundo nos olhos dele, sem um centímetro de recuo no meu corpo.
— Talvez eu também não queira — rebati, com um sorriso suave, deixando o veneno escorrer em pequenas doses. — Minhas palavras são medidas, Riccardo. E minhas ações, conscientes.
Ele sorriu de lado. Breve. Frio. Arrogante. E virou-se em direção à porta lateral que levava de volta ao salão. Eu caminhei ao lado dele, sentindo o calor do corpo dele ainda vibrando contra o meu, mesmo que não nos tocássemos mais.
Ao cruzar o vão que nos levava de volta ao grande salão de mármore, ergui os olhos instintivamente. E lá estava ela.
Paola.
A poucos metros de distância, com uma taça de champanhe na mão e o olhar cravado em mim como uma faca afiada. Ela viu tudo.
Não disse uma única palavra. Mas eu também não precisei.
Inclinei o rosto levemente e lhe ofereci um sorriso triunfante, lento e letal.
O tipo de sorriso que precede a queda de uma rainha.