ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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O sol penetrava o quarto pela sacada no momento em que despertei, após mais uma noite repleta de pesadelos. Pela posição em que o febo se encontrava eu supus que não fosse mais do que sete horas da manhã. O que era bom, pensei, vendo os raios refletirem por sobre o chão de mármore frio até a parte da cama onde me encontrava deitada. Encarei o teto, era o hoje o infelicitado dia, meu vigésimo aniversário. Mais um ciclo se fechou, e agora outro se iniciaria.
Esta era de longe a celebração mais infeliz que eu vivera. No colégio ao menos eu tinha as meninas para me alegrarem da falta de meus genitores. Até bolo com direito a velinhas eu recebia. Ano passado, em meu primeiro ano fora do instituto, ganhei uma surpresa de Caterina. Ainda lembrava das suas palavras exatas e de como me senti naquele momento.
— Você vai me matar de curiosidade — balbuciei, com o estômago dando cambalhotas de ansiedade.
— Calma que estamos chegando, só mais alguns passinhos. Cuidado com os degraus. — Instruiu me ajudando a caminhar pela sua casa com os olhos vendados.
— Você vem planejando isso a quanto tempo, hein?
— A tempo suficiente para deixar tudo do seu agrado, ao menos assim eu espero. Reparei que você anda um pouco para baixo esses dias, então, pensei em algo que pudesse te alegrar um pouco. Pronto, agora fica quietinha aqui — Limpei as mãos no Jeans da calça, ansiosa, enquanto Caterina terminava de ajeitar os últimos detalhes. — Agora você pode olhar.
Sem delongas, segurei a venda e a puxei para cima.
— SURPRESA!
— Eu não acredito nisso!Dios... Caterina!
— Gostou? — A garota sorrindo, segurou minhas mãos com carinho. Ela era uma ótima amiga e aqueles olhos verdes tão puros e cheios de vida aqueciam meu coração.
— Mas é claro! Eu... Eu nem sei o que dizer. Não esperava que fosse fazer algo assim. Obrigada, de verdade. Isso é... Muito importante para mim.
Contemplei todos as arestas do espaço decorado. Haviam flores, balões e vários cartões grudados as paredes com pequenas mensagens de carinho, e outras descrevendo o quanto eu era uma pessoa incrível e importante para ela. Esse gesto poderia significar pouca coisas para muitos, mas para mim era algo tão extraordinário. Eu nunca havia me sentido tão querida por alguém, nunca ninguém demonstrou que eu fosse valorosa.
— Olha. — Apontou para a mesa farta de gostosuras — Me empenhei ao máximo para fazer tudo que gosta. Até em brigadeiro me esforcei. É uma receita brasileira, né?
— Sim. Conheci no colégio. As brasileiras sempre pediam as superioras para fazerem. Principalmente em dia de filme.
— Realmente é uma delícia. Antes de qualquer coisa, venha aqui. — Após me encaminhar até o centro da mesa, a garota posicionou as velinhas no bolo de chocolate, meu favorito, e entusiasmada como uma criança em festinhas, iniciou os parabéns. — Meus parabéns pra você...