Capítulo 24

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— Caterina

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— Caterina... — sussurrei novamente, minha voz quebrada pela angústia. A garganta estava seca, e cada palavra parecia ser arrancada de mim, como se a dor de chamá-la me consumisse por dentro. — Eu... estou aqui...

Ela se moveu. Lentamente, como se cada gesto fosse pesaroso, quase irreconhecível. Virou a cabeça na minha direção, mas seus olhos... aqueles olhos... estavam vazios. Não havia nada neles, nenhum brilho, nenhum reflexo de quem ela fora, nenhum vestígio de vida. Era como se sua alma tivesse se dissipado, deixado o corpo para trás. O vazio que se abria entre nós era mais profundo do que qualquer abismo que eu pudesse imaginar.

Havia algo no seu olhar. Um misto de dor, medo, e — o pior de tudo — aceitação. Uma aceitação silenciosa de que talvez já não houvesse mais como voltar atrás. De que, talvez, a pessoa que um dia foi minha amiga, a mulher que eu amava, estivesse irremediavelmente perdida.

— Eu não consigo expressar o quanto me alivia te ver aqui. — As palavras saíram num sussurro, carregadas de uma tristeza amarga. Eu queria que elas a tocassem, que trouxessem alguma lembrança de nós duas, mas sabia, no fundo, que talvez já fosse tarde demais.

Eu dei um passo em sua direção, desesperada por quebrar aquela distância que parecia insuperável, mas, quando fiz o movimento, ela recuou. Um gesto tão simples, mas que cortou algo dentro de mim. Como se minha proximidade fosse um veneno, algo a sufocando. A dor de vê-la tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante, fez o ar ao redor de mim pesar.

— Ei... sou eu, Luiza! — Tentei sorrir, mas era um sorriso trêmulo, quase como uma súplica disfarçada de força. Eu queria que ela visse o quanto eu estava ali, o quanto eu estava tentando alcançar, mas as palavras pareciam se perder no espaço entre nós.

Caterina me olhou então, fixamente, como se tentasse alcançar algo em meu olhar. Seus olhos pareciam querer dizer tantas coisas, mas, ao mesmo tempo, nada diziam.

Ela não disse nada. Apenas permaneceu ali, imóvel, como uma estátua quebrada. Mas naquele silêncio, eu percebi algo. Algo que me cortou de uma maneira tão brutal que quase perdi os sentidos. Ela não me reconhecia. Não de verdade. Não mais.

Não é possível

— Você... você não se lembra de mim? — A minha voz vacilou, a dor me tomando de assalto. Eu tentei não deixar as lágrimas tomarem conta de mim, mas elas desceram, silenciosas, queimando minha pele fria. — Sou eu, Luiza... sua melhor amiga... Por favor, deixa eu me aproximar...

As palavras saíam de mim sem controle, como se minha alma estivesse tentando se despedaçar em mil pedaços diante dela. Eu queria tocá-la, sentir sua pele, fazer com que ela voltasse a ser quem era. Mas ela estava ali, a um passo de mim, mas completamente irreconhecível. E eu, que tanto queria trazê-la de volta, já sabia que talvez nunca mais pudesse.

O olhar de Caterina permaneceu fixo no meu, distante, como se o peso da dor que ela carregava fosse algo invisível, mas denso o suficiente para preencher o espaço entre nós. Havia uma tristeza nela tão profunda que parecia corroer o ar ao redor, como se o próprio ambiente estivesse submisso àquilo que ela sentia. Eu podia quase tocá-la através daquela angústia, uma dor visceral que me apertava o peito e me fazia questionar se eu seria capaz de suportar tudo aquilo.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora