ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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Oficialmente, Luiza Ferraro.
O peso da aliança em meu anelar parecia desproporcional, não pelo ouro em si, mas pelo significado que ele carregava. Desde o instante em que o metal frio tocou minha pele, uma sensação incômoda se instalou — uma coceira insistente, quase metafísica, como se minha própria carne rejeitasse aquilo que agora me aprisionava. A joia, polida e impecável, não passava de um grilhão disfarçado, um lembrete de que minha vida já não me pertencia.
Ser esposa de um homem que eu considerava meu inimigo já seria uma condenação por si só; tê-lo, ainda, como líder de uma das mais imponentes e temidas organizações criminosas do mundo tornava tudo insuportável. Seu nome ecoava muito além das fronteiras, seu poder se estendia como raízes subterrâneas, invisíveis, mas impossíveis de arrancar. O terror de estar irremediavelmente atada a ele era sufocante, uma sombra que se estendia sobre qualquer esperança de fuga.
Eu estava cercada.
E não havia nada no mundo capaz de me fazer esquecer disso.
Meus lábios estavam trêmulos de tanto forçar sorrisos, minha mão começava a doer depois de incontáveis cumprimentos, e ainda assim, a noite parecia interminável. Rostos desconhecidos se sucediam diante de mim, entoando votos de felicidade e palavras vazias que se dissolviam no ar antes mesmo que eu pudesse processá-las. Eram aliados, associados, figuras de influência que orbitavam Riccardo como mariposas ao redor de uma chama. E eu, no centro de tudo, deveria parecer encantada, grata, radiante.
Mas estava cansada. Cansada da luz dourada que parecia mais opressora do que acolhedora, do calor do salão, das risadas que soavam altas demais, artificiais demais. Cansada de fingir que esse casamento era algo além do que realmente era: uma transação. Um contrato selado em ouro e poder, sem espaço para vontades ou recusas.
Riccardo, por outro lado, estava completamente à vontade. Ele se movia pelo ambiente com a naturalidade de quem domina o mundo, trocando apertos de mão firmes, acenos sutis, olhares carregados de promessas e intenções que apenas aqueles de sua esfera poderiam decifrar. E, constantemente, ele estava perto demais.
Havia algo na maneira como Riccardo me envolvia que fazia minha pele se arrepiar, mas não da forma que um romance deveria provocar. Seus toques não eram agressivos, tampouco invasivos de maneira explícita, e talvez fosse exatamente isso que os tornava tão insuportáveis. Eram calculados, precisos, um jogo silencioso de domínio onde cada deslizar de dedos parecia dizer: lembre-se de quem agora detém as rédeas da sua vida.
Eu não precisava olhar para ele para sentir sua presença. Bastava o calor de seu corpo muito próximo ao meu, a forma como seu perfume — amadeirado e intenso — se misturava ao ambiente, tornando impossível ignorá-lo. Ele falava com os convidados com um charme que beirava o hipnótico, seu sorriso fácil e olhar perspicaz desarmando qualquer um que estivesse ao alcance. Era encantador na medida certa, perigoso na exata proporção.