ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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A estrada serpenteava sob os pneus, e a chuva que antes caía em torrentes agora se resumia a um gotejar frio contra o vidro. Meu corpo tremia — pelo frio, pelo choque, talvez pelos dois. O couro molhado do banco grudava em minha pele, e o cheiro de pólvora e fumaça ainda impregnava o tecido do vestido.
Eu mal piscava.
Minha mente se recusava a seguir em frente, presa nos fragmentos do caos que havia acabado de vivenciar. As imagens vinham e iam como facadas, cortando o presente com lembranças cruas.
O estampido dos tiros. O calor do fogo. O cheiro de carne queimada.
Riccardo com a arma erguida.
O caminhão vindo como um bicho desgovernado, uma sentença de morte sobre rodas.
Os gritos.
Minhas mãos trêmulas apertaram meu próprio corpo, numa tentativa inútil de conter o tremor que me dominava. A umidade das roupas grudadas à pele fazia o frio se infiltrar nos ossos, implacável, tornando impossível qualquer sensação de calor. Meus cabelos, pesavam contra meu rosto, escorrendo gotas frias pelo pescoço e pelas costas, aumentando o arrepio incessante que percorria minha espinha. O calor abafado dentro do carro não era suficiente para dissipar a sensação cortante do vento que ainda parecia assombrar minha pele. Meus dentes batiam uns nos outros, o som seco e intermitente preenchendo o silêncio tenso, até que Vicenzo desviou o olhar para mim, atento.
— Vamos chegar em breve — Quebrou o silêncio, a voz tão impassível quanto sempre.
Eu não respondi. Apenas olhei pela janela, vendo o nada engolir tudo à minha volta.
O carro desacelerou ao entrar em um espaço cercado. O veículo deslizou para dentro da propriedade sem hesitação. O portão de ferro se fechou atrás de nós com um estrondo seco, selando-nos dentro do que mais se assemelhava a uma fortaleza impenetrável. Meus olhos percorreram o ambiente com atenção, absorvendo cada detalhe.
A estrutura era imponente, rígida e fria, feita de concreto bruto, sem qualquer vestígio de acolhimento. As janelas altas e estreitas pareciam meras fendas na parede, impossíveis de atravessar, e o silêncio que pairava era inquietante, quebrado apenas pelo ruído ocasional de passos ecoando no chão úmido. Homens armados estavam posicionados em pontos estratégicos, imóveis como estátuas.
Foi ali que meu peito apertou.
Não era apenas um mau pressentimento.
Aquela sensação... um arrepio gélido subiu por minha espinha, e o ar pareceu mais denso, como se o concreto ao meu redor se fechasse, me sufocando. Algo nesse lugar despertava algo em mim, algo enterrado, esquecido.
Eu já havia estado ali antes.
Só não me recordava quando.
A inquietação rastejou pela minha pele como dedos gelados, fazendo minha respiração falhar por um segundo. Meu olhar dançou pelas paredes, pelo chão de pedra fria, pelo cheiro de umidade misturado com algo mais ferroso... familiar demais para ser ignorado.