Capítulo 14

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Em um estado letárgico, deitada no chão, em meio à destruição que tomou conta do meu quarto - o único lugar onde me sentia segura - eu me imaginava uma princesa dos contos de fadas em sua torre, protegida de bruxas, monstros e demônios

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Em um estado letárgico, deitada no chão, em meio à destruição que tomou conta do meu quarto - o único lugar onde me sentia segura - eu me imaginava uma princesa dos contos de fadas em sua torre, protegida de bruxas, monstros e demônios. Fechava os olhos e me imaginava em uma torre alta, com paredes de pedra fortes e janelas estreitas. A única entrada era uma escada estreita que levava ao topo, onde eu vivia em segurança.
Mas a realidade era amarga e cruel.

Sempre seria ameaçada, não importava onde eu estivesse. Não havia um lugar seguro no mundo para mim, pois os monstros estarão sempre à minha volta.

Os monstros eram reais. Eles não eram apenas criaturas de contos de fadas. Eles eram as pessoas que me machucavam, que me faziam sentir medo e insegura.

Eu me perguntava se algum dia poderia ser livre. Se algum dia poderia encontrar um lugar onde eu pudesse ser feliz e segura.

Pouco depois de deixar os responsáveis ​​pelo meu martírio no que acabou por ser o epicentro do inferno, entrei no meu quarto, as lágrimas escorrendo pelo rosto e a fúria queimando em meu peito. Sentei-me na cama, ainda chorando, e olhei ao redor. Meu quarto, que antes era um lugar de paz e tranquilidade, agora era um cenário de desmantelamento. Da última vez em que estive aqui, havia quebrado bastante coisa após a ligação de Caterina, e em meu retorno não foi diferente. Era a única coisa que eu poderia fazer para erradicar um pouco desse sentimento ruim que estava me atormentando. Me levantei e comecei a quebrar tudo o que encontrava pela frente. Arranquei os quadros das paredes, joguei os móveis no chão e quebrei os espelhos. No banheiro, quebrei não só o espelho como também o vidro do box.

Peguei as roupas do closet e comecei a rasgá-las. Rasguei as blusas, as saias, os vestidos, os sapatos joguei longe. Rasguei até mesmo a roupa que estava vestindo, retalhando-a ao meio.

Finalmente, cai de joelhos no chão, exausta e sem força, soltando um grito sofrido que simbolizava meu desespero fundido na dor.

Estava tão cansada, tão frustrada, tão... sozinha.

Foi impossível não rir da minha desgraça.

Sentir-se solitário em meio a uma multidão é, sem dúvidas, uma das sensações mais deprimentes que se pode experimentar.

Perdida em meus pensamentos, o tempo passou sem que eu percebesse. O que pareciam segundos, rapidamente se transformaram em minutos e em seguida, em horas. Encontrava-me caída, como um objeto sem valor, à beira da estrada, incapaz de me mover. Olhando para cima, pude ver um céu estrelado através da sacada. Lágrimas salgadas inundaram meus olhos, embaçando minha visão, mas eu me recusei a deixá-las cair.

Uma perspectiva de desespero para um alívio final brilhou em minha mente:

"Se Deus existe, ele deveria acabar com todo o meu sofrimento..." Eu fechei meus olhos com força para evitar as lágrimas, enquanto me imaginava sendo levada pelo todo-Poderoso para o paraíso ou inferno. Para almas destroçadas, até mesmo o fogo do inferno pode ser melhor do que a vida terrena.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora