Capítulo 1

5.5K 278 86
                                        

O vento incessante rugia lá fora, como se quisesse arrancar as paredes frágeis da pequena floricultura

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

O vento incessante rugia lá fora, como se quisesse arrancar as paredes frágeis da pequena floricultura. A força da chuva batendo nas vidraças fazia-as tremer, ameaçando quebrá-las a qualquer momento. A iluminação da rua, precária em circunstâncias normais, era mínima naquela tempestade avassaladora, apenas alguns postes acesos piscavam fracamente, acentuando a sensação de desamparo e isolamento.

Conforme me afastava da janela, um arrepio percorreu minha espinha e uma onda de medo se instalou em mim. Odiava tempestades violentas. Desde criança, tinha um pavor inexplicável, que me fazia buscar refúgio embaixo das camas do colégio durante as trovoadas. Uma vez, cheguei a ficar escondida por mais de três horas, até que as freiras me encontraram e pensaram que eu havia fugido do instituto.

— Sério, Luiza, tenho vontade de estapear você — advertiu Caterina, uma expressão de preocupação estampada em seu rosto enquanto também observava a fúria da tempestade lá fora. — Neste momento, você deveria estar em casa. Já passou das onze.

— Ei, relaxa! — Aproximei-me dela, acariciando suavemente seu braço com meu polegar, numa tentativa de acalmá-la. — Está tudo bem, assim que essa tormenta diminuir, vou para casa.

— Sim, só que sua mãe vai te matar! Meu Deus! Você sabe que ela não gosta que você ultrapasse os horários. — Bufou, colocando as mãos na cintura, evidenciando sua preocupação. — Eu acabo me sentindo culpada por ela brigar com você, afinal, você ficou aqui para me ajudar.

— Você não tem culpa alguma, Caterina. Nem pense nisso.

— Andrea vai brigar com você, Luiza! — Caterina falou alto, sacudindo as mãos, visivelmente nervosa.

— Qual é o seu problema hoje? Parece ter mais medo de Andrea do que eu mesma, que sou a filha.

— Eu só temo por você. Sou sua amiga e quero que você esteja bem. E ela...

— Eu sei que você é minha amiga, Caterina, e eu agradeço por isso. — Abraçei-a, apertando-a contra mim. — Mas eu não vou deixar que Andrea me intimide. Eu sou uma adulta e posso tomar minhas próprias decisões.

— Mas ela é sua mãe! — protestou. — Ela tem autoridade sobre você.

— Sim, ela tem autoridade sobre mim, mas isso não significa que ela pode me controlar. — Soltei-a e me afastei alguns passos, olhando diretamente em seus olhos. — Eu vou ficar aqui até a chuva parar. — Dei-lhe um sorriso tranquilizador. — Você não deveria se culpar pelas histerias de Andrea.

Era a mais pura verdade. Minha mãe não tinha salvação.

Dona Andrea sempre demonstrou uma postura conservadora em relação a mim. Suas restrições eram sufocantes! E não, não estava sendo rebelde ao descrevê-la como uma pessoa excessivamente preocupada. Eu tinha uma rotina rígida, não podia participar de festas tanto noturnas quanto diurnas. Amigos do sexo oposto? Nem sequer era uma opção. Segundo ela, eu era demasiadamente valiosa para me envolver com qualquer rapaz. Ela se esforçava demasiadamente para me manter afastada do mundo.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora