Capítulo 11

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Antes mesmo de erguer as pálpebras, a emanação de antisséptico ingressou em minhas narinas

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Antes mesmo de erguer as pálpebras, a emanação de antisséptico ingressou em minhas narinas. Fui me acordando, sem abrir os olhos de imediato, entretanto me remexendo e inspirando fundo a cada sensação do meu corpo se despertando.

Abrir os olhos faziam com que minha cabeça parecesse que fosse arrebentar, consequentemente demorei alguns minutos para fazê-lo por completo.

Pelo que pareceu uma eternidade, mirei o teto branco engessado com luzes brancas embutidas no gesso. Pisquei demoradamente buscando me adaptar à claridade artificial do quarto. Bocejei involuntariamente, e ao virar a cabeça de lado, tencionei-me.

O que é isso? Onde estou?

Uma varredura minuciosa pelo local me refletiu aparelhos hospitalares, dois estofados, dois armários pequenos, uma mesa ao lado da cama em que estava e duas portas. Não havia ninguém no ambiente, o que eu não sabia se deveria servir de alívio ou desespero.

O local desconhecido em conjunto com o buraco negro alocado em minha mente dificultava o compreendimento de fatos anteriores a minha atual situação.

Como eu vim parar aqui?

Levantei meu braço esquerdo, que parecia um tijolo, soltando um resmungo ao sentir uma beliscada por acabar dobrando muito a mão. Observei a pele com uma agulha fincada do acesso venoso, coberta em um ponto estratégico por um esparadrapo branco, conectando uma bolsa com líquido transparente pendurada em um suporte ao lado do meu leito.

Droga...

O que significa isso?

Apoiei meus cotovelos no colchão e obriguei meu corpo meio que a resvalar pelo colchão até encostar meu tronco no encosto da cabeceira.

Pressionei as têmporas com a ponta dos dedos ao mesmo tempo em que apertei os olhos forçando meu cérebro a me dar respostas. Nesse meio-tempo, um feixe de sangue, muito sangue, bombardeou minhas vistas, dei um pulo na cama e um grito sofrido saiu do fundo da minha garganta.

Não! Mas o que...

Mais sangue...

Carne queimada...

Viseras distribuídas em um pátio...

Não! Não! Não!

Uma taquicardia, uma sensação de parada, seguida pelo coração disparando
e bombeando em um nível fragoroso, o caroço na garganta me sufocava pelo pescoço, as lacunas de entendimento da atrocidade que aquele homem foi capaz de fazer a vinte e uma pessoas, fizeram-me sentir o estômago revirar dolorosamente, deixando-me enjoada, desacreditada e apavorada.

Vinte e uma pessoas.

Vinte e uma vidas interrompidas sem o mínimo de misericórdia.

A lembrança da última vítima me abriu o chão.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora