ROMANCE DARK
Ela sonhava com a liberdade. Ele era a própria prisão.
Aos vinte anos, Luiza Montti acreditava que finalmente conquistaria a liberdade prometida. Mas o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo sangrento - e ela foi lanç...
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Riccardo soltou uma risada baixa, quase um sussurro, como se eu tivesse acabado de contar uma piada que só ele entendia. O som, suave e carregado de condescendência, ecoou pela sala, reverberando em meus ossos de forma desagradável.
— Mal posso esperar para ver você me surpreender, Luiza, — comentou ele, suas palavras escorrendo de seus lábios como um veneno disfarçado de convite.
Eu senti a repulsa crescer dentro de mim, uma onda de desprezo que se formava como uma tempestade prestes a explodir. A raiva queimava minha garganta, subia quente até o peito, e eu mal consegui conter a necessidade de gritar para que ele sentisse o peso do meu ódio.
— Eu sinto uma aversão profunda por você! — exclamou minha voz, trêmula, mas imbuída de uma raiva que eu não conseguia mais esconder.
Ele apenas sorriu. Um sorriso frio, quase satisfeito, como se minhas palavras fossem um jogo que ele estava vencendo. Seu olhar não era de arrependimento, mas de desafio. Como se ele esperasse exatamente essa reação minha, e estivesse pronto para me empurrar ainda mais fundo na teia de manipulação que ele tão bem sabia tecer.
— Essa aversão profunda será muito bem aproveitada, minha querida, — murmurou ele, a voz baixa e impregnada de ironia, enquanto erguia o copo até os lábios. O líquido deslizou em sua garganta com um movimento lento e calculado, e seus olhos, sempre fixos nos meus, queimavam com uma intensidade que me fazia querer olhar para outro lado, mas não conseguia. Ele estava se divertindo, e isso me incomodava profundamente.
Com um gesto despreocupado, ele se serviu novamente, o néctar escorrendo no copo como uma promessa de provocações ainda mais intensas, mais deliciosas para ele, como se a cada gole ele estivesse se aproximando mais do meu limite.
Eu não sabia se o desprezava mais pela facilidade com que me desestabilizava ou pelo prazer que ele parecia ter em me ver perder o controle.
— O que você pretende fazer comigo? Vai me agredir? Me violentar? — minha voz saiu mais tensa do que eu esperava, cheia de incredulidade e uma ponta de repulsa. Eu queria que ele sentisse a força do meu desprezo, como se minhas palavras pudessem cortá-lo, mas ele parecia alheio, absorto demais em seu próprio jogo.
Ele inclinou a cabeça de lado, como se me estudasse, tentando entender se minha indignação era genuína ou apenas um reflexo de minha impotência. O sorriso nos lábios dele se alargou, mas havia algo mais ali — um prazer escondido, como se ele tivesse acabado de encontrar o maior brinquedo de todos.
— Sua interpretação é, no mínimo, interessante, — respondeu ele, arrastando as palavras, como se quisesse brincar com elas, fazendo-as dançar em seu gosto. — Mas eu prefiro não me servir dos métodos tão brutais. O que realmente me fascina é a batalha de mentes. Ver você se contorcer, tentando lidar com suas próprias emoções, é um entretenimento raro.
O ar parecia mais denso, mais pesado à medida que suas palavras se enraizavam em meu cérebro. Ele queria o controle, mas não pela força. Ele queria me ver perder o equilíbrio, me arrastar para um terreno onde minhas reações seriam a única coisa que ele precisaria manipular.