Capítulo 18

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Acordei mais uma vez na madrugada em sobressalto, o coração disparado e a respiração entrecortada

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Acordei mais uma vez na madrugada em sobressalto, o coração disparado e a respiração entrecortada. Era a terceira vez que eu despertava assim, atormentada pelos acontecimentos do dia que se infiltravam em meus sonhos. A luz fraca do relógio de cabeceira mostrava que ainda faltavam algumas horas para o amanhecer. Tentei acalmar os nervos, bebendo um copo d'água que Nanna havia deixado para mim. A sensação de afogamento, resultado da angústia trazida por Riccardo, ainda ecoava fortemente em minha mente, assim como a lembrança de seus toques e beijos. Passei a mão pelo pescoço, como se pudesse afastar a sensação dos lábios dele em mim.

Olhei para cima, buscando uma distração no padrão complexo do teto do quarto, enquanto tentava engolir o nó que se instalou em minha garganta. O casamento se aproximava rapidamente, e a sensação de iminência vibrava em meu peito. Eu sabia que precisava encontrar uma maneira de controlar meus medos antes que me consumissem por completo. Toda a pressão e expectativas que cercavam o grande dia pesavam como uma âncora em minha mente.

A simples ideia de enlouquecer antes mesmo de dizer "sim" a Riccardo se tornava uma realidade assustadoramente palpável, como uma sombra que pairava sobre mim a cada instante.

Deitei novamente, afastando os pensamentos turbulentos que tentavam me dominar, e fiz mais uma tentativa para conseguir dormir. No entanto, depois de mais uma hora virando de um lado para o outro, desisti. Frustrada, bufando de irritação, levantei da cama e fui até a escrivaninha, onde peguei meu notebook. Retornei para a cama e, sentando com as costas apoiadas na cabeceira, abri o navegador e digitei o nome daquele que tanto me atormentava.

Não sei ao certo o que me impelia a fazer aquilo, mas me peguei relendo as mesmas matérias sobre Riccardo, quase as decorando de tanto que as tinha lido. Finalmente, fui para a seção de imagens, olhando fixamente várias delas até escolher uma específica para ampliar. Com a imagem preenchendo toda a tela do notebook, me vi hipnotizada, relembrando mais uma vez de forma vívida o beijo que ele me submeteu, sua língua se entrelaçando com a minha, e o jeito possessivo com que ele me reivindicava. Os detalhes daquele momento invadiam minha mente, como se estivessem acontecendo novamente diante dos meus olhos.

Fechei os olhos, apertando as pálpebras com tanta força que pude sentir a pressão em meus olhos. Em seguida, fechei o notebook com um baque, decidida a não permitir que nenhuma lembrança daquele desgraçado que está arruinando minha vida se infiltrasse em minha mente. Não, eu me recusava a reviver qualquer lembrança ligada a ele.

Deixei o aparelho de lado com um suspiro de frustração e fechei os olhos, desejando mais do que nunca conseguir dormir. No entanto, os pesadelos insistiam em me acordar repetidamente, tornando impossível encontrar paz. Em um esforço para acalmar minha mente inquieta, virei-me de um lado para o outro na cama, observando a escuridão da noite transformar-se gradualmente em tons de azul e roxo, antes de finalmente testemunhar o nascer do sol. Foi um espetáculo de beleza que eu mal consegui apreciar, pois a angústia ainda pesava em meu coração, mesmo sob a luz suave da manha.

Casada com o InimigoOnde histórias criam vida. Descubra agora