Marlon
Fui sorrateiro na cozinha e acendi a luz ao bater minha mão no interruptor, meus olhos caíram em um prato sobre a bancada, com um filé bem passado ainda morno e arqueio a sobrancelha. O filé já estava fatiado, e as talheres postas. Olhei ao redor, procurando o dono do prato.
— Muito suspeito! _ disse comendo um pedaço de filé. Se tivesse envenenado só ia adiantar o inevitável.
Comecei a comer. Eu tinha certeza que os empregados não iam contra as ordens de Hallie e Ares. Quem teria feito a comida e deixando aqui?
Busquei na memória quem foi a última pessoa a entrar na cozinha, e encarei a comida me lembrando da Hampton.
O filé pareceu virar borracha em minha boca, mas me forcei a comer pela fome.
A barulheira de uma briga começou, a voz de Hallie ecoou pela sala, o som de seus saltos em uma corrida.
— Vem aqui seu miserável!_ ela rugiu e me afastei do prato. _ Ares seu cretino! Eu disse para você enterrar o velho!
— Que isso docinho? Se acalma!_ Ares tentou convencê-la, e recebeu a bolsa dela que vôo e o acertou na cabeça.
— Você me mata de vergonha, Ares! Eu estava fugindo dele e você resolve logo me colocar diante dele, e ainda sugerir o restaurante daquela noite?
Ares começou a rir, Hallie pulou arrancando o sapato, e ele correu para a cozinha, o sapato dela vôo em nossa direção, me acertando nas pernas e praguejei com Ares se escondendo atrás de mim, me usando de barricada.
— PAREM SEUS DOIDOS!_ rugi quando Hallie ergueu o outro sapato, Ares disparou em direção a escada, e Hallie jogou o sapato.
Meu neto esquivou por pouco, e fugiu escada a cima. Hallie bufou batendo o pé.
— VAI SE ARREPENDER POR ISSO SEU TRAIDOR! _ ela gritou apontando o indicador em direção ao segundo andar.
Hallie recolheu seus sapatos, passando em passos duros, quase em uma marchando para a cozinha.
Ela sentou na banqueta, pegando o garfo e comendo meu filé, o espetando com raiva.
— Merda de festa! Nunca vi uma festa que só tem bebida! É tanto beijo na mão que dá nojo! Da para pegar uma doença de forma indireta desse jeito! _ ela praguejou de boca cheia, revoltada enquanto mastigava e abria os braços. _ Até para dançar a musiquinha da sono! Cadê a salsa, o tango, a conga! O caralho da conga que ensaiei a porra da semana inteira! Não dá para lavar a mão porque a torneira do banheiro não tem água! Tive que esperar uma hora para ver como que ligava aquela merda! _Hallie voltou a espetar os pedaços de carne de forma furiosa. _ Próxima vez que me convidarem para uma festa eu vou mandar prós quintos dos infernos!
Quando ela terminou de comer, saiu em passos pesados, com seus sapatos nas mãos.
Me aproximei do prato, o vendo limpo, sem mais nem um pedaço de carne sequer, e minha boca tremeu de ódio.
Ares
Abri a brecha da porta do quarto de hóspedes, vendo Hallie dormindo na cama. Abracei meu travesseiro, entrando pé por pé no cômodo.
— Vai embora!_ ela rosnou e estagnei.
— Hallie docinho, meu princesa, amor da minha vida me deixa dormir com você...
— Vá para o inferno, Ares!
— Não faz assim, minha Afrodite! Deusa do meu Olimpo! _ tentei a bajular e Hallie me olhou por cima do ombro rancorosa.
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Um Gangster em Minha Vida
RomanceHallie ansiava mais de sua própria vida pacata. Em uma determinada noite, enquanto busca por um romance para lhe dar algum tipo de propósito, o encontro fracassado e inusitada a leva de volta para casa revoltada. Já no meio da noite, acaba se metend...
