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Hallie

Duas semanas depois...

    A primeira noite naquela casa foi longa, muito longa. Cada vez que fechava meus olhos eu via aqueles olhos abertos e o sangue escorrendo pelo buraco causado pelo tiro, banhando o rosto e fazendo a poça.

    As vezes eu saia de meus pensamentos,  e meus ouvidos começavam a zumbir cada vez que relembrava o som dos disparos.

  Ares não voltou mais. Talvez ele estivesse ocupado em seus assuntos...

   No segundo dia, foi como o primeiro, assim como o terceiro, o quarto, o sexto, o décimo...

   Ares apareceu no domingo a noite da semana passada. Disse que Emma tinha perguntado por mim. E me perguntei porque Emma nunca saia de casa. Talvez fosse pela sua história com Kalel. Ela deve temer que a família tente alguma coisa... Ou talvez ela simplesmente não tenha vontade de sair, assim como me sinto agora.

  Ares como sempre me fez algumas perguntas. Se eu estava me alimentando bem, se estava me sentindo a vontade, se estava conseguindo dormir...

   Eu dizia sim para todas aquelas perguntas, mas não era verdade. Havia noites que passava em claro, outras que precisava de um remédio para dormir. E também me questionou se eu não tinha comprado o telefone ainda para cumprir com o prometido. Minha resposta foi verdadeira: apenas não tive vontade de sair ainda.

    Até porque não tinha para quem mandar mensagens ou fazer ligações. Eu só estava tentando superar aquele dia no galpão, e mais nada.

    Mas certamente ele sabia da minha situação. Havia alguns homens pelo enorme terreno, espalhados por ai... Eu fingia que eles não estavam ali, mas era um pouco difícil quando um homem engravatado em um terno preto e armado, estava em plena e ensolarado tarde andando pelo jardim, e acenando para você. 

— Prince! Vem Prince! O que há? _ perguntei abaixada no chão da sala, acenando para ela.

   Mas Prince apenas chiou quietinha. Tinha algo de errado com ela. Ela só ficava deitada, mal comia... Eu deveria a levar para um veterinário. O faria, se Ares tivesse me devolvido meu dinheiro para poder ao menos cuidar de meu próprio cão.

   Me levantei, indo para meu quarto, ou melhor o antigo quarto de Ares... calcei meus sapatos e joguei uma bolsa em ombro. Peguei Prince na sala, e caminhei para fora.

Um dos seguranças veio em minha direção e cobri meus olhos do sol da tarde.

— Eu quero sair!_ anunciei firme e ele concordou apontando para os outros.

— Espere aqui senhorita! _ ele pediu, se apressando e momentos depois um carro preto sedã luxuoso saiu da garagem e estacionou. O mesmo segurança abriu a porta para mim e entrei com Prince. Ele sentou ao lado do motorista. _ Para onde senhorita Hallie?

    Ainda era estranho o jeito formal e super respeitoso qual eles me tratavam. Eu não era a patroa deles, apenas uma moradora de favor temporária naquela mansão.

— Eu quero comprar um telefone._ comentei e ele acenou encarando o motorista que acelerou devagar.

   Pegando um pouco de vento e sol com a janela do carro aberta, me senti um pouco melhor do que nos últimos dias isolada naquela casa. E apesar de ter empregados para tudo, eu simplesmente havia os dispensado. Mas os únicos que não o fiz, foram os brutamontes vestidos de preto andando pelo jardim. Até porque eles não iam embora... Foi isso que Ares me alertou quando ficou sabendo.

— Pode estacionar aqui. _ comentei tranquila e eles obedeceram. O segurança abriu a porta para mim, e desci e o encarei cética quando ele retirou um cartão do bolso e me estendeu.

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora