~ 97~

4.5K 272 17
                                        


Megan 

Acendi o cigarro, vendo a fumaça subir espiralada, e a ponta crepitar quando traguei fundo e soltei o ar pelo nariz. Abaixei o objeto, dando petelecos na ponta e deixando as faíscas caírem quando Maxuel se aproximou. Me escorei na lataria do carro, olhando para a rua deserta no meio da madrugada, no ponto de encontro de sempre.

— É melhor dizer rápido o que quer, antes que comecem a especular meu sumiço. — resmunguei baixo, sem olhar diretamente para seu rosto. Seu olhar sempre me deixava desconfortável.

Maxuel estendeu a mão, pedindo pelo cigarro, e o entreguei, tirando do bolso de meu sobretudo o isqueiro quando ele levou o rolete para entre os lábios, e acendi.

— O que mais pode me dar sobre a vádia de Ares?

— A garota viajou a negócios com Marlon.

— Isso eu já sei! — ele soprou como se estivesse sem paciência, sua voz saindo arrastada, e o olhei de soslaio baixo a cima. — O Hampton pagará muito dinheiro pela cabeça dela. Mas vou precisar dar um jeito no velho para conseguir.

— Não vai ser difícil se livrar dele. Só será necessário um pouco de paciência.

Maxuel me olhou de esguelha, esperando pelo restante da informação, e me remexi, trocando o peso do corpo sobre as pernas, e o olhei de soslaio também, sentindo meus olhos lacrimejarem.

A quem queria enganar? Era meu pai. E porra! Por mais que quisesse não sentir nada sobre, era difícil de acreditar que ele realmente havia morrido. Maxuel tombou a cabeça, vendo a emoção em meus olhos e desviei.

— Ele está morrendo. Câncer. Estágio terminal. Uma merda! — As palavras saíram arrastadas de minha boca, meio falhas junto do nó que se formou e se instalou ali.

Maxuel soltou uma risada nasal, olhando ao redor incrédulo como se tivesse ganhado na loteria.

— E ele fugiu com a garota.

— Parece que ela está fazendo alguns investimentos. Marlon deve estar a ajudando com isso.

Maxuel balançou a cabeça em negativa, jogando o cigarro no chão e esfregando a sola do sapato sobre ele. Desdém puro e obscuro brilhou em seus olhos. Eu me perguntei se ele realmente não sentia nada. Se era tão psicótico ao ponto de ser completamente indiferente. Mas nosso pai de alguma forma sabia que Maxuel era diferente. Só queria que ele tivesse arrancado o mal pela raiz no dia que Maxuel mostrou quem era. Os animais fazem isso com sua própria cria defeituosa. Por que ele não podia ter feito isso também?

— Está a protegendo. O velho sabe das coisas. Sabe o perigo que ela é nas mãos erradas. Desestabilizaria Ares de muitas formas.

— Vai tentar tomar a máfia dele quando o velho morrer?

— Meus negócios não são da sua conta, Megan, mas lhe darei o beneficio de saber. Os Hamptons estão crescendo. Maison fez negócios importantes, ganhou mais território. Ares já perdeu essa guerra. — ele soprou, confiante e balancei a cabeça em positiva, concordando com ele de forma indiferente.

Afinal, não era sobre isso que concordava. Maison Hampton foi peixe pequeno, e o que realmente poderia arruinar todos nós tinha sido entregue de bandeja por Marlon nas mãos dos Maranzano. Que aquela garota não fizesse nada estúpido ou todos nós pagaríamos por isso. Era preferível que as coisas tivessem se desenrolado aqui, longe dos olhos Maranzano. E agora uma bomba estava prestes a estourar em nossas mãos.

— Não tenho notícias da garota Hampton que Kalel se casou. Ele sumiu com ela. Foi esperto de a tirar de perto da casa.

— Alguma pista para onde tenham ido?

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora