Hallie
Enfiei o canivete dentro do decote. Tinha certeza que o usaria hoje. Era só questão de oportunidade.
As portas do quarto se abriram por duas empregadas, e A figura velha e enrugada de Arturo atravessou o quarto me olhando baixo a cima.
— Você está linda!
Abaixei minha cabeça, me escondendo de meu próprio reflexo no espelho. Apertei com força meus olhos, sentindo minha cabeça latejar junto de cada batida de meu coração. Nunca pensei que um vestido de noiva me machucaria tanto. Eu lutei tanto para segurar o choro e não desabar no chão. Tentei tanto seguir cada ensinamento que aquele velho carrancudo me ensinou, mas cada um de meus poros exala meu eu quebrado.
Segurei meu braço esquerdo, como se pudesse manter meus cacos no lugar.
— Não gostou do vestido? — Arturo se aproximou, sentado sob sua cadeira de rodas, usando a bengala para me obrigar a levantar o queixo e me olhar novamente no espelho. — Você sabe o significado de sacrifício, afinal.
Desviei meu rosto para o lado contrário. Eu odiava esse homem. Odiava com cada célula de meu corpo.
— Você vai os deixar em paz? — soprei e Arturo me encarou através do espelho — jure que os vai deixar em paz! Jure! — grunhi entre os dentes voltando a o olhar de forma feroz nos olhos — Jure! Eu fiz tudo que você pediu! Então jure se tiver palavra!
— Sabe o que eu acho que Marlon viu em você?
— Não toque no nome dele! — me afastei do espelho, como se aquela imagem pudesse saltar dali e me matar. Parei diante da janela, me sentindo um pássaro enjaulado e fechei meus olhos, apenas desejando que um pensamento pudesse alcançar meu lar, onde braços fortes e um abraço reconfortante me fariam sentir verdadeiramente protegida. Meus olhos nublaram, meus lábios tremeram junto de meu queixo. Se eu chorar, Marlon me xingaria de onde estivesse?
— Ninguém tinha melhor sentido para escolher pessoas do que ele.
— Marlon não me escolheu! Eu não o dei escolha para isso! — grunhi, mais uma vez me movendo pelo quarto. As paredes pareciam que iam me engolir.
— Você é boa demais para os Crawford!
— Não me atormente mais! — urrei passando as mãos pela cômoda. Lançando tudo que estava sobre ela para longe. — O pior erro de Marlon foi ter me trazido até os Maranzano. Ele não sabia o que deveria estar realmente fazendo.
— Ele sabia! — Arturo disse firme, erguendo o queixo e estagnei — Sabia perfeitamente! — satisfeita em ouvir a verdade? Ele vendeu você para proteger o que ele amava. Talvez para proteger você também de inimigos. Mas infelizmente não pode proteger você de si mesma. — ele soprou, usando a bengala para afastar um caco do frasco de perfume. — Custe o que custar! — Neguei atônita, olhos arregalados cada vez maiores. A incredulidade tomou conta do meu corpo quando Arturo apoiou os braços na bengala, e inclinou o corpo para frente. — E seu sacrifício de aceitar ser uma Maranzano e deixar tudo para atrás, deu aos Crawford um motivo a mais para serem o que Marlon queria que eles fossem. Emma Hampton está viva, a criança já nasceu, e Kalel Crawford pode enfim respirar. Ares... Posso entender sua revolta.
— E você entende a minha?
— Gostaria de dizer que não apenas para a escutar. Mas nosso tempo é curto e sei que me odeia. É esperta o bastante para fazer seus sacrifícios pelo bem de quem ama, mesmo que ele não a ame tanto assim, não é?
Meu peito subia e descia pesadamente. Quero voar contra aquele velho e o estrangular com minhas próprias mãos, mesmo que isso significasse minha execução imediata. Não podia. Não podia correr o risco. Isso não era apenas sobre mim.
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Um Gangster em Minha Vida
RomansHallie ansiava mais de sua própria vida pacata. Em uma determinada noite, enquanto busca por um romance para lhe dar algum tipo de propósito, o encontro fracassado e inusitada a leva de volta para casa revoltada. Já no meio da noite, acaba se metend...
