Hallie
Bocejei, atravessando o aeroporto completamente renovada. Horas de voo, e eu sequer tive a experiência de olhar pela janela. Parabéns, Hallie! Sua primeira viagem foi marcada por um coma.
E para quem tinha saído da cadeira de rodas a pouco tempo, Marlon estava andando como uma criança que mal aprendera a andar. Malditos passinhos rápidos e curtos.
Tirei o telefone do bolso, desligando o modo avião, e uma enxurrada de mensagens e ligações começaram a chegar. Meus pés afundaram no chão, enquanto eu vasculhava a tela do aparelho de forma afoita.
— O que você está fazendo? Vamos logo! _ Marlon exigiu, e resmunguei baixinho, devolvendo o telefone ao bolso.
— Eu nunca soube que ser empreendedora dava tanto trabalho!
— Pode ficar pior!
***
Bati os dedos de forma inquieta sobre os meus joelhos. Marlon tinha o olhar de uma criatura sobrenatural a querer devorar minha alma. A saliva de minha boca desceu seca.
— Você gastou minha herança em quê?
O banqueiro olhou dele para mim de forma tensa. Se levantando da cadeira e acenando estar de saída por um momento. Eu quis implorar para ele ficar, mas o homem já tinha chegado a porta.
— Foi emprestado! Vou devolver. _ sussurrei, e Marlon bateu a mão na mesa que me fez encolher na cadeira.
— Você teria que fazer seu negócio render de forma astronômica para me pagar! Nem que rendesse durante toda sua vida, vai conseguir pagar o que gastou!
— Bom, eu ia te convidar para ser sócio, mas...
— Você perdeu o juízo? _ ele rugiu e fechei meus olhos, mordendo internamente os lábios. _ Você me deixou um terço menos rico!
— Não exagere! Achei que tinha me dado o dinheiro.
— Eu não dei! Era só um fundo de garantia! _ Marlon se levantou da cadeira do escritório cinza do banqueiro. _ Vamos embora!
— E a conta? Nós viemos até aqui para isso, não é?
— Vamos embora! _ ele grunhiu entre os dentes.
Apenas me dei o trabalho de me levantar e sair, exatamente como um cão com o rabo entre as pernas. Que direito tinha de gritar com Marlon e tentar me defender? Tinha realmente gastado seu dinheiro como se não houvesse amanhã, e agora estava o devendo mais do que podia pagar. E se meus negócios dessem errado, eu poderia trabalhar uma vida inteira, e ainda não seria o suficiente para pagar metade do que gastei.
— Vou vender você para os Hamptons! _ Marlon resmungou logo atrás de mim.
— Você não seria tão baixo!
— Não sou seu agiota! Achou que eu apoiaria essa sua estupidez? Por que não pediu dinheiro a Ares?
— Queria fazer algo por conta própria! _ resmunguei, entrando no elevador. Quando as portas se fecharam, estando apenas nos dois lá dentro, complementei: _ Eu entendi finalmente o que é a maquiagem.
— Pelo jeito, entendeu de um jeito errado!
— Isso financia nossos armamentos._ sussurrei quase inaudível. _ Então pensei... Que queria fazer minha parte.
— Gastando meu dinheiro? _ retrucou com uma careta terrível. _ Não quero falar com você! Achei que era diferente! Me enganei! É estúpida!
As portas se abriram, Marlon saiu imponente do elevador, e eu fiquei paralisada no mesmo lugar. Eu esperaria isso de Marlon, mas não dessa forma. Não como estava me sentindo agora. Bom, tinha sido estúpida mesmo. Não podia o culpar.
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Um Gangster em Minha Vida
RomanceHallie ansiava mais de sua própria vida pacata. Em uma determinada noite, enquanto busca por um romance para lhe dar algum tipo de propósito, o encontro fracassado e inusitada a leva de volta para casa revoltada. Já no meio da noite, acaba se metend...
