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Ares
Meu peito subia e descia pesadamente, o pânico corria em minhas veias de forma congelante. Eu não conseguia me mover. Estava paralisado no lugar, sem conseguir desviar os olhos.

— Ares... — um passo em minha direção, coberta em sangue, machucada, com parte do rosto cheio de hematomas. — Ares! — a voz grossa e ríspida me fez despertar daquele pesadelo horrível.

— Não é o suficiente! Ainda não é o suficiente! —  Esfreguei o rosto, notando que tinha adormecido na poltrona do quarto. Panter saltou de meu colo, assustado com meu movimento abrupto. Encarei Kalel, me olhando com uma mistura de tristeza e ansiedade.

— Você está pálido. Parece que foi um pesadelo horrível...

— Como você... Ah...— desisti, deixando meu corpo tombar para frente, exausto mesmo que tivesse cochilando ali. Se é que foi um cochilo, e não horas que se passaram já que meu pescoço tinha ganhado um torcicolo. — Eu não quero relembrar isso.

— Eu entendo. Você dormiu a tarde toda. Achei que era hora de te acordar. Todos nós achamos na verdade. — as feições de Kalel se apertaram em uma espécie de sofrimento que revirou meu estômago.

— O que aconteceu?— minha voz saiu áspera e arrastada. Minha garganta tão seca quanto um deserto.

— Eles mandaram a urna do vovô.

    Um longo suspiro escapou. Evitar pensar nisso tinha mantido uma parte de mim protegida da dor do luto.

— Eu não quero olhar para ela. Façam o que quiserem com as cinzas dele.

— Eu pensei em colocar na sala particular dele. Junto da vitrola, discos, e todas quinquilharias que ele adorava.

— Faça isso! — Soprei, severo. Sem saber como lidar com tudo ao mesmo tempo. Tinha que pensar em como trazer Hallie de volta, e por mais que a dor de perder meu avô rasgasse meu peito, já não podia fazer nada a respeito. Hallie ainda era minha prioridade, e sempre seria.

— Você vai me contar como quer matar os Maranzano? Ou terei que adivinhar ? Você não fala nada sobre isso, e sinceramente estamos caminhando com os olhos vendados para a morte. — Kalel resmungou, indo para a janela e olhando para o início da noite com vista para o jardim.

— Um passo em falso e eu mato a Hallie. Um passo em falso e eu mato todos nós. — Soprei, e Kalel me olhou por cima do ombro de forma cética. Talvez ele soubesse do peso das escolhas que caíram nas minhas mãos. — A única escolha que tenho enxergado, é ir atrás dela com o máximo de homens armados que eu conseguir.

— Eles matariam ela. Arriscado demais! — meu irmão negou. — É dos Maranzano que estamos falando. Nunca venceremos assim. Eles estão quietos demais. Talvez estejam esperando que façamos algo.

— Eu deveria fazer algo. — minha voz saiu arrastada, e encarei Kalel no fundo dos olhos com algo em mente. — Mas não vou.

— Você vai...

— Jamais!— presumi rápido a preocupação que ofuscou qualquer brilho em seu rosto. — Jamais desistiria dela ou a deixaria lá. Mas se eu não fizer nada, talvez eu possa ganhar algum tempo. Acharemos uma brecha com mais calma. Calculariamos cada passo a dar. E nenhum de nós estaria correndo risco eminente. E isso dá tempo para Emma terminar a gestação sem tantas coisas acontecendo ao redor dela.

— Não é uma má ideia. Mas não sei se Hallie será paciente.

— Ela terá de ser. Só espero que ela não perca as esperanças em mim.

— Hallie? Perder as esperanças em você? Ela acreditou em você desde que se conheceram. Tenha fé na sua esposa.

    Concordei, pensando melhor em como ela deveria estar se sentindo. Pensando no que elas estavam fazendo com ela. E eu torci para que não fosse tortura. Que aquele pesadelo onde eu a vi coberta em sangue e machucada nunca se tornasse verdade.

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora