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   Empurrei a porta com as pontas dos dedos, a deixando ranger enquanto se escancarava até bater contra a parede. Entrei no quarto, um passo a frente do outro, olhando para Arturo na cama com frieza. Os olhos do velho me seguiram raivosos.

   Seu rosto estava pálido. Seus olhos avermelhados. Seus seguranças estavam mortos no chão, e Morgana tinha caído em um canto com sangue minando de sua testa onde agora havia um buraco. Voltei a olhar para Arturo de relance, sentindo a presença de Ares na porta, segurando a pistola e olhando mortalmente para o velho. Kalel estava logo atrás.

— Eu sonhei com esse momento dia após dia, cada vez que eu ouvia sua voz, ou olhava para o seu rosto. — soprei venenosa. — E eu jurei, que um dia mataria você pelo que fez comigo. Marlon tentou me proteger, está certo. Mas você se aproveitou disso. — grunhi baixinho, e a boca de Arturo contraiu.

Meus olhos foram para a lareira acesa no quarto e voltei a encarar o velho Maranzano. Segui para lá, alcançando a haste de ferro ali e a guiando para o fogo, a assistindo se aquecer até que estivesse brilhando em vermelhidão.

— E você, vai ficar apenas olhando para mim? — Arturo soprou meio sem voz para Ares. Meu marido apenas piscou com o rosto sombrio. 

— Vou assistir você morrer da pior forma possível.

— Envenenado? — Arturo rebateu com nojo.

— Vendo seu castelo de gelo desmoronar. Sua família inalcançável ruir. E você morrer agonizando. Seu erro, Maranzano, foi achar que todo seu poder, te fazia imortal. — Ares soprou, erguendo o queixo orgulhoso e frio.

    Arranquei a haste de ferro do fogo, com o calor da mesma dançando pelo quarto em um rastro pequeno de fumaça deixada. Os olhos de Arturo se arregalaram quando parei a seu frente, lancei um olhar para Kalel que veio em meu auxílio, passando por nós, e rasgou a camisa do velho ao meio com um puxão, subindo seus olhos para mim em expectativa.

— Vou tomar o que era seu! — Soprei quase destilando veneno e nojo para o velho — Vou gastar cada maldito tostão dos filhas da puta Maranzano. Vou arruinar seu império de merda, Capo di Capo. E quando perguntarem, direi que problema seu por ter me dando seu sobrenome, um lugar na sua mesa ou sob seu teto. — afundei a haste em seu peito com vontade, vontade demais para chamar de normal, pressionando até que a carne começasse a se desfazer sobre a marca.

    Os gritos do velho eram música para meus ouvidos, e trinquei os dentes sem o permitir se mover um centímetro sequer. O cheiro que subiu no ar me deixou enjoada, pronta para vomitar. Mas eu queria ver. Queria o assistir se agonizar, sentir o que eu senti naquele dia. Humilhada. Impotente....

E quando eu achei que era o bastante, quando a dor dele passou a ser tão insuportável que começava a perder a consciência, me afastei, jogando o marcador aos pés da lareira.

O velho se contorcia na cama como uma minhoca no asfalto quente. Agonizando de dor, e sufocando pelo veneno.

Eu olhei para trás, para onde Ares ainda permanecia imóvel. Estendi a mão, pedindo pela pistola e Ares a deixou em minha palma com convicção.

— Deixei você me quebrar para me ver sangrar. — soprei apertando com força o cabo da pistola. E quando ele abriu os olhos, apontei , mirando direto em sua cabeça. — Quando perguntarem, direi que foram Crawfords que fizeram isso! — soprei, apertando o gatilho sem receio ou culpa.  O barulho do disparo chicoteou por todo cômodo até que silêncio caíssem por completo. Abaixei a arma devagar, olhando para o buraco na cabeça do velho. Me sentei aos pés de Arturo, olhando para ele de forma fria, o assistindo sangrar até que o travesseiro estivesse ensopado. — Ares... —soprei, voltando meus olhos para ele, e esticando a pistola para a devolver.

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora