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Ethan

No espelho do quarto Cecilia se admirava em seu arsenal. A lingerie branca de renda estava coberta por um fino roupão de ceda. Seus cabelos loiros ondulados pelo babyliss caiam em suas costas de forma delicada. E olhando para ela, enquanto ela me fazia esperar sentado na cama, minha cabeça martelava sobre a decisão que eu precisava tomar.

Ela se virou para mim, o roupão aberto, um sorriso malandro e sedutor.

Suas mãos tocaram meu rosto, alisando a base de minha mandíbula, e escorrendo para meus ombros nus. E vendo aquele brilho nos olhos, a ansiedade contida ali para o evento que acredito que a boa parte das mulheres desse mundo anseiam vivenciar um dia, eu sabia que não podia a envolver naquela loucura que eu tinha me metido. Ela nunca aceitaria.

- Cecilia... - soprei, um tanto frio, o estomago embrulhado e as mãos frias. Segurei seu quadril, a afastando um pouco para que eu pudesse respirar. - Vamos terminar.

Aquela confissão ecoou pelo silencio absoluto que ficou o apartamento. Ela ficou imóvel, completamente paralisada. Talvez a cabeça ainda estivesse tentando dissolver a notícia. Aquilo pesou sobre mim. E eu me odiei por ter que fazer isso com ela quase as vésperas de nosso casamento que estava marcado para o mês seguinte.

Quando levantei meus olhos envergonhados e sofridos, o que encontrei em sua face cheia de espanto e magoa, foram seus olhos cheios de lagrimas e os lábios tremendo. Ela sabia que eu estava falando sério. Nunca brinquei com seus sentimentos. E pelo jeito que ela balançou a cabeça em negativa, dizendo sem sair som algum: por que? - eu sabia que tinha realmente partido seu coração.

Eu não podia dizer que sentia muito. Nenhum homem que realmente amasse sua noiva diria que sentia muito ao dizer que eles deviam terminar. E sem fazer escândalos, ela foi rápida a se vestir, e recolher suas coisas do meu apartamento. Parando a porta do quarto com os braços cheios de suas roupas emboladas, e lagrimas correndo por seus olhos.

- Eu devia ter agradecido Hallie por ter tentado abrir meus olhos sobre você.

Aquilo me foi um soco no estomago que me deixou zonzo. Cobri meu rosto com uma mão, odiado ouvir o nome de Hallie num momento como aquele. O nome de outra pessoa que eu tinha magoado de verdade um dia.

- Eu te odeio, Ethan! - Cecilia soprou, a voz embargada. - Não espere, não de mim, que eu vá me rastejar por você. Jamais espere que eu me humilhante tanto por um homem baixo como você!

E ela saiu, batendo a porta do apartamento, indicando sua saída abrupta e dolorosa de minha vida. Eu amava demais, a ponto de nunca a colocar em perigo devido a confusão que tinha me metido. Quanto a minha mãe e meus irmãos, se Hallie voltasse, eu a faria prometer que ela nunca deixaria que alguma coisa acontecesse a eles.

Giovanni

Sentei na poltrona, afundando meu corpo no estofado e olhando para a lareira acesa.

- O que você descobriu? - Vovô resmungou e suspirei pesadamente.

- Eu não sei dizer quando ela está dizendo a verdade. As coisas que ela contam não parecem bater.

- Ela foi ensinada pelo Marlon. Não subestime a garota.

- Quem realmente foi Marlon Crawford, vovô?

- Houve uma época em que Crawfords e Maranzanos eram grandes aliados. Eu era um pouco mais velho que Marlon. Um inimigo se levantou contra nós, e pedimos um favor um tanto caro. Os Crawford cumpriram sua parte, e ficamos devendo a eles por muitos anos.

- E quem eles tiveram que matar para terem um favor tão honroso com a família?

Um suspiro cansado escapou de meu avô, ele deixou as costas pousarem em sua cadeira de rodas, esfregando os dedos como se tivesse encontrado poeira neles.

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora