O céu estava cinzento, o dia que tinha começado com um sol cálido agora começava a se tornar nublado. Chuva parecia que começaria a cair a qualquer instante, e Marlon não parecia que se incomodava com isso.
As lápides enfileiradas estavam limpas, e não pareciam abandonadas como a maioria ali. Marlon passou as mãos por cima das flores que começavam a murchar. Ele apontou para elas e encarei seu rosto abatido.
— Kalel sempre vinha. Mesmo quando eu dizia que não queria acompanhá-lo. Rita o acompanhava ou um dos empregados. Ares era um menino responsável com o irmão mais novo, então sempre o fazia companhia também. Mesmo que preferisse ficar longe dos túmulos. _ ele apontou para um salgueiro cuja as galhas farfalhavam com o vento.
O silêncio caiu por um longo momento, diante de mim estava o túmulo da mãe de Ares. Minha sogra... Sua pequena foto pequena estampada fez meu peito apertar. Ela era linda, e com um sorriso radiante. E eu podia jurar que ela era uma versão feminina de meu marido. Já meu sogro, era uma cópia um pouco mais velha de Kalel, mais sorridente com certeza. Meus olhos foram para a terceira e mais recente lápide. Marlon estava diante dela em um silêncio fúnebre. Sua mão trêmula tocou a lápide, afagando o granito frio e cinza.
— Me dê um minuto, Hallie. Pode me esperar no carro se quiser. _ Aquilo era um pedido para deixá-lo a sós. Acenei em positiva, tocando seu ombro e me afastando devagar. _ Oi querida... Me desculpe! Desculpe esse velho ranzinza e tolo. Eu não consegui vir antes...
Seu sussurro me fez abaixar a cabeça e fingir que não queria ficar para ouvir o que aquele velho teimoso tinha a dizer para o amor de sua vida, ou a seu filho e sua nora. Mas me forcei a continuar andando entre os túmulos até chegar ao carro. Me encostei, sentindo meu telefone vibrar mais uma vez. Ares não desistia. E era melhor atendê-lo antes que mandasse toda a máfia atrás de mim.
— Achei que dormiria até o jantar.
— Hallie. _ sua voz foi um pouco áspera, certamente por preocupação.
— Ah, vamos lá, Ares! Estou com o vovô. Que mal poderia me ocorrer quando estou com a velha guarda?
— A última vez que tentou me convencer disso, você foi parar no hospital com o corte horrível na mão.
— Isso foi antes. _ soprei, sentindo o peso da pistola guardada no interior de meu sobretudo. Um esticar de mão, e eu estaria pronta. _ Marlon é um homem respeitado.
— Eu gostaria de saber porque há duas passagens para o exterior. Uma para você e outra para ele... _ O tom de Ares não foi nada agradável.
— Sua família está lhe dando nos nervos? _ perguntei com bom humor, cruzando meus tornozelos e relaxando contra o carro. _ Ah é uma pena, já que amanheci me sentindo nas nuvens...
— Otto comeu nossa torta! Estou pensando em o degolar!
— Por que não chuta todos eles para fora de uma vez? _ Silêncio. Podia ver em minha mente Ares massageando a testa, e pensando " não é tão fácil quanto parece" _ E quanto as passagens, estou tão surpresa quanto você. O velhote não perdeu tempo ao planejar uma fuga e deixar todo mundo para atrás.
— Isso que me preocupa. Esse velho não faz nada por acaso. E levar você junto... Foi a prova disso!
— Talvez ele só queira viajar.
— Meu avô? Viajar? Eu acreditaria nisso se ele tivesse sofrido uma amnésia qua do acordou do coma! Mas o velho é o velho! Não o conhece como eu, Hallie! Então volte para casa e eu vou resolver isso!
— Ares, quando foi a última vez que ele veio ao cemitério?_ perguntei em um sussurro, e um longo silêncio se fez através da ligação.
— Acho que ele nunca colocou os pés aí depois do enterro de meus pais. _ Ares soprou rouco, como se tivesse sido abatido pela tristeza. _ Eu tinha me esquecido... É hoje então.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Gangster em Minha Vida
RomansHallie ansiava mais de sua própria vida pacata. Em uma determinada noite, enquanto busca por um romance para lhe dar algum tipo de propósito, o encontro fracassado e inusitada a leva de volta para casa revoltada. Já no meio da noite, acaba se metend...
