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Kalel

   O som dos sapatos de salto de Hallie ecoaram por todo galpão. E tirei meus olhos dos desertores amarrados, para a olhar de esguelha. Minha cunhada parou ao meu lado, mantendo seu semblante indiferente e sério.

  Hallie tinha mudado. Talvez fosse por seu ânimo arruinado por Cecília Hudson essa noite que a fez parecer tão agressiva e pronta para descontar suas frustrações.

  Tirei minha pistola do cós, mantendo minhas mãos juntas e apontei com o queixo para os dois.

— Desertores. Estavam vendendo informações suas para o inimigo.

  Hallie os olhos de esguelha, baixo a cima, e seu olhar se incendiou de raiva.

— É mesmo?_ Ela arqueou a sobrancelha.

— Eu diria que Ares mandaria os cortar a língua, as orelhas e arrancar os olhos por isso...

— O chão parece tão limpo hoje. _ Hallie me olhou cética, esticando a mão, e pedindo a pistola.

   Apertei suavemente os olhos, deixando claro que eu faria isso. Lembro bem da bagunça que ela fez no chão daquela vez. E não queria ter que explicar a Ares caso ela desmaie de novo. Hallie estendeu a mão de novo.

— Eu quero dar um tiro para cima hoje. _ Ela murmurou. Estávamos distante o bastante dos desertores para que eles não nos ouvissem.

   Coloquei minha pistola em suas mãos, e ela a pegou, olhando para a arma com atenção. Ela ergueu seus olhos para meu rosto, e os desviou para os desertores. Hallie caminhou em direção a eles. Um dos subordinados tirou o telefone do bolso, certamente pronto para filmar tudo para Ares. Bom, era só um tiro para cima. Hallie parou diante do homem, o olhando como um demônio, e arregalei os olhos quando vi a pancada seca dada com a base da pistola direto no maxilar de um dos desertores. Ele caiu com o impacto, choramingando. A ponta do solta de Hallie roçou no queixo do mesmo como se ela estivesse limpando os pés. E apontou para o outro que tremeu com a arma.

O som do disparo veio junto de um grito agudo de dor. Ela disparou direto na coxa dele, sua mão tremendo suavemente.

— Vocês me acharam em um péssimo dia. _ Ela soprou, apontando para o que estava debaixo de seu pé. Atirando na perna dele que também soltou um grito. _ Para quem iam entregar informações minhas? _ ela abaixou a arma, e estendeu para um dos subordinados que segurou a pistola.

   Hallie tirou de dentro do decote o canivete suíço, e o abriu com convicção, o apertando com força. Vi o telefone que a gravava ser abaixado, quando Hallie roçou a ponta no rosto de um deles, causando um corte agonizante enquanto levava a lâmina em direção aos olhos.

— Eu conto! Eu conto!

— Ah você vai contar sim! _ ela soprou, e tirou a lâmina se abaixando para o encarar dentro dos olhos, mas sua mão apontou para a orelha do que estava abaixo de seu pé. _ E é melhor ser rápido, porque o que ele perder por sua enrolação, eu vou tirar de você também.

  Os dois se olharam exasperados e cobri a boca, minhas sobrancelhas apertadas. Com quem Hallie aprendeu isso? Eu não fui! Ares tem medo de traumatiza-la de novo. Então só pode ter sido uma pessoa...

Marlon

   Ronquei, me engasgando e acordei com meu pescoço dolorido. Pisquei algumas vezes, até encontrar Ares sentado no sofá, com um semblante severo e obscuro. Seja o que for, ele estava de mal humor. Mas não soltou uma única palavra para falar comigo.

  Ele conferiu as horas no relógio, e voltou a sua postura, com seus braços esparramados sobre o encosto. Olhei em direção a porta quando a mesma foi aberta por um dos seguranças e Hallie atravessou, limpando um canivete suíço em um pano branco manchado de sangue. Suas mãos estavam sujas de sangue e Ares a olhou baixo a cima a procura de qualquer ferimento.

Um Gangster em Minha Vida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora