Ares
Quando Alyce nasceu, eu vi Kalel chorar. Acho que a última vez que o vi o fazer, nós éramos meninos.
Ele não pôde pegar a filha nos braços, apenas pôde olhar para ela através da incubadora. Lá estava ela, com uma sonda, quietinha, a pele tão fina e delicada, pesando um pouco mais de 2 quilos, e com 40,7 centímetros. A garotinha dele tinha nascido prematuramente com 31 semanas. E aquelas primeiras horas seriam primordiais para ela e para nós. E naquelas primeiras horas, eu sabia que Kalel ficaria vigiando cada movimento dela já que alguns órgãos ainda não tinham amadurecido completamente, e tinha alguma chance dela não suportar o mundo aqui fora. E eu podia ver o medo de Kalel estampado em seu rosto.
Minha mão posou em seu ombro, trazendo sua atenção para mim, para minha surpresa, ele me abraçou. Me abraçou com força, inquieto, e eufórico. Eu o abracei de volta, o dando tapas firmes nas costas, o ouvindo fungar.
— Ela vai ficar bem! É uma Crawford! Crawfords são teimosos por natureza. Agora vá ficar com Emma, e eu ficarei aqui cuidando de Alyce.
Ele concordou. Indo para o apartamento hospitalar onde Emma estava descansando após um parto de urgência.
E quando olhei para Alyce dentro da incubadora, eu sabia que aquilo era culpa minha. Se eu tivesse interferido nos planos de Marlon, ele estaria vivo, Hallie estaria aqui, e Emma não teria se sobrecarregado com tudo que estava acontecendo.
Hallie estaria eufórica e vigilante se estivesse aqui. Eu podia imaginar seus olhos arregalados a contar cada respiração que a recém nascida tivesse.
Suas mãozinhas se mexeram, e a vigiei por um momento cheio de tensão. Não conseguia imaginar a pegar nos braços, sua pele parecia tão frágil que o mínimo toque parecia a ferir. Apostei que ela ia ficar bem. Tínhamos o melhor tratamento hospitalar, os melhores médicos, os melhores equipamentos. Nem todo mundo tinha a mesma sorte. Mas eu estava grato por termos. Uma enfermeira se aproximou da incubadora, verificando Alyce e sorrindo e conversando com ela, se virou para mim e acenou que tudo estava bem por hora.
Uma respiração aliviada me escapou.
Ia ficar tudo bem.
Para minha surpresa, tia Megan apareceu ofegante, parecendo ter corrido até aqui. Ela olhou de mim para Alyce e engoliu em seco, alisando os cabelos, os colocando no lugar, e tomando um segundo para recuperar a compostura.
— Eu tenho uma ideia.
— Agora não! — anunciei ríspido, e ela se calou, me olhando de esguelha antes de voltar a olhar para a bebê.
— Lembro quando você nasceu. Marlon estava babando em cima de você. Segurando um menino que fez a própria mãe sofrer bastante para o parir saudável enorme e pescadinho. Eu disse a mim mesma que quando ficasse grávida que o deixaria passando fome para que não me rasgasse da forma que você fez com sua mãe.
— Talvez seja por isso que Hector é tão raquítico. — debochei, e tia Megan riu rouca.
— Apesar disso. Eu fiquei completamente abismada com a força da sua mãe. Pariu um recém nascido tão bonito e saudável, e manter toda aquela pose autoconfiante, e impecável... Seu pai, olhava para ela como se ela tivesse o dado o mundo, ele olhava para você como se fosse o mundo nas mãos dele. E Marlon... Ah Marlon. Ele queria comprar tudo de bebê que via pela frente. Já sua avó ficou cada instante ao lado da sua mãe. Eu me lembro bem... Me lembro muito bem.
— Não tive culpa se eu era o neto favorito.
— Você acha? Não deve se lembrar da sua careta emburrada quando seu irmão nasceu e você perdeu o pedestal.
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Um Gangster em Minha Vida
RomanceHallie ansiava mais de sua própria vida pacata. Em uma determinada noite, enquanto busca por um romance para lhe dar algum tipo de propósito, o encontro fracassado e inusitada a leva de volta para casa revoltada. Já no meio da noite, acaba se metend...
