¿Cara o cruz?

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Diz o ditado que quando há sorte no jogo, há azar no amor. Que quem não quer quando pode não poderá quando quiser. Mas às vezes a vida é uma roleta russa. Você não sabe o que esperar dela. A sorte do disparo vazio, ou o azar da bala no tambor. Talvez por isso sempre duvidamos entre... tudo (?). Passamos a vida toda com medo a arriscar-nos ou dar um passo adiante porque não sabemos exatamente em qual categoria estamos. Sorte no amor, azar no jogo, ou azar no jogo e sorte no amor? Quem sabe? E se, por ventura, há azar nos dois? Ou sorte?

A vida é um constante cara ou coroa, e é inútil tentar explicar o que acontece na nossa cabeça na hora de tomar uma decisão. Um dia é sorte, no outro azar. E de repente, estamos em um campo minado. Uma decisão arriscada e BOOM! Uma única palavra pode desatar uma guerra.

Então avançamos ou ficamos estancados, esperando que de alguma forma a sorte nos ajude. Mas quem decide quem terá sorte e quem terá azar? Quem, de fato, escolhe a sina do nosso destino?

Nós mesmos.

Verás... somos tão covardes que nem sequer nos atribuímos os méritos ou fracassos. Tão tolos que nos preparamos para grandes batalhas e esquecemos aspequenas coisas. E essas – pequenos detalhes – fazem toda a diferença.

Por que as menores coisas nos derrubam?

Porque vivemos em contradição. Preparamos todo um exército de contenção para evitar as decepções, mas na hora de lutar esquecemos o escudo, saindo de peito aberto, refugiando-nos na indecisão, deixando tudo "com a sorte". Mas o certo é que ninguém quer começar uma guerra, muito menos se machucar nela.Todos querem regressar sãos e salvos.

Porém, às vezes, nem sequer sabemos por que estamos lutando. E o pior de tudo é que, além de entrar em uma batalha a cegas, apesar das derrotas, nunca levantamos a bandeira branca.

E há uma razão para isso: esperança.

De alguma forma, dentro de nós, há um lugar... um piso franco onde estamos a salvo. Onde não importa quão dura seja a aposta, sempre encontramos consolo. A esperança de que a qualquer momento a sorte pode mudar. De que talvez o outro dia... seja um dia de sorte.

Então apostamos.

Mas até para apostar decidimos: guiar-nos pela sorte ou retroceder pelo possível azar. A vida, com toda sua loucura e desencontro, é uma questão de prioridades. Sempre teremos que escolher, e já dizia o sábio louco: "a cada escolha uma renúncia, isso é a vida". Se arriscar é ir pro tudo ou nada. Go hard or go home. E quando não souber o que fazer, arrisque. Quanto maior a aposta, maior o risco. Quanto maior o risco, maior a satisfação. Mas... se por acaso pisar a mina. BOOM.

Game over.

Entendeu o sentido da sorte?

Não há sorte.Apenas... resignação. Nós criamos nossa própria sorte. Nós escolhemos mais uma batalha ou bandeira branca. Para saber se vale à pena "ter" –manter – algo (ou alguém), basta pensar em como seria perdê-lo. Para saber qual decisão tomar, basta escolher uma moeda.

Assim de fácil.

Cada lado uma opção.

Jogar pra cima.

E no momento que ela estiver caindo, no fundo, você já saberá que lado quer ver.

Mas a verdade, talvez a mais cruel de todas, é que... só deixamos de apostar quando nos acostumamos a perder.

***

Aquela noite Camila pôde, por fim, descansar. Cada vez que sua mente emitia o estímulo de medo, automaticamente ela se remexia e Lauren a abraçava ainda mais forte. A barriga, apesar de seis meses e meio quase, não era tão grande. De forma que Camila ainda conseguia dormir de lado. O fato curioso era que, durante todos os seis meses o garoto dava poucos sinais. Raras foram às vezes que Camila sentiu um chute ou qualquer movimento... era como se estivesse dormindo profundamente o tempo todo. Na primeira semana do quarto mês, durante a amniocentese pré-natal, a ginecologista identificou uma possível deformação genética no pequeno, deixando a família em alerta para o que aquilo poderia significar. Não saberiam explicar exatamente do que se tratava, pois era muito cedo e apenas a extração do líquido amniótico não era suficiente. A Sindrome de Down estava descartada, e a doutora Montgomery duvidava entre o Autismo ou apenas alguma alteração genética sem mais consequências. Mas o simples fato de haver algo com o bebê já era preocupante, e a única forma de saber seria no exame neonatal. Por conta disso o emocional de ambas estava fraco, e se somamos a alteração de hormônios da latina com a gravidez, poderíamos dizer que Lauren estava em sérios problemas.

L A U R E N Stories to obsess over. Discover now