Isadora Fonseca Diniz.
02 de agosto — 09:14
Quarta-feira.
Acordei ainda cansada, ontem foi o aniversário da Julinha e a dona Teresa fez um bolinho para ela lá, eu fui com o Samuel mais cedo e o Juan foi direto do trabalho, ficamos lá até uma da manhã, só tomamos um banho e capotamos. Hoje o Samuel está fazendo nove meses, ele está tão grande que nem ao menos parece que ele nasceu ontem, lembro direitinho dele nos meus braços, todo sujinho e chorando tanto, tão lindo.
Não vou fazer mesversário esse mês, é a folga do Juan e o dia que a Jana e a dona Teresa conseguiram um horário no salão para mim, eu vou duas da tarde e vamos na praça com a nossa família comemorar comendo alguma coisa. Eu tinha desanimado de ir ao salão, não estava com cabeça para isso depois do final de semana agitado mas o Juan insistiu dizendo que eu precisava relaxar, que seria bom para esquecer os problemas então eu aceitei, mesmo um pouco receosa de deixá-los sozinhos.
Juan e Samuel estão apagados, ambos dormindo na mesma posição, sorri tirando uma foto deles e fui até o banheiro. Fiz as minhas coisas, penteei o cabelo e saí do banheiro. Peguei os ingredientes para fazer a receita do bolo sem açúcar, dessa vez em forminhas de cupcake que comprei ontem.
Fiz a massa rapidinho e já pus no forno, coloquei o café para passar e arrumei a mesa. Me joguei no sofá bocejando, sentindo rastros das noite de ontem, estou realmente cansada. Fiquei deitada até os cupcakes ficarem prontos, os tirei do forno e pus em uma travessa redonda, deixando no centro da mesa, coloquei a vela de número nove no bolinho do meio. Peguei um pouco de café e sentei na mesa para esperar os dois acordarem.
Demorou mais ou menos vinte minutos para eu ouvir barulho no quarto, ia dar dez e meia quando os dois apareceram no corredor, ambos com a cara amassada e os cabelos para o alto.
— Bom dia, dorminhocos. — Sorri, Juan retribuiu o sorriso de uma maneira preguiçosa e Samuel se jogou para o meu colo, deitando a cabeça em meu peito. — Bom dia, filho, feliz nove meses. — O enchi de beijos, Samuca deu um sorriso desengonçado pela chupeta na boca, coçando os olhinhos. — Está com sono ainda? Dormiu demais, amor. — Ri olhando para o Juan. O mesmo me deu um beijo rápido e se sentou ao nosso lado.
— Bom dia, amor. — Bocejou. — Estou morto. — Esticou as costas.
— Aproveita que está de folga para dormir. — Passei a mão por seu cabelo bagunçado. — Olha o que a mamãe fez para você, filho. — O ajeitei em meu colo, apontando para os cupcakes no meio da mesa.
— Que legal, pivete, tem bolo. — Juan sorriu cutucando o suvaco do Samuel, nosso pequeno sorriu se escondendo no meu peito. — Fez isso que horas, baixinha? — Ele me olhou.
— Nove e alguma coisa, acordei mais cedo — Ajeitei o Samuel no meu colo. — Vamos cantar parabéns para comer o bolo?
— Vamos. — Juan se levantou pegando o fósforo.
Ele acendeu a vela e nós cantamos parabéns, Samuca estava um pouco envergonhado, ainda sonolento também então apenas deu alguns sorrisos colocando a mãozinha em meu peito por dentro da blusa.
— Esse bolo é o mesmo daquela vez? — Juan perguntou pegando um, tirando o papel, ele aproximou da boca do nosso menino que deu uma mordida.
— É, só mudei a forma mesmo. — Peguei um para mim.
— Bom demais. — Deu uma mordida no dele. — Hum... — O encarei. Ele terminou de comer me olhando. — Que horas você vai sair de casa?
— Estava pensando em sair uma e meia, até o ônibus chegar vai demorar um pouco.
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Amor que cura
Romance"Um dia alguém vai chegar, o amor que cura Me abraçar e me segurar, só não me segura Me mostrar que ainda vale amar e cumprir a jura De ficar e não abandonar da forma mais pura..." Depois de ser abandonada por quem mais deveria amá-la e sofrer u...
