Capítulo 41

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Leonardo Ribeiro Borges

11 de agosto — 14:23
Sexta-feira

    Eu não sei ao certo o que pensar agora, sinceramente, nunca pensei que estaria vendo, possivelmente, a minha irmã no meio do meu trabalho.

    Até um ano e meio atrás eu não conhecia meu genitor, minha mãe disse que assim que ele soube da gravidez, sumiu e nunca mais a procurou. Tive uma infância difícil, passamos fome, moramos na casa das pessoas de favor, via minha mãe se matando de trabalhar e isso me fez ter mais raiva daquele cara, passei anos remoendo isso até perceber que não levaria a lugar nenhum. Minha mãe conheceu o Márcio, meu padrasto, quando eu tinha doze anos, ele me criou, virou meu pai e sou grato por tudo que ele faz por nós, foquei nos estudos, hoje sou cardiologista e tenho uma renda ótima, não tenho do que reclamar.

   Mas a parte de não saber nada sobre a minha família por parte do meu pai biológico me incomodava e incomoda até hoje, minha mãe não sabia o nome todo do meu pai, foi um namoro bobo de adolescência e deu no que deu, então eu não tenho informações sobre isso, bom, não tinha até um tempo atrás.

    Um homem me procurou, disse ser meu pai, no início eu não acreditei, mas a minha mãe chegou na hora e sua cara já tinha confirmado. Toda a raiva que eu deixei de lado voltou a tona, Antônio veio com todo o cinismo de que se arrependeu, que queria me conhecer e que precisava da minha ajuda, óbvio que eu neguei e aí que ele se mostrou ser quem era de verdade, aquela cara de deboche, exigindo que eu desse dinheiro para seus vícios. Quando me recusei, ele simplesmente soltou que iria atrás da minha irmã, que ela o ajudaria, me jogou sei lá quantas pragas e foi embora.

    Foi assim que eu descobri que eu tenho uma irmã, não sabia nome, onde poderia estar, quantos anos tem, a única informação que eu tinha era essa. Eu procurei bastante, desde que soube da existência dela fui atrás mas não obtive resultados, é muito difícil achar alguém sem saber nenhuma informação.

    Foi um choque para mim ver aquela mulher em minha frente, ela é praticamente a cara do Antônio, os olhei, a boca, o tom de pele, fiquei sem reação a olhando, não sabia o que fazer, queria perguntar seu nome, sobre sua família, quem eram seus pais, mas não poderia simplesmente fazer isso, não aqui.

    Mandei uma mensagem para Tony assim que entrei em minha sala, pedindo para ele me avisando quando ela fosse embora e estava o esperando responder, me concentrar no trabalho está impossível, toda hora me vem na mente a imagem da mulher. Será possível ela ser realmente a minha irmã? Ou eu estou viajando e querendo tanto encontrar ela que vejo comecei a delirar?

    Acabei de sair de três consultas seguidas, não tive tempo de olhar o celular para ver se Tony havia me respondido. Tirei meu jaleco e peguei o celular, meus olhos bateram na sua mensagem de uma hora atrás, coloquei o mesmo no bolso, tirei meu jaleco e sai da sala, vou usar meu horário de almoço para descobrir mais coisas.

— Márcia, Tony está em consulta? — Me debrucei no balcão a olhando.

— Não, doutor, está na sala.

— Obrigado. — Agradeci indo até a sala do Tony. Bati na porta e entrei quando tive sua permissão. — Preciso da sua ajuda.

— E eu preciso saber o porquê olhou para a Isadora daquele jeito. Ela é casada, cara, não vai dar. — Negou divertido. Revirei os olhos me sentando em sua frente.

— Não quero ficar com ela, seu otário, preciso de outra coisa e você vai conseguir para mim. 

— Ih, o que você quer, Leonardo? — Me olhou estranho.

Amor que curaOnde histórias criam vida. Descubra agora