Capítulo 9

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Ao perceber a demora, deixo o outro copo vazio na mesa e vou atrás da garota bêbada, que provavelmente está dormindo em cima do vaso sanitário. Ri fraco ao imaginar isso e saio do local, entrando em um pequeno beco mal iluminado e encontrando quatro homens rodeando algo. Ignoro até sentir o cheiro de sangue. Paro e tento observar a origem do cheiro até ver um moreno alto virar com os cabelos de Cássia em suas mãos. A mulher estava ajoelhada, com o lábio cortado e a respiração acelerada. Seus olhos pareciam pesados, pois mal ficava abertos, me assustando. Seus olhos finalmente me encontraram e a preocupação a dominou.

- Corre... - Sussurra e deixa uma lágrima cair.

Arregalo os olhos e o moreno solta a moça, que cai no chão, perdendo a consciência aos poucos.

- Eu acho melhor você vazar, bolota.

Fala comigo e suspiro, soltando o ar devagar para controlar meu temperamento, como Will me ensinou. Me aproximo devagar de Cássia, mas o moreno não deixa eu chegar muito perto.

- É surdo, cara? Vaza! - Grita e tenta me empurrar, mas pego em sua mão e viro, o fazendo ajoelhar.

- Não toque em mim com essa mão imunda. - Mando e o solto.

Ele se afasta devagar e sorriu.

- Matem ele.

Grita e os três caras me rodeiam com facas pequenas. Eu prendi uma risada ao ver o tamanho de suas armas e solto o cara e desvio de seus ataques, apenas quebrando um braço ou uma mão. O exercício de respiração até que estava funcionando. De acordo com Will, não posso matar facilmente uma pessoa aqui, pois isso iria chamar a atenção e dar muita dor de cabeça depois.

Após derrubar os três, vejo o moreno pegando Cássia e tentando arrastá-la pelos cabelos, como um primitivo. Rosno baixo e o chamo antes de socar sua cara com força e o derrubar com facilidade. Agacho para tocar em Cássia, que havia desmaiado completamente.

- Como ousa, seu inútil?

Me surpreendo do cara ainda estar consciente depois do meu ataque e me afasto da mulher, o pegando pelo pescoço e o levantando de leve.

- Eu estou apenas me segurando para não matá-lo. Mas na próxima vez que eu te ver, será a última coisa que verá nesta terra.

Ameaço e o jogo para perto de seus amigos, que ainda gemiam de dores. Pego Cássia no colo e a levo para a loja de Will, que se assustou, mas decidiu questionar tudo depois.

Na noite seguinte, Cassia finalmente acorda, gemendo de dor. Tento acalmá-la, mas a mesma chorava enquanto se encolhia devagar. A pego com cuidado no colo e a coloco debaixo do chuveiro, com água fria. Ela aperta meu braço, segurando o grito e chora.

- Felipe? - Sussurra rouca e me afasto um pouco.

Ela arregala os olhos e olha em volta antes de voltar a me encarar e tocar em meu rosto.

- Você está bem? - Pergunta e me assusto.

- Não era eu que deveria perguntar isso? - Estranho e ela começa a tremer.

- Mas... E-ele... Ele...

- Não se preocupe. Já resolvi com aqueles malucos.

Ela chora em meus braços e eu não sabia exatamente o que fazer. Acaricio suas costas e ela geme de dor. Me afasto com o toque e ela sussurra.

- Preciso ver um médico. A-acho... que... Quebrei alguma coisa. - Sussurra se abraçando e Will aparece surpreso.

- Cássia...

Fala surpreso e com tristeza, se aproximando. Ela o observa e estica um pouco a mão.

- Will... - Sussurra voltando a chorar e ele acaricia seus cabelos.

- Calma, querida. Está tudo bem. Um amigo meu, médico, disse que não quebrou nada, mas precisa ter muito repouso. Já avisei as meninas do orfanato sobre sua ausência.

Ela se afasta confusa.

- Quanto tempo eu dormi?

- Um dia inteiro.

Decido responder e ela solta o ar cansada. Encaro Will confuso. Não houve ninguém aqui além de nós. Logo lembro que ele usou magia para tentar curar Cássia, mas ela não acreditaria em nós, se falássemos.

- Descanse. Trarei algo leve para comer.

Fala o velho e sai. Eu a ajudo a sair do chuveiro, mas a cada movimento ela geme ou reclama de dor. Eu me sentia tocando em porcelana frágil e tentei, pela primeira vez, ser o mais delicado possível.

- Aguente mais um pouco, Cass.

Falo e consigo deixá-la sentada na cama. Agacho na sua frente e vejo a sombra de um sorriso em seu rosto aflito.

- É a primeira vez que você me chama assim.

Sussurra ofegante e a ajudo a tirar a roupa molhada, encontrando seu corpo pálido com hematomas do ataque, fazendo com que meu interior queime de raiva. Precisei me segurar para não ir atrás daqueles estranhos e matá-los.

Eu a enxugo quieto, pensativo e depois a ajudo a colocar uma roupa mais quente, já que estava esfriando.

- Felipe?

A ouço me chamar e a encaro com o rosto cansado. Ela toca no meu rosto e sorri.

- Obrigada.

Engulo em seco, não sabendo como me comportar com ela e viro o rosto.

- Não se acostume. Não farei sempre.

Ela ri fraco e não responde.

O tempo passou devagar, mas Cássia parecia bem melhor. Ao voltar para o orfanato depois de alguns dias, todas as crianças a receberam com alegria e algumas lágrimas, o que achei interessante. Nunca vi tanto afeto na minha vida até conhecer as crianças desse lugar. Todos a levaram para os fundos, a surpreendendo com um belo jardim com várias flores. Após passar a manhã toda observando Cássia mais feliz e menos insegura, não reparei na moça de cabelos vermelhos sentando ao meu lado, oferecendo um copo de água fresca.

- Ela está melhor? - Pergunta e não desvio meu olhar de Cássia para responder.

- Com as crianças em volta dela, com certeza.

Falo e ela ri. Eu a encaro e a mesma sorri para mim.

- Vocês dois são muito transparentes.

- Perdão?

- Vocês não conseguem esconder o quanto se amam.

Me assusto.

- Não... Eu... Eu...

A corto, mas não sabia o que dizer. Droga, porque dei a desculpa que era noivo de Cássia?! Foi a ideia mais idiota que já fiz. Anastácia toca em meu ombro e dá leves tapinhas.

- Cuide bem dela, Felipe. Cássia é uma espécie rara de mulher. Ela é incrível.

Apenas confirmo com a cabeça e ela volta para a cozinha com o copo vazio e os gêmeos aparecem.

- Olá, Felipe.

Falam de forma sombria e sorri. Esse jeito assustador deles era incrível e sorri..

- Olá, gêmeos.

Percebo o palhaço de pano que Cassia fez não saem de suas mãos.

- Temos um segredo. - sussurram com os sorrisos mórbidos e ri fraco.

- Qual?

Eles se aproximam, percebendo que ninguém está próximo e viram os bonecos, revelando um pequeno zíper que tinha nas costas dos bonecos, embaixo da roupa vermelha e abrem o local secreto, revelando as moedas que dei no aniversário de ambos. Ri baixo e passei a mão no cabelo de ambos, bagunçando seus cabelos e pensando se meu pai alguma vez fez isso comigo quando vivo. Fico pensativo e nem reparei que Cássia havia os chamado, me deixando sozinho em meus pensamentos até pétalas caírem sobre mim. Levanto a cabeça devagar e vejo Cássia sorri para mim como um moleque enquanto joga algumas pétalas em minha cabeça.

- Viu, crianças? É assim que transforma um homem emburrado em fofinho.

- Como é? - Levanto a sobrancelha e ela ri junto com as crianças.

Sua realeza, a FeraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora