Mais uma vez acordo com gritaria das crianças do lado de fora. Suspiro e me estico antes de tomar um banho e me arrumar. Toco três vezes no sino e viro a gata que todos os dias uso como disfarce.
- Miau. – Sussurro lembrando a primeira vez que me transformei em gata. Quando fui para a feira com Felipe.
Viro para a caixinha que estava na escrivaninha do meu pequeno quarto e abro, encontrando o colar que Felipe comprou para mim com a cor de seus olhos. O abraço e suspiro alto, sentindo aquela tristeza querendo me dominar novamente. Guardo o colar e bato em minhas bochechas, focando em ser forte mais um dia.
- Eu consigo! – Falo focando nos meus filhos e saio do quarto sorrindo para mais um trabalho como babá de quase quarenta crianças.
Desde o ataque dos tenebris, muitas crianças apareceram aqui no orfanato sem saber onde estavam seus pais, então todos os dias é sempre uma agitação sem fim. Já ajudo Alice a terminar o café da manhã enquanto ela alimenta seu bebê recém nascido que estava em um tecido, pendurado em seu peito.
- Oi, pequena Mayura! – Falo com a voz fina para o bebê de cabelos brancos azulados igual da mãe e olhos caramelos como o do pai.
Ela me encara e sorri para mim, tentando pegar na minha mão.
- Ela é muito fofa! – Comento para Alice enquanto faço bico e a vejo rir.
- Obrigada. Tiago é um pai bem babão quando está perto dela. Nem consegue esconder a felicidade com aquela cara de malvado. – Fala tentando imitar a cara brava de Tiago e rimos.
- Hey, meninas. – Laura comenta entrando na cozinha e pega alguns pratos de pães. – Os monstrinhos estão famintos. Podem ajudar?
Pergunta saindo rapidamente e volto a trabalhar.
Mais tarde, ao ver todas as crianças comendo, aviso as meninas que vou para o berçário junto com um grupo de moças novas que estavam aqui para ajudar. Antes de abrir a porta, ouço um grito lá dentro e me assusto. Ao abrir a porta, vejo uma moça loira com raiva e levanta a mão para meus gêmeos e ninguém tentando impedi-la.
- O que está acontecendo aqui?! – Falo um pouco alto e a loira congela e me encara.
- Ana. – Fala e cruza os braços, brava. – Esse monstrinho me mordeu!
Fala e paro entre ela e os meninos.
- Eles são crianças, não sabem o que estão fazendo, então nunca mais levante a mão para eles! – Falo séria e ela rosna, mas não retruca.
- Ok.
- Pode sair. Tiana pode precisar de ajuda no refeitório. – Ela arregala os olhos surpresa por expulsá-la. – Agora!
A garota sai batendo os pés e viro para todas as outras.
- Estou decepcionada com vocês, meninas. Iriam deixar uma criança sofrer punição sem saber o que estava fazendo?! O que exatamente vocês querem, fazendo aqui?! – Deixo a mensagem para elas ficarem pensando e viro para os gêmeos, que agora estavam conseguindo ficar em pé no berço. Eles me encaram sérios e suspiro novamente.
- Vocês nunca sorriram, nem para mim. – Sussurro acariciando o rosto de Magnus, que parece o mais acessível, e depois de Atlas, que vira o rosto para mim. – Atlas, - o advirto. – Eu sei que você me entende.
Ele fica sério e faz um leve bico que lembra Felipe. Eu o pego no colo e o faço me encarar.
- Porque mordeu a mocinha? – Pergunto e ele vira o rosto, ainda bravo e esconde o braço.
Pego em seu braço e levanto a blusa, vendo um hematoma que me assustou.
- Foi ela?! – pergunto ficando brava e ele abaixa o rosto, não respondendo.
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Sua realeza, a Fera
FantasyE se um imperador tirano de um mundo de fantasia viesse para o mundo real? Para salvar seu reino e seu futuro, Felipe, disfarçado de humano, foi jogada para outro mundo a fim de aprender a realidade do mundo moderno. Começando com um quase atropela...
