O filme estava rolando e era nojento, pavoroso, com muitos gritos... Volta e meia eu dava um pulo na cadeira — isso quando eu olhava para a tela —, mas ainda faltava quase uma hora de filme.
— Caraca, você tem medo mesmo, hein... — Tom disse baixo, próximo ao meu rosto. Levei um susto com o que apareceu na tela e me virei para o lado, fechando os olhos. Quando os abri, nossos rostos estavam próximos, com basicamente um palmo entre nós.
Meus olhos fixaram-se nos dele, não sei explicar o que aconteceu, foi uma sensação diferente. Ele limpou a garganta e se concentrou no filme novamente; parecia que ele também ficou sem jeito, constrangido. Depois de alguns minutos, ele tirou o casaco e me entregou.
— Coloca isso, tá se encolhendo toda. É frio ou medo? — disse rindo.
— Os dois, eu odeio filmes de terror... odeio! — respondi, vestindo o moletom. Tinha um cheiro forte de perfume, mas era bom.
— Me dá sua mão. — Ele esticou a mão em minha direção. Estranhei no começo, mas mesmo assim segurei a mão dele. O filme ia passando e eu não conseguia mais prestar atenção, só conseguia olhar para nossas mãos juntas e o movimento carinhoso dele.
— Vou ao banheiro. — Me levantei e saí da sala. Chegando lá, me vi no espelho: o moletom batia um pouco acima do meu joelho e cheirava tão bem... Talvez eu estivesse criando um possível interesse no Tom.
— Vou buscar uns refrigerantes, querem? — Tom perguntou, levantando-se. Os meninos concordaram e ele saiu.
Abri a porta do banheiro e caminhei em direção à sala de cinema novamente, mas Tom me deu um susto saindo de trás da parede.
— Merda, Tom! Merda... não faz isso. — disse, colocando a mão no peito, incrédula.
— Foi engraçado, foi mal, gatinha. — Ele riu e se sentou em uns sofás que tinham no fundo do cinema, esperando a senha que estava na mão dele.
— Panaca! O que veio fazer? — cruzei os braços.
— Ver se você estava bem. — respondeu com aquele olhar de conquistador em ação.
— Preciso tirar uma senha pra isso? — ri.
— Me pegou... me ajuda a levar os refrigerantes? Peguei um chocolate pra você. — Ele se levantou. Fiquei em silêncio e fui com ele até o balcão de retirada. Pegamos as coisas e voltamos para a sala.
Quando me sentei de volta ao meu lugar, Tom estava com a mão estendida me olhando. Revirei os olhos e segurei sua mão... Da forma que ele me tratou todas as vezes que nos vimos, nitidamente ele estava dando em cima de mim, mas eu não podia negar que estava gostando.
Finalmente o filme acabou e fomos para casa. Os meninos ficaram na sala conversando, e eu subi para o quarto, me deitando na cama e mexendo no celular. Já era quase dez da noite...
— Ow, vamos chamar um pessoal aqui pra casa, se importa? — Georg disse, abrindo a porta do meu quarto.
— Não, de boa. — respondi.
— Vai ficar no quarto? — ele perguntou.
— Não tô a fim de ficar no meio de adolescentes bêbados... obrigado. — respondi sorrindo, como se eu fosse adulta...
Me levantei e comecei a pintar na tela um fundo cinza, como cimento queimado, com vários tons... pensando no que colocaria em destaque. Estava uma gritaria e risadas lá embaixo, música alta e tudo o que tem em uma festa adolescente... Eu ainda estava usando o casaco do Tom e não sabia se queria tirar.
— E aí, gatinha... é adulta demais pra uma festa na sua própria casa? — Tom disse invadindo meu quarto e fechando a porta novamente.
— A festa é do Geo... — respondi, continuando meu trabalho na tela.
— Saquei... o que tá fazendo? — Ele se sentou na minha cama. Acho que a intimidade dele com o Georg, de alguma forma, fazia ele pensar que tinha comigo.
— Decidindo o que vou colocar na minha tela... e você? — olhei para ele.
— Deu saudade. — ele respondeu. Senti um frio na barriga.
— De mim? — perguntei.
— Do meu moletom... — respondeu rindo.
— Ah, claro... — tirei o moletom no mesmo instante.
— Era brincadeira, S/n... você tem um estilo tão hard e é tão sensível e delicada... como pode? — Ele me encarou enquanto eu me sentava novamente em frente à tela. Fiquei olhando para ele após essa pergunta, que nem eu sabia responder...
— Pretende ficar aqui? — perguntei, mudando o assunto.
— Só se você quiser. — respondeu.
— Pode ficar, mas parado, por favor. Só até eu pegar seus traços. — virei a tela para ficar de frente para ele.
— Vai me colocar na sua tela? — ele perguntou, surpreso. Eu apenas concordei animada.
— Tá, espera aí... deixa eu pegar isso aqui pra me distrair também. — Ele pegou minha guitarra e tocou umas notas.
Comecei a desenhar ele: seus traços, olhos marcantes, sorriso apaixonante, nariz incrivelmente perfeito e suas mãos grandes e perfeitas. Percebi que ele parou de tocar e apenas ficou me encarando, me deixando um pouco nervosa, mas eu ainda prendia minha atenção no desenho que estava criando dele.
— Conseguiu? — ele perguntou suavemente, os olhos ainda grudados em mim, com uma expressão como se tivesse se dado conta de algo impressionante.
— Sim... quer ver? — finalizei a arte com um ponto de luz no piercing da boca dele. Ele se levantou e caminhou até mim. Fiquei umas duas horas desenhando, e ele ficou duas horas sem reclamar... como se gostasse de estar ali.
— Caraca... você é incrível nisso, sabia? — ele disse, me olhando. Eu fiquei sem saber o que responder... apenas ficamos em silêncio nos olhando. Seus olhos revezavam entre os meus e minha boca, então ele mordeu o canto do lábio inferior.
— Tom... — disse, sentindo um nó na garganta. Parecia idiotice falar isso em voz alta, mas falei. — É muita loucura eu pedir pra você me beijar agora? — perguntei e vi suas sobrancelhas levantarem sutilmente, junto de um sorriso nasal.
— Talvez eu seja mais louco por aceitar... — ele respondeu, inclinando-se na minha direção, beijando meus lábios lentamente. Sentia um buraco no estômago; foi a primeira vez que tomei coragem de pedir que alguém me beijasse.
Suas mãos se apoiaram nas minhas bochechas. Era um beijo tão delicado e carinhoso... como se ele me visse assim, frágil e delicada. Ele se afastou, me dando um selinho e depois um beijo na testa.
— Se seu irmão me ver aqui... ele me mata! Boa noite, artista. — Ele disse, saindo do quarto. Fechei a porta e me joguei na cama, dando gritinhos de felicidade, com uma almofada na boca.
Parecia ser algo totalmente inexistente... mas aconteceu. Georg mataria os dois provavelmente... mas, o que posso fazer? Foi só um beijo, não posso apressar o que não existe!
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Texto passando
por revisão.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
