CAP - 6

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Fiquei com aquela sensação bizarra de ver alguém que você já beijou e nunca mais teve contato... era desconfortável.

— Já se conhecem... ótimo! Eu sou o Doff, finalmente conheci a famosa S/n!

O namorado da Lanis me cumprimenta com um beijo no rosto. Sorrio de volta gentilmente.

— O que faz aqui? — eu e Tom falamos juntos, um para o outro. Reviro os olhos e ignoro sua existência. Não acredito que ele não ande só com a banda dele pra cima e pra baixo.

— Vem, S/n, vamos ver do que você é capaz — Lanis me puxa pelo braço. Pego minha guitarra e conecto no som, tocando algumas coisas enquanto os outros acompanham ou curtem. Era uma resenha incrível. Passei mais tempo com eles, conversando com várias pessoas — todos gentis e legais... realmente tem corações moles por baixo de roupas góticas e maquiagens pesadas.

Vou até a mesa e pego algo para beber. Só tinham bebidas alcoólicas, então limpo um copo e sirvo água; não bebo nada de álcool.

— Então você conhece o Doff e a Lanis... que mundo pequeno — Tom se escora no balcão, olhando para o pessoal dançando e tocando, sem nem me olhar.

— Me admira você por aqui... achei que seria mais a cara do Bill.

— Ele é meu irmão gêmeo... então, se for pela cara, é a praia dos dois — Tom sorri e acabo rindo também.

— Falo sobre estilo...

— E qual o seu estilo, Listing? — ele se vira para mim. Fico sem saber se fala do meu estilo ou do meu interesse em alguém.

— Algo mais parecido com o Bill — respondo. Parece outro Tom... ou ainda não levantou nenhuma faísca pra começarmos a discutir.

— Acho que você não se refere a estilo — ele me olha de cima a baixo, com um olhar sedutor, como se procurasse algo além da conversa.

— Seu mundo de achismos é bem limitado, Kaulitz — largo o copo e vou embora. Pego minha guitarra, coloco na capa, prendo nas costas e vou chamar um Uber, mas... a bateria acabou! Que se dane, vou andando.

— Já vai, amiga? — Lanis pergunta.

— Aham, amanhã preciso acordar cedo. Boa noite, Lani. Adorei te conhecer, Doff — me despeço, começando a caminhar pela calçada olhando as estrelas. Seria uma pequena caminhada de vinte minutos.

— Se seu pai descobrir que está caminhando sozinha às duas da manhã... — ouço Tom se aproximar, mãos no bolso, caminhando ao meu lado.

— O que tá fazendo? — pergunto, confusa.

— Moro na frente da sua casa, já ia embora mesmo. Vou acompanhar você até lá, é menos perigoso.

Respiro fundo, tentando entender esse tom todo gentil e atencioso.

— Qual sua jogada, Kaulitz? Sendo simpático e cuidadoso... não combina nada com você essa máscara de bonzinho — cruzo os braços.

— Você é direta nos seus pensamentos, né? Não se poupa pra expor o que pensa.

— Não gosto de joguinhos, muito menos falsidade. Gosto de ouvir palavras sinceras — digo com firmeza, o que é verdade. Não escondo o que penso e não quero que as pessoas façam o contrário comigo.

— Gosta de verdades sinceras... ok — ele volta a caminhar.

— Verdades sinceras? São duas palavras com o mesmo significado — o sigo.

— Verdades sinceras são quando não mentimos pra nós mesmos. Posso te dizer algo que pra você seja verdade, mas pra mim é só para agradar ou conseguir o que quero. Quando é sincero, mesmo que doa pra mim ou pra você, eu digo mesmo assim.

Ele olha para a paisagem. Fico calada por alguns minutos.

— O que quer me dizer que vai doer em você? — sinto a tensão, mas minha curiosidade é maior que o medo.

Ele sorri, baixa a cabeça, como se estivesse sem saída.

— Você é rápida... quer ouvir mesmo? — me encara, olhos tranquilos.

— Uhum.

— Acho que tem uma parte de mim que te procura todo dia e outra que tenta te ignorar... mas as duas queriam não conhecer seu irmão.

Travo, sinto suas palavras árduas. Não sei o que fazer, apenas o encaro, surpresa.

— O que quer dizer com isso? — pergunto, amedrontada.

— Quero dizer que, se eu tivesse só beijado você, meu coração não estaria desesperado pra te ver novamente. Mas eu fiquei duas horas te admirando pintar uma tela... e se eu não fosse melhor amigo do cara que deve ter dito que eu não sou alguém pra relacionamentos, meu cérebro não tentaria te esquecer todas as noites.

Ele se senta em um banco no caminho.

— Acha que não conhecer o Geo mudaria algo? Por quê?

— De qualquer forma, eu iria te conhecer... mas você não acharia um erro se eu não conhecesse ele.

— Que tolisse... sua amizade é tão superficial pra trocar por uma garota? — pergunto irritada.

— Por você, não por uma garota. Só você.

Ele me deixa sem reação.

— Não fala bobagem, Tom. Poderia ter as duas coisas. Se tem medo do que o Geo fala sobre você, talvez seja porque seja verdade. Entre mudar ou esquecer as pessoas que se importam com você, você tá preferindo esquecê-los.

Volto a caminhar. Já estávamos quase chegando em casa quando ele quebra o silêncio novamente.

— Uma verdade sincera é que eu tô desesperado. Não consigo parar de pensar em você, você não sai da minha cabeça e isso é horrível. Nunca senti isso antes e você tá bagunçando tudo. Tô tentando achar formas de parar de pensar em você, mas aparentemente você tá em todo canto. Eu só queria ter beijado você como qualquer outra garota, mas por que você tem que ser diferente de todas elas?

Fico, mais uma vez, sem reação. O garoto tá literalmente me dizendo coisas que eu não diria nem se me odiasse muito. Parece humilhação. Até pensar em abandonar os amigos pra não ter que me ver...

— Eu tenho que responder essa pergunta? — pergunto, confusa.

— É claro que não! Eu só tô desabafando sobre uma garota... — passa a mão na testa, nervoso.

— Geralmente desabafamos sobre garotas para amigos, não para a garota em questão — tento quebrar o clima que ele arrumou.

— É, eu sei... provavelmente vou me arrepender disso amanhã. Se eu tivesse bêbado seria mais fácil. S/n, eu só queria dizer que talvez um beijo só não vai me deixar satisfeito.

Ele para em frente à porta da minha casa.

— Não quero ser sua cura carência, Tom. Não vou ficar com você sempre que se sentir sozinho ou vazio. Você pode procurar só curtição e garotas pra ficar, mas eu não quero vários. Procuro alguém que fique comigo na tempestade e no dia de sol.

Entro em casa e fecho a porta. Respiro fundo e subo para o quarto. Foi a conversa mais sincera e constrangedora que já tive. Queria fingir que nada aconteceu amanhã.

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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora