Acordo antes mesmo do sol invadir a janela do quarto. Meus olhos estão inchados, mas o perfume do Tom me acalma; seus braços firmes ainda me abraçam. Aqui, consigo me sentir longe de qualquer perigo. Me solto lentamente e caminho até a cozinha.
Um zumbi… é assim que me sinto. Apenas no automático.
Um vazio.
Perdi algo dentro de mim que me fazia sorrir, falar, pensar…
O luto.
Tomo um copo de água e sigo até o quarto do Georg. Ele está sentado em uma cadeira, olhando o sol nascer, que ainda demoraria uns trinta minutos. O céu, porém, já clareava.
—Como você está? —ele pergunta sem olhar para trás. Será que me reconheceu?
Sinto um nó na garganta antes de conseguir responder. Ele gira a cadeira em minha direção, olhos avermelhados, como se tivesse chorado a noite toda.
—Pode vir, S/n… vem cá. —bate no peito da cadeira. Meus olhos lacrimejam e começo a chorar enquanto caminho para seus braços. Sento-me entre suas pernas, afundando o rosto no ombro dele. Choro cada vez mais, sem controle, desde que recebi a notícia, há cinco horas. Dormi no máximo três horas.
—O que eu vou fazer agora? —pergunto entre soluços.
—O de sempre, maninha… ela não foi a mãe mais presente do mundo nesses anos. —Georg responde, com uma pontada de mágoa na voz.
Para mim, ela foi minha mãe. Me criou, me ensinou tudo. Não posso julgar a falta de afeto do Georg, mas ele não entende minha relação com ela. Éramos só nós duas. Contra tudo. Até que vim pra cá.
—Ela disse que me amava e eu desliguei na cara dela. —Sinto a culpa me consumindo.
—Ela sabia que você a amava, Boo. Mesmo sem falar, ela sempre soube, ok? —acaricia meus cabelos. —Porque você não deita mais um pouco, hein? —ele se levanta comigo no colo. Me sinto criança novamente.
—Não sei se consigo. —respondo, mesmo exausta.
—Dorme um pouco. Assim que o papai chegar, eu acordo você. Não se preocupa. —sorri gentilmente, tentando transmitir calma mesmo sofrendo também.
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GEORG LISTING
08h34
Vou até a cozinha e preparo um sanduíche, deixando outro para a S/n. Ela deve acordar em breve, ainda presa aos sonhos da mamãe.
Meu pai me ligou quase às três da manhã. O voo da minha mãe errou a rota, ficou sem combustível e os motores falharam.
Como algo tão planejado, seguindo rota pelo fone, se perdeu no céu?
Minha primeira reação foi saber se a S/n já sabia, mas pelo que o Tom me contou… ela ainda estava dormindo. Uma pontada no peito me atinge. Não tivemos a melhor relação com a mamãe, mas ainda assim dói. Ela não nos procurava, e nós também não. Culpa nossa, de alguma forma. Sempre esperávamos por ela. Nunca peguei o celular para ligar — só uma vez.
Tom entra na cozinha, observa cada canto e vira para sair. Interrompo-o:
—Ela tá dormindo no meu quarto. Relaxa. —Mesmo querendo que ele fosse embora. Não consigo aceitar que ele vá namorar minha irmã. Conheço o Tom melhor que ninguém: nunca se apaixonou, sempre ocupado com garotas. Minha irmã não será mais uma. Ela merece alguém que a valorize, não alguém que a veja como apenas… mais uma.
—Como você está? —pergunta, parado na porta, sem olhar diretamente para mim.
—Vou superar. É só fingir que ela está na África… como nos últimos cinco anos. —Mordo meu sanduíche.
—A S/n… —ele começa, sem encontrar palavras.
—Ela chorou até cair no sono. Perdeu a mãe, mano. Não espere que esteja sorrindo ou fingindo estar tudo bem. Você gosta dela, não é? Então tenta ser o cara que eu nunca vi: trate-a com dignidade e respeito nesse momento delicado. —Saio da cozinha com o sanduíche para ela.
Sei que sou um babaca, mas ele é pior. Tantas mulheres… e tinha que ser justo minha irmã?!
Entro no quarto e vejo S/n dormindo. Coloco o prato ao lado da cama e me sento na cadeira, observando-a. Parece tão frágil… Porra, como não vou ter medo que ele a use?
—Não! —ela grita ao acordar, sentando-se na cama, respiração acelerada. Seus olhos se encontram com os meus, e ela começa a relaxar.
—Outro pesadelo? —pergunto.
—Vou ficar maluca… —ela passa as mãos pelos cabelos, voz vazia, olhos escuros.
—Toma um banho. Nosso pai chega às nove e meia para nos levar ao enterro. —Suspirei. Dói lembrar que vamos velar a mamãe em poucas horas.
—Enterro? Já? —confusa.
—Quando nos ligaram, os corpos já estavam no IML… Vamos hoje, para enterrá-la amanhã de manhã. Nosso pai arrumou tudo: passagens e hotel. Só precisamos ir. —Procuro algo para ela vestir.
—Não sei se consigo. —Ela se levanta, vestindo a camisa branca que chegava aos joelhos.
—Precisa ser forte. Se despedir… —Tento encorajá-la.
Ela assente e vai para o banheiro. Suspiro, tentando conter todas as minhas emoções perto dela. É difícil ser forte por outra pessoa. Mas qualquer um faria isso por ela.
Doce, frágil e gentil.
Mesmo com seu estilo poderoso e olhar marcante, sua alma permanece a de uma menina doce. Sempre será.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
