CAP - 8

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8 de abril

Hoje faz exatamente um ano que estou morando com meu pai.

Resolvi atualizar um pouco sobre tudo que aconteceu nesses meses…
Depois daquela noite no mirante, eu e Tom passamos a nos tratar como amigos — amigos de verdade. A cada dia fomos nos aproximando mais, a ponto de eu quase poder chamá-lo de melhor amigo. Saímos para jantar, cinema, rimos juntos, conversamos sobre tudo… é como se fosse minha metade. Mas, desde então, nunca falamos sobre “relacionamento”. Apenas deixamos a vida seguir, e até agora tem sido a melhor escolha.

Com Georg é outra história. Somos praticamente um só: ele me conta tudo e eu a ele. No mês passado comemoramos nosso primeiro aniversário como amigos e foi incrível. Agora temos 17 anos e finalmente terminamos a escola. Tentei um curso de moda, mas não deu certo — durou apenas três meses. Agora estou em artes, e, nos momentos livres, toco guitarra na casa do Doff com a galera.

Lanis… ah, Lanis é minha tampa da panela, minha melhor amiga da vida.
Bill é meu estilista, maquiador e confidente.
Gustav é uma praga, me irrita, me faz passar vergonha, mas também me ensina bateria e, no fim das contas, é mais um dos meus melhores amigos.

É loucura, mas eles são meu mundo agora. Não sinto falta do Brasil. Aqui encontrei minha vida.

Desliguei a câmera e guardei a gravação na pasta de memórias. Pode parecer bobagem, mas faço essas “atualizações” todos os anos, registrando meus dias, os deles, os ensaios da banda, momentos engraçados… tudo o que acho importante guardar.

De repente, uma invasão:
— Surpresa!! — o coro dos meninos e da Lanis ecoou pelo quarto.

— Credo, o que estão fazendo aqui? — pulei da cama, assustada.

— Faz um ano que você está aqui. Fizemos um bolinho pra comemorar. — Bill respondeu, sorrindo. Ri junto. Foi fofo.

Eles olharam em volta, reparando nos quadros espalhados.
— Uau… quantos quadros! — disse Lanis.

Cruzei os braços, orgulhosa.
— Vou levá-los para a exposição solidária no museu. Trabalhei cinco meses nesses oito quadros.

— Parecem de um profissional. — Georg elogiou.
— Você vai arrasar! — Lanis completou.

Tom parou diante de um quadro específico. O dele. O que pintei realçando cada detalhe do rosto que eu tanto admiro.
— Esse aqui… — começou.
— Esse não. É particular. — cortei rápido, virando-o. Ele me olhou confuso, mas não insistiu.

— Quando será a exposição? — Gustav perguntou.
— Dia 12. — respondi.
— Droga! — resmungou.
— O que foi? — perguntei.
— Bem no dia da reunião com a gravadora… — explicou Bill.

— Gravadora?! — arregalei os olhos.
Lanis se adiantou, vibrando:
— Sim! Eles vão gravar o primeiro CD, vão ser mega famosos e ricos demais… e nós seremos as melhores amigas da banda!

Eu estava em choque.
— Caramba! Isso é incrível! — abracei todos.

Bill sorriu:
— Logo mais você vai nos ouvir no Spotify.
— Parabéns, sério. Vai ser um dia marcante. Vocês na música e eu tentando entrar no mundo da arte. — disse, tentando parecer confiante.

Rimos juntos, fizemos promessas de que nada mudaria, que seríamos sempre grudados, mesmo com a fama.

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13 de agosto

E realmente aconteceu. Dois meses após o lançamento, a banda Tokio Hotel explodiu. Eles estão em todas as entrevistas, cartazes, manchetes… vivendo o sonho.

Enquanto isso, eu recebia a ligação de Elen, a curadora:
— Você tem talento, mas ainda é muito nova. Seu futuro na arte vai chegar. Boa noite.

Desliguei com o coração pesado.
— Não sou boa o suficiente… — confessei a Lanis, cabisbaixa. — Meus quadros servem para uma exposição solidária, mas ninguém jamais os compraria.

Ela, indignada:
— Aquela velha é uma idiota! Seus quadros são incríveis! Ela só disse isso por inveja.

Sorri fraco.
— Relaxa, Lanis. Talvez só eles nasceram com asas.

Ela não aceitou. Prometeu defender minha arte até o fim. Mas eu só queria ficar sozinha.

Os dias passaram. Eu acompanhava os meninos apenas pelos sites de fofoca, pelas entrevistas, pelos sorrisos que agora não pertenciam mais a mim. Faz cinco meses que não vejo Georg. Justo quando criamos uma relação de irmãos, fomos afastados.

E, no fundo, o que mais me doía era Tom. Algo entre nós tinha acendido, mas deixamos a vida levar, com medo de estragar tudo. Talvez tenha sido um erro. Agora, com a fama, acabou.

Não sou mais a amiga de todos os dias.
Sou apenas mais uma fã.
Mais uma que Tom Kaulitz jamais lembrará que existiu.

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Revisado.

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora