Chegou a noite do desfile, e tudo estava esplêndido! Estávamos nos tornando um dos assuntos mais comentados da temporada. Vários famosos circulavam pelo evento, e o show dos meninos foi simplesmente impecável. Saber que sou irmã de um deles e nunca sequer tinha ido a um show me fez sentir a pior irmã do mundo.
—E agora, o que vão fazer? Tava pensando em pedir uma pizza e ir lá pra casa. O que acham? —perguntei, tentando quebrar o clima formal.
—Por mim, de boa! —Georg respondeu, com Gustav concordando silenciosamente.
—Vamos sim! Tom, você vai? Responde alguma coisa... —Bill cutucou o irmão.
—Ok, tá. —Tom respondeu seco, quase indiferente.
—Vocês vieram como? —perguntei.
—A van nos deixou aqui. —Georg respondeu.
—Somos cinco, vamos no meu carro! —sorri, sentindo-me leve com eles ao meu redor, finalmente podendo ser eu mesma.
Chegamos ao apartamento, e eles se acomodaram no sofá.
—Porra, S/n… achei que você morava num apê pequeno, isso aqui é uma cobertura de luxo! —Bill exclamou, impressionado.
—Não deixa de ser um apartamento… independente do tamanho. —respondi, tirando os sapatos, esticando os braços e indo até a cozinha. Peguei uma taça de vinho e bebi.
—Tem vidro no tapete? Fica bêbada frequentemente? —Tom perguntou, pegando um caco de vidro do chão.
—Ah… deixei cair uma taça ontem. Querem vinho? Desculpa, é só o que tenho para oferecer. Ou água. —sorri, tentando aliviar o clima.
Servi o vinho e começamos a beber e conversar, esperando a pizza chegar. Bill adorava falar sobre moda, música e beleza; era impossível não se envolver nas histórias dele. Gustav preferia ouvir, mas sempre acrescentava detalhes que ninguém notaria. Georg só fazia palhaçadas, interrompendo as histórias do Bill. Tom… Bom, ele permaneceu quase em silêncio, apenas concordando com um “não é, Tom?” ou “lembra, Tom?” —um humor ácido e raro, mas intrigante.
Comemos, e quando fui lavar os pratos, os meninos estavam levemente alterados pelo vinho. Tom apareceu na cozinha e começou a secar a louça.
—Não precisava… —disse, observando-o trabalhar.
—Terminou com ele por causa daquela noite? —perguntou, direto e objetivo.
—Também. —respondi.
—O vidro no chão, foi ele? —ele insistiu.
—Ele ficou chateado quando contei, quebrou algumas garrafas e taças… mas comprei novas ontem à tarde. Já tinha enjoado daquelas. —sorri.
—Por que você sempre vê o lado bom de tudo? Por que está sempre ajudando todo mundo? Por que não para? —ele disse, escorando-se no balcão.
—Não sou um personagem, Tom. Não faço isso para agradar alguém, sou assim. Minhas escolhas moldaram caminhos… e o final, muitas vezes, é a perda de amigos que reaparecem quando eu mais precisava. —disse, secando as mãos.
—Aquilo que disse no carro, era verdade? —perguntou.
—Possivelmente… dizem que quando bêbados, só falamos a verdade, né? —sorri, tentando aliviar a tensão.
—Falou sobre ser mãe… sobre meus filhos, S/n… você estava viajando. —ele disse, rindo.
—Quando vocês voltaram, eu tentava decidir entre ir para NY e me tornar pintora ou ficar e admitir que estava apaixonada por você. Mas já havia colocado expectativas demais no meu pai e na Lanis; já era o orgulho do meu pai. Então escolhi essa vida que você vê agora. —respondi, olhando seus olhos confusos.
—Eu tinha voltado para namorar você, mas vi seu notebook aberto no dormitório. Não disse nada para não dividir você. Também fiquei chateado por saber que você iria embora. Então apenas tentei esquecer você. Foi a primeira garota que realmente gostei, e isso me fez não querer me apaixonar novamente. Querer alguém que não escolheu você… é uma merda. —ele falou, olhando nos meus olhos.
—Acho que não deveríamos estar sendo sinceros hoje… —disse, sentando-me na bancada da pia.
—Mas eu sinto que preciso ser sincero com você. —ele respondeu sério.
—Está prestes a me contar uma verdade que vai doer, não é? —perguntei, olhando para o chão. O clima ficou pesado.
—Você precisa ouvir? —ele perguntou.
—Aquela noite foi só porque eu fui até você… nunca teria acontecido. —sussurrei.
—Por que quer ouvir se sabe que vai machucar? —ele se aproximou.
—Porque já doeu de qualquer forma. —disse, segurando as lágrimas que ameaçavam cair.
—S/n… te excluí da minha mente, me frustrei sozinho. Fiz meu coração me odiar pra tentar me sentir melhor. Ver você ir embora me magoou… porque eu gostava de você. Mas agora somos adultos; aqueles joguinhos de brigar em vez de falar o que sentimos são bobagem. —ele disse, segurando minha mão.
—Suas verdades sinceras doem mais do que antes. —disse, retirando a mão dele.
—Crescemos… aquela noite foi desejo carnal. Você é linda, mas não é alguém que eu amo. Te vejo como a irmã do meu melhor amigo. Me perdoa se confundi você. —beijou minha testa e se afastou.
—Por isso se tornou tão distante… frio… misterioso. —murmurei, olhando por cima do ombro.
—Talvez… assim não me machuco. Se ninguém se aproxima, ninguém vai embora. —ele respondeu, indo para a sala.
Sentei-me no balcão, deixando minhas lágrimas escorrerem. Não era amor que eu sentia, mas interesse no novo eu de Tom. Ainda assim, ouvir de Tom, aos vinte e dois anos, que eu havia quebrado o dele de dezessete… doeu mais do que saber que ele não me queria mais.
Quando ele foi embora, fui até a sala. Gustav e Georg dormiam no sofá. Bill me olhou com um ar piedoso e abriu os braços. Sorri entre as lágrimas e achei abrigo neles.
—Ele é um idiota… —Bill murmurou, acariciando minha cabeça.
—Não… ele só não mente para mim. —respondi, secando os olhos. Não estava mais chorando, apenas frustrada.
Amadurecer dói. Não posso mais brincar com joguinhos ou discutir por bobagens só para chamar atenção. Agora, só resta seguir em frente, entendendo que nós nunca existimos… e que nunca iremos existir.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
