10 de novembro
— S/n, filha… você tem visita! — ouvi meu pai chamar, batendo na porta.
Levantei num pulo, o coração acelerado. Por um instante, acreditei que seriam os meninos. Nos últimos dias mandei parabéns para os gêmeos e depois para Gustav, mas eles estão ocupados demais para aparecer.
Desci correndo as escadas… e meu sorriso desfez.
Na sala, havia apenas um senhor desconhecido.
— Os meninos não voltaram, pai? — perguntei, a voz baixa, desapontada.
— Quem? O seu irmão? — ele resmungou. — Achei que vocês falassem todos os dias. Não tenho notícias daquele rebelde. Aposto que vai seguir o mesmo caminho da sua mãe: trabalhar tanto que esquece a própria família.
Engoli seco. Eles já estavam longe há sete meses.
— Menos que você, pelo visto… — murmurei, passando direto para o sofá.
O homem se levantou.
— Olá, S/n Listing? Sou Osmar, dono da Galeria Século 21. Recebi um e-mail com algumas das suas artes. Vim pessoalmente conhecer você.
Arregalei os olhos.
— Mas… eu não enviei e-mail nenhum. Deve ser engano.
Ele abriu o notebook e girou a tela para mim. Lá estava: o quadro que pintei do Tom.
Meu estômago revirou.
— Lanis… — sussurrei, incrédula.
— Seus traços são únicos. A forma como traduz sentimentos… fascinante. Seu pai comentou que logo fará dezoito anos. Gostaria de saber se teria interesse em estudar Artes em Nova York, sob o meu patrocínio. Um ano inteiro de intercâmbio, tudo pago. Faço isso com um jovem por ano, mas são poucos os que realmente brilham. Você, S/n, me parece diferente.
Fiquei paralisada. Era como se ondas de felicidade e nervosismo atravessassem meu corpo. Um convite impossível, que eu nunca achei que viveria.
— E-eu preciso pensar… é tudo tão repentino… — gaguejei.
— Claro. O programa começa em janeiro e termina em dezembro. Preciso da sua resposta até o dia 10 de dezembro. — ele sorriu, entregando o cartão.
Depois que saiu, fiquei em êxtase. Pesquisei sobre ele e sua galeria: renomado, moderno, influente no mundo da arte e da moda. Nova York parecia um sonho distante que, de repente, estava ao alcance das minhas mãos.
À noite, Lanis apareceu. Depois de ouvir minhas broncas por ter mandado os quadros sem me avisar, sentamos para falar da proposta.
— Sei lá, Lani… eu… não sei. — confessei, confusa.
— Não me diga que está hesitando só por causa dos meninos. — ela rebateu. — Quando foi a última vez que algum deles ligou? Até o Georg? Eles escolheram o caminho deles, não pensaram em você.
Ri, nervosa.
— Por que sempre grita?
— Porque você é boa demais com todo mundo, menos consigo mesma. — cruzou os braços. — É por causa do Tom, não é?
Fiquei em silêncio.
— Talvez… quando ele estava ao meu lado todos os dias, eu não percebia. Só depois que ele foi embora… comecei a pensar que deveria ter dito que sentia mais do que amizade. Aquela declaração atrapalhada dele… mexeu comigo.
Ela suspirou, impaciente.
— Talvez, talvez, talvez! Argh, S/n! Ele é só um garoto. Não quero ver você aos 25, com filhos, arrependida por não ter seguido seu sonho. Essa é sua chance. É só um ano. Eles já estão longe há quase isso.
— Talvez eu queira ser mãe antes dos 25… — murmurei.
Ela riu.
— Pode ser mãe, mas também tem que ser S/n Listing, pintora contemporânea. Não apenas “a mãe dos filhos do Kaulitz”.
— Quem disse que vou ter filhos com ele?! — revidei, rindo.
— O mundo inteiro vê a estrela que brilha quando vocês estão juntos. Mas, amiga… ainda somos jovens. Se for para ser com o Tom, será. O tempo vai esperar.
Olhei para baixo, preocupada.
— E se o tempo escolher outra para ele, porque eu não estarei aqui?
Ela sorriu, enxugando uma lágrima.
— Então a gente quebra as regras do tempo.
Caímos na gargalhada. Mas, nos olhos dela, havia o medo de me perder e o orgulho de me ver voar.
Segurei suas mãos.
— Prometo ligar toda semana, mandar fotos. Se os meninos voltarem e eu não estiver aqui, se aproxime deles. Não fica sozinha.
— Isso é um sim? Você vai ser uma artista foda? — ela perguntou, deixando uma lágrima escorrer.
— Talvez… — respondi, abraçando-a forte.
No fundo, sabia: deixar tudo seria doloroso, mas talvez fosse a decisão mais importante da minha vida.
Doía não saber nada sobre Tom — se já tinha alguém, se voltaria para a Alemanha, se ficaria feliz por mim ou se… já nem lembrava que existo.
Bom… uma nova página da minha vida está prestes a começar.
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Revisado.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fiksi Penggemar🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
