CAP - 12

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5 meses em NY

Lanis – 10 de maio, 17h12
📱 Oi, S/n! Vimos no site da Galeria Século 21 o seu quadro e todo mundo amou! Você é nosso orgulho. Mandei mensagem no seu aniversário e nem respondeu… imagino que esteja corrido. Espero que consiga um tempinho pra falar com a gente!

27 de maio, 13h22
📱 Oi, amiga. Obrigada ❤

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— Já tá todo mundo pronto… o que falta pra você, S/n? — a batida insistente na porta ecoa.

— “S/n”? Sério isso? — abro a porta, arqueando a sobrancelha.

— Se eu dissesse “amor”, sei que me ignoraria. — Eric sorri, provocando.

— Só preciso fazer uma coisa antes. Me espera lá embaixo, tá? — digo, roubando-lhe um beijo.

Ele sai, e então ligo a câmera do celular para gravar.

🎥 Sinto que isso aqui é estúpido demais agora. Eu adorava fazer esses vídeos quando tinha dezesseis anos… mas parece que, em dois anos, tanta coisa aconteceu que decidi encerrar a pasta de memórias da S/n. Tudo o que preciso lembrar já está aqui, na minha cabeça. Mas, só para atualizar…

Depois de tudo na Alemanha, vim morar em Nova York. Faz cinco meses — na verdade, daqui a uma semana serão seis. Estou no segundo e último ano do curso na galeria. Não é exatamente uma faculdade, mas um programa intenso: seis meses de fundamentos, seis meses de aprofundamento. Osmar tem sido incrível, sempre presente, sempre guiando minhas descobertas nas telas que crio.

E… no mês passado conheci alguém. Eric. Gentil, educado, apaixonado por parques e esgrima. Talvez não combine comigo — ele nem sabe que eu toco guitarra e que meu coração bate no ritmo do rock. Mas ele me faz feliz.

Não, a S/n de dezesseis anos não se apaixonaria por Eric. Mas a de dezoito entende que é melhor deixar para trás aquele problema… chamado Tom Kaulitz.

Sobre ele? Nada sei. Mas agora é diferente. Ele não é mais meu melhor amigo ausente, ocupado com a banda nova. Ele é apenas o Tom Kaulitz. Meu vizinho. Um nome que, aos poucos, aprendi a soltar da língua sem dor.

Desculpa, S/n de dezesseis anos. Você não teve coragem de dizer o que sentia. E o perdeu.

Agora é comigo. Eu cuido de tudo. Estamos entrando na fase adulta. Certas coisas precisam ser deixadas para trás. Não fica brava. A gente sabe o quanto você é nervosinha, boo!

Desligo a câmera.

Fico alguns segundos parada, os olhos marejados. Ergo o rosto, tentando conter as lágrimas. Foi como enterrar uma versão minha: a garotinha apaixonada por um guitarrista que ninguém sabia que ela amava.

Mas… é melhor assim.

Desço para encontrar Eric no salão. Iremos juntos à exposição: pela primeira vez, meus quadros seriam vendidos. A ansiedade queimava dentro de mim.

— Você demorou… o que estava fazendo? — Eric pergunta, segurando minha cintura.

— Treinando uns agradecimentos. Com você por perto, não ia conseguir. — sorrio.

Na galeria, Osmar se aproxima:

— Um cliente se interessou por um dos seus quadros.

Acompanho-o, mas ao ver qual é, sinto o corpo gelar.

— Não… esse quadro não deveria estar aqui, Osmar. Eu tinha dezesseis anos quando o pintei. É horrível! — minha voz treme.

O cliente, ao contrário, parece fascinado:

— É incrível. Os olhos apaixonados, o maxilar marcado… há admiração, encanto, paixão escondidos por trás da tinta escura.

A vergonha me sufoca.

— Desculpe, mas esse não está à venda. É importante pra mim. — respondo, cabisbaixa. Era o quadro do Tom.

De volta ao assento, Eric pergunta:

— E aí?

— Engano. — minto, nervosa.

A noite segue, e vendo meu primeiro quadro. É motivo de comemoração. Eu deveria estar radiante. Mas minha mente insiste em voltar àquela pintura.

No Instagram, uma notificação:

📸 Eric mencionou você numa publicação.

“Uma noite especial para o meu amor @S/n Listing. Obrigado por me permitir viver suas vitórias ao seu lado. 🤍”

Sorrio sem jeito. Ele nos assumiu sem nem me perguntar. É fofo. Mas o nó no meu peito continua.

Por quê não deixei aquele homem levar o quadro? Sempre que o vejo, a S/n de dezesseis anos desperta, gritando dentro de mim.

Deito para dormir. São quase quatro da manhã quando o celular vibra. Mais notificações de curtidas. Até que uma me congela:

Tom Kaulitz curtiu sua foto com Eric.”

Meu estômago revira. É como se um fantasma tivesse atravessado a tela.

Entro no perfil. Privado. Ele me segue. Eu não o sigo. Quando foi que parei de seguir? Por quê?

Exausta, deixo as perguntas se perderem no escuro. E adormeço.

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11 meses em NY

Faltam dez dias para completar um ano aqui. É louco pensar que, quando cheguei, só queria voltar para que tudo fosse como antes. Agora, meu “normal” é este: namorado, curso, amigos, rotina.

O programa na galeria terminou. Foram meses intensos, e aprendi mais sobre arte — e sobre mim mesma — do que poderia imaginar.

Encontro Osmar no Século 21.

— Bom dia, Listing. Como foi o último dia ontem?

— Perfeito. Vou sentir falta.

— Pois era sobre isso que queria falar. — ele se ajeita, olhando-me sério. — Tenho uma vaga de estágio aqui, na galeria. Não posso te considerar ainda uma grande artista — você só tem dezoito anos, afinal. Mas vejo potencial. Acho que especializar-se conosco seria o melhor caminho. O que me diz?

Meu coração dispara.

— Trabalhar na galeria? Você tá brincando?! — digo, a voz quase falhando.

— A vaga é sua, se quiser. — Osmar sorri. — Então?

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora