CAP - 22

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Acordo pela manhã com a cama vazia. Diferente da primeira vez, ele não estava no banho... havia ido embora ainda na madrugada, depois de me levar ao limite.

Levanto e vou direto pro chuveiro. Esfrego os olhos, bocejo e encaro o espelho. Puta merda! Meu colo estava marcado por alguns roxos perto do peito e pela barriga. Ele realmente era impressionante entre quatro paredes.

Os dias passaram sem nenhum sinal do Tom. No domingo, me despedi dos meninos e voltei para a rotina: trabalho e casa. Só que agora... sem o Eric.

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Dois meses depois

📞 - Alô?

📞 - Pai... lembra o que me disse antes de me deixar no aeroporto, quando fui pro intercâmbio?

📞 - Filha... você está chorando? Claro que lembro.

📞 - Pai, vem me buscar. Não quero mais ficar aqui. Quero minha vida antiga de volta. Não importa se não sou mais adolescente, não quero morar aqui.

📞 - Acalme-se, querida... Eu vou agora mesmo! Vou trazer minha garotinha pra casa.

Ligação encerrada.

Não sei nem explicar direito o que aconteceu... só sei que ficou cansativo demais. No começo parecia simples, mas trabalhar com o ex se tornou insuportável. A demanda de encomendas, o estresse, as cobranças... eu só queria poder voltar no tempo.

Talvez eu não gostasse daquele lugar. Ou talvez fosse porque lá não tinha o que eu realmente queria... quem eu queria. Não era obsessão. Mas esquecer o Tom? Impossível. Ainda mais porque, sempre que dizíamos "nunca mais", acabávamos na cama de novo.

Eu só queria voltar pra casa. Não me preocupar com nada além dos meus amigos e da minha família.

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Três dias depois

- Ainda está como deixou... nunca quis mexer em nada porque não sabia como você iria se sentir. Afinal, é o seu quarto. - meu pai disse, abrindo a porta.

- Valeu, pai. - respondi, largando a mala. Ele sempre foi muito ocupado com o trabalho, mas largou tudo pra me buscar. O Osmar que se vire depois com as consequências de eu ter abandonado o emprego.

Me sentei na cama e olhei em volta. A s/n de dezesseis anos tinha personalidade demais estampada nas paredes. Olhei pela janela e me lembrei de um filme que assisti aos dez anos: a cena em que a garota ficava imóvel, só olhando pro nada pela janela. Sem reação, sem emoção, apenas esperando.

Acho que finalmente entendi o que a Bella sentiu naquela cena em Crepúsculo. Esse vazio... essa dependência emocional. É louco como uma pessoa pode ocupar tanto espaço dentro da sua mente. A gente até tenta escolher se ela será apenas uma brisa leve ou um iceberg esmagador... mas acaba perdendo o controle. O que era pra ser simples se torna um meteoro maior que a Terra. A cabeça cria paranoias, a ausência pesa... e, de repente, você está ali: só mais uma Bella sentada na janela, esperando o Edward voltar.

- Nem acredito que minha best voltou! AHHH! - Lanis entrou no quarto, quebrando meus pensamentos. Sorri ao vê-la.

- Oi, Lani! E aí, como tá a vida de casada? - perguntei.

- Incrível! Cada dia descubro algo novo sobre ele. Casar é mágico. As pessoas sempre generalizam os problemas do casamento, mas acho que a gente deve estar fazendo algo errado, porque tá perfeito. - ela respondeu, animada.

- Fico muito feliz por você! - disse, abraçando-a.

- É... já você... me conta, o que rolou? Bill me disse que você terminou com o Eric. Uma pena, mas ele nunca combinou com você mesmo, amiga. - disse, no jeitinho irreverente dela.

- Então... depois do seu casamento eu e o Tom ficamos. Além dos beijos, rolou. Contei pro Eric, terminamos. A banda dos meninos tocou no desfile do Osmar e... o Tom me deu um fora, frio, calculado. Depois ficamos de novo. Depois... minha vida virou um poço de tristeza. E agora tô aqui, tentando recuperar minha felicidade. - desabafei sem freio.

- Uou... peraí. Você traiu o Eric com o Tom? - ela arregalou os olhos.

- Não me orgulho nem um pouco.

- Garota, eu tava torcendo por uma novela mexicana... mas isso aqui é uma série indiana. - ela caiu na risada.

- Vai se ferrar, Lanis! Eu gosto dele, droga. Que inferno... por que não me apaixonei por alguém simples, que só dissesse "sim"? Com ele é sempre um labirinto. A gente dá voltas e mais voltas e sempre termina separado. O que eu faço de errado? - suspirei cansada.

- Tudo, sua anta! - ela riu. - Seu senso de bondade me mata, s/n. Para de correr atrás, de se culpar... Ele é louco por você, e é justamente por isso que age como um idiota. Já viu homem apaixonado fazer tudo certo? É o Tom. Óbvio que não vai se declarar de novo, depois de tudo que deu errado na primeira vez. Mostra que você não vai sumir de novo. Faz ele confiar em você. Aí talvez ele entenda que não é só um momento. Até porque todo mundo achava que sua vida lá fora era perfeita.

- Perfeita uma ova. Era só trabalhar, trabalhar, trabalhar... - resmunguei, me deitando na cama ao lado dela.

- Então, pronto. Bem-vinda de volta, gata! Suas férias começam agora, com seus amigos de verdade. Vamos devolver seu espírito leve, divertido e amoroso. Vamos destruir essa máquina de trabalho que você virou. Mas, antes, preciso dizer: você é incrível. Seus quadros são de emocionar. Você tem muito talento. - disse, apertando minha mão.

- Como eu pude virar as costas pra tudo isso? - sorri.

- O importante é que sempre estivemos uma na vida da outra, mesmo que fosse só em pensamento. - ela respondeu com doçura.

- Mas... somos adultas. Não vou brincar de conquistar o Tom. Ele me machucou, foi bruto. - cruzei os braços.

- Para, para! Esquece isso. Se ele souber que tô te contando, me mata. Mas o Doff - meu marido - me contou. Ele disse que o Tom gosta de você sim. Só que tava tentando não estragar sua vida... você sabe, do jeitinho problemático dele. - ela riu.

- Cala a boca! Ele só é gélido, fechado, mal-humorado... enfim, um probleminha. - falei, rindo junto.

- Pois é... mas olha esse brilho nos seus olhos quando fala dele. É o mesmo que aparece nos olhos dele quando fala de você. - ela disse com um sorriso maroto. Fiquei vermelha.

Passamos horas fofocando, rindo e falando da vida. Ah... como era bom estar de volta. Pessoas reais. Amizades reais.

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora