A cerimônia foi incrível, quase mágica. Depois seguimos para o salão onde aconteceria a festa, e nos sentamos em uma mesa com os meninos. Eric, no entanto, tinha uma expressão difícil de decifrar — uma mistura de cansaço e irritação — e eu não conseguia entender o motivo.
— Céus, onde você estava?! — Bill exclamou, impaciente, assim que viu Tom.
— Fui guardar minha guitarra... Vamos ficar aqui? — ele respondeu, lançando um olhar rápido para Eric.
— É óbvio! — Bill rebateu, puxando-o pelo braço até que ele se sentasse.
De repente, o clima esfriou. Um silêncio incômodo pairava sobre nós, como uma nuvem pesada.
— Não vai me apresentar seu namorado, Boo? — Tom disse, cruzando os braços.
Arregalei os olhos discretamente, surpresa com a ousadia.
— Boo? — Eric repetiu, confuso, enquanto Georg escondia um sorriso.
— Eric, Tom... Tom, Eric. — apresentei, tentando soar natural, enquanto dava um chute certeiro em Georg por baixo da mesa.
— Amor, vou buscar algo para beber. Quer vinho? — Eric disse, apoiando a mão no meu ombro. Assenti e ele me beijou antes de sair. Tom permaneceu sério, em silêncio.
— Isso foi ridículo... Vocês têm quinze anos, por acaso? — murmurei, irritada.
— Que?! — Georg exclamou, incrédulo.
— Fui educado em pedir pra me apresentar ao engomadinho, S/n... — Tom retrucou, levantando-se e saindo da mesa.
Tentei ignorar o desconforto. Quando Eric voltou, conversamos e bebemos. Eu estava escorada em seu ombro enquanto ele falava sobre esgrima com Bill e Gustav. A festa seguia animada, Lanis e Doff circulavam pelas mesas, conversando com os convidados. Eram tantos que nunca chegavam à nossa mesa.
No bar, encostado e com um copo na mão, Tom bebia em silêncio. Eu podia sentir seus olhos sobre mim, de vez em quando. Talvez fosse só impressão. Ou talvez ele ainda sentisse o mesmo que eu... ou, pior, talvez eu ainda sentisse o mesmo que ele.
— Amor, posso falar com você um pouco? — Eric disse, deslizando a mão pela minha perna. Desviei o olhar de Tom e concordei. Seguimos até o jardim.
Ele suspirou, passando a mão pela testa.
— O que foi, amor? Dor de cabeça? — perguntei, abraçando meus braços contra o frio da noite.
— Tá me zoando? Quem é aquele cara, S/n? — Eric disparou, os olhos cheios de raiva. — Desde que ele apareceu no altar, vocês não param de se olhar! Ele mexe com você, eu não sou cego!
Meu corpo travou.
— Do que tá falando? Você tá vendo coisas que não existem, amor... Ele é só amigo do meu irmão, o melhor amigo, na verdade. — respondi, tentando manter a calma.
— Não fode! Boo? A troca de olhares na guitarra? E todas as outras vezes? — ele cuspiu as palavras. — Desde que você recebeu esse convite, parece que virou outra pessoa. Como se tivesse sido enfeitiçada. Virou até grosseira.
Sorri, incrédula.
— Grosseira? Então tocar guitarra e gostar de rock é “anti-feminino” pra você? Eu nunca escondi essas coisas, Eric. Você simplesmente nunca perguntou. — respondi, já com a raiva crescendo.
— Sempre tivemos uma ótima relação. Bastaram quatro horas com seus antigos amigos pra você virar outra pessoa... — ele disse, virando as costas.
— O quê? Eric, você saiu do seu mundinho perfeito por um dia e tá surtando porque não é o centro das atenções? — rebati, a voz firme.
Ele parou, voltou em minha direção e segurou meu braço com força.
— Ainda não me viu sendo um escroto... — murmurou entre os dentes. — Tô fazendo muito em aturar esses brutamontes a noite toda. Conversando com aqueles babacas, sorrindo pra estranhos.
— Solta! — pedi, assustada, tentando me soltar.
— Vamos voltar. Você vai dizer que está cansada, se despedir, e vamos embora. — ele apertava cada vez mais, deixando a pele do meu braço vermelha.
— No que você se transformou? — minha voz falhou. — Quando era tudo do seu jeito, você era perfeito... Por que estar aqui te incomoda tanto?
— Porque eu não sou idiota de ver minha namorada trocando olhares com outro cara! — ele gritou, aproximando o rosto do meu.
— Ela pediu pra você soltar o braço dela. — uma voz firme interrompeu.
Olhei para o lado e encontrei Tom, encostado na parede, acendendo um cigarro. Meu coração disparou.
Eric soltou meu braço de repente. A pele estava marcada.
— Vai cuidar da sua vida, moleque. — ele disse com desdém.
Tom riu de canto. — Você tá ameaçando a mulher que devia proteger... e eu sou o moleque?
— O que é, hein? Quer encarar? — Eric avançou um passo.
— Isso aqui é o casamento dos meus amigos. Não vou ser o motivo de estragar a noite deles. Mas ela é irmã do meu melhor amigo. Sempre tentamos mantê-la feliz porque sabíamos que era delicada demais pra chorar. Ver você marcar o braço dela... isso me irrita. — Tom se aproximou, sua raiva evidente. — Então faz o seguinte: vai embora, diz que está cansado. Ela fica até o fim, como a Lanis queria.
O clima era de tensão. Tom era quase o dobro de Eric, não havia dúvidas de quem sairia perdendo numa briga.
— Vão se ferrar! — Eric gritou antes de se afastar em direção ao salão.
Fiquei ali, em choque, com a mão sobre meu braço dolorido. Tom apagou o cigarro, tirou o casaco e me entregou.
— Coloca isso. Não deixa o Georg ver essa merda. — disse, sério.
— Por que se meteu nisso?! — respondi, empurrando o casaco contra o peito dele antes de sair apressada.
Corri até a mesa, peguei minha bolsa e fui direto ao banheiro. Usei corretivo para disfarçar as marcas roxas no braço e respirei fundo. Quando voltei, Tom já estava sentado.
— Onde você se meteu? — Bill perguntou.
— Fui levar o Eric até o carro... Ele estava cansado e voltou pro hotel. — respondi com um sorriso forçado.
— Era isso que ele queria conversar com você? — Georg questionou, desconfiado.
— É... isso mesmo. Ele não queria parecer grosseiro falando na frente de vocês. — completei, tentando encerrar o assunto.
Tom soltou um barulho baixo, balançando a cabeça em desaprovação, mas não disse nada. Me encolhi na cadeira, abraçando meus braços. O que era pra ser um dia de celebração estava se tornando um drama.
Lanis chegou radiante à mesa e me abraçou com força, me fazendo esquecer por alguns instantes a dor e a confusão. Conversamos, rimos, eu a elogiei — estava deslumbrante. Tom permaneceu calado, mas a festa seguiu animada. Dançamos, bebemos e, apesar de tudo, percebi que a melhor decisão que tomei foi ter vindo. Afinal, era impossível negar: estar ali, de volta com meus amigos, era como respirar de novo.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
