CAP - 35

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— Oi... você chegou e nem disse nada, foi direto para o quarto. Está tudo bem? — pergunto, abrindo a porta.

— Passei a noite inteira em ligações. A publicação foi removida... — responde coçando os olhos, visivelmente cansado.

— Amor, não dê importância àquilo. Ele não passa de um babaca frustrado. — digo, sentando-me sobre suas pernas, enquanto sua mão desliza até minha cintura.

— Não vou permitir que ele brinque com você, S/n. Não vou deixar que invente histórias para entreter desocupados que vivem espalhando ódio pela internet. — Tom fala com raiva, o olhar pesado de irritação.

— Você fica fofo quando está bravo. — sorrio.

— Que merda... — ele ri, incapaz de sustentar a postura de vilão diante de mim.

— Vou para Nova York... — confesso em voz baixa.

— Como é que é? — arqueia a sobrancelha.

— Já faz um bom tempo... preciso ir à galeria, me despedir corretamente do meu chefe, que sempre me apoiou. Não acha justo? — questiono.

— Logo na semana em que seu ex resolve espalhar fofocas? — retruca, desconfiado.

— É... justo agora. Mas não se preocupe. Só vou pegar minhas coisas, conversar com meu ex-chefe histérico e rever algumas artes. Preciso me reencontrar, não acha? — beijo-lhe a bochecha e me levanto.

— Ok... — ele se apoia nos cotovelos, ainda na cama. — Vou com você.

— Hã? — pergunto, surpresa.

— Se vai se despedir e buscar suas coisas, vou junto. Minha agenda não tem nada mais importante.

— Não, Tom... não precisa! — balanço as mãos.

— Precisa, sim, Boo! — insiste.

Respiro fundo, passando as mãos pelos cabelos.

— Erick me mandou mensagem... — admito, jogando o celular em sua direção. Esconder seria inútil; ele sempre sabia, e isso me irritava.

— Filho da... — murmura, lendo a tela.

— É só uma conversa, nada demais.

— Agora mesmo é que vou junto. Eu já sabia que estava mentindo sobre essa despedida... — revira os olhos.

— Porque fomos feitos um para o outro. Você me conhece demais. — sorrio, tentando mudar o foco do assunto.

— Não mude de assunto. Seu jeitinho meigo não vai me distrair hoje. Você ia esconder isso de mim? Ia se encontrar com ele? Fotos poderiam ser divulgadas, e eu teria que interpretar como quisesse. Isso poderia arruinar tudo o que construímos, por causa desse nariz empinado. — fala irritado, mas sincero.

— Mesmo que surgissem boatos sobre mim... você acreditaria em mim, não é? — pergunto.

— Claro... sem dúvidas. — responde de imediato.

— Então por que acreditar no que saísse sobre mim e Erick? — insisto.

— Porque ele é seu ex, porra! — rebate, como se fosse óbvio.

— Ciúmes, Kaulitz? — provoco, em tom insinuante.

— De qualquer um que tente chegar perto do que é meu. — diz mordendo os lábios, brincando com o piercing.

— Bom... estou mais interessada em você, deitado, do que em fofocas de internet. — respondo sorrindo.

Não havia como negar: Tom era atraente em qualquer circunstância. Bravo, feliz, triste, tocando guitarra, comendo, tomando banho ou simplesmente parado. Ele era naturalmente sedutor — e saber que era meu só me fazia querer mais.

Sinto que nada poderá nos separar. Nosso laço é mais forte do que imaginei. Não brigamos, não nos entediamos, não deixamos espaço para terceiros interferirem.
Quem tentar atravessar nosso caminho, enfrentaremos.

Seja o ex rancoroso.
Ou o melhor amigo apaixonado.
Resolveremos.

Juntos.
Sempre.

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Uma semana depois

— Está tudo pronto? Tem certeza de que vai ficar bem? Não acha que Tom pode ser uma ameaça? Você é mesmo tão ingênua? — Bill lança perguntas em sequência, e para todas eu só tenho uma resposta:

— Não sei. — respondo.

— Eu odeio essas páginas de fofoca. E sobre seu irmão, alguma notícia? Quero reunir a banda quando vocês voltarem de Nova York, mas ele está desaparecido a semana inteira. — Bill continua, inquieto, enquanto fecho minha pequena mala.

— Não sei. — repito.

— Argh, S/n! Seja mais falante! Estou em frangalhos só de imaginar Tom diante de Erick depois de tudo isso... fofocas, exposição, haters... você precisa de força para contê-lo! — reclama, jogando-se sobre a cama.

— Vai ficar tudo bem. Tom me escuta, confie em mim. — digo, colocando a mala no chão e indo para a sala.

Assim que entro, vejo-o sentado no sofá. Seus olhos me procuram, e quando os encontra nos meus, seus ombros relaxam.

Ele estava tão tenso a semana inteira... Passava os dias em ligações, derrubando notícias, apagando insinuações sobre mim, sobre ele, sobre Erick.

Logo, a banda voltaria à ativa.
Logo, nossa vida voltaria ao normal.

Como deveria ter sido há muito tempo.

Enquanto os outros seguiam admirando a fama, eu só queria ser conhecida como a esposa do guitarrista. Não me importava mais em ser lembrada como artista ou talentosa.
Eu só queria paz.

— Gustav cuidará de tudo enquanto estivermos fora. — Tom diz, levantando-se e pegando minha mala.

— Tudo o quê? — pergunto.

— Notícias... histórias falsas... pessoas inconvenientes. — responde, pegando as chaves do carro.

— Ótimo. Acho que está tudo pronto. — olho pela casa uma última vez. — Até mais, Bill. Te ligo assim que chegarmos. — digo, entrando no carro.

— Tá, tá... vou continuar tentando falar com o teimoso do seu irmão. Boa viagem! E juízo! Muito juízo! — Bill diz, olhando diretamente para Tom.

E assim partimos rumo ao aeroporto.

Despedir-me do chefe.  Ok
Resolver o passado com o ex maluco.  Ok

Vai dar tudo certo.
Ou, pelo menos, é o que espero...

__________🍒

A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora