15 de Abril
Faz uma semana que cheguei aqui. Se fosse como antes, minhas coisas já estariam arrumadas para ir embora daqui a alguns dias… mas não!
Estou na garagem, organizando minhas coisas. Trouxe a guitarra e o amplificador para cá — passa mais uma vibe rock. Gosto de tocar no quarto, mas na garagem… parece que a magia acontece.
Começo a tocar Jealous, do Eyedress. Eu e a mamãe sempre curtimos muito essa música. Eu tocava pulando, e ela balançava os cabelos, sorrindo como nunca… Era incrível. Fecho os olhos e termino a canção.
Quando os abro, lá está ele — o mesmo garoto inconveniente — encostado na porta, braços cruzados. Os olhos dele pareciam brilhar… mas os meus, definitivamente, não.
— O que você quer, sem nome? — digo, tirando a guitarra e sorrindo de forma sarcástica.
— Bom… a garota arisca disse que seu irmão voltaria essa semana. Ele não me responde, então imaginei que já tivesse chegado. — Ele rebate no mesmo tom. Por mais que eu tentasse ser sarcástica, ele sempre respondia na mesma moeda.
— Ele volta quarta-feira. Deve estar ajudando minha mãe com alguma coisa… ou simplesmente te ignorando. — coloco as mãos nos bolsos de trás da calça e o encaro, analisando-o. Até que ele é bem gatinho…
— É sua? — ele pergunta, apontando para a guitarra. Confirmo com a cabeça e vejo ele se aproximar, colocando o instrumento no ombro.
— Ok… só não quebra, tá? — digo, rindo. Ele suspira e começa a tocar. Uau… ele toca muito bem. Fico impressionada, mas tento disfarçar. Me sento e começo a gravá-lo, colocando o vídeo numa pasta de recordações no celular.
— E aí… mandei bem, né? — ele sorri, ainda ofegante. Reviro os olhos. Nesse momento, outro garoto entra na garagem.
— Ótimo… No lugar de onde eu venho, isso se chama invasão. Pra vocês é normal? — pergunto, vendo o menino se aproximar.
— Ouvi você tocando. Achei que o Georg tivesse voltado, Tom. — diz o novo garoto, sem dar importância ao meu comentário.
— Ainda não. Essa é a irmã dele. Misteriosa, mas toca guitarra. — Tom responde, sorrindo. Ah, finalmente descobri o nome do idiota.
— Eu me chamo Bill. Desculpa pela imbecilidade do meu irmão… Vamos embora, Tom! — Bill sorri. Ele é totalmente diferente do outro.
— Tudo bem… Ele só parece um pouco com o Georg: arrogante. — digo, rindo.
— Somos melhores amigos, gatinha. O que esperava? — Tom responde, enquanto Bill o puxa para fora. Melhores amigos. Por isso ele entra como se fosse dono da casa. Vejo-o sair e, sozinha, acabo sorrindo. Até que ele não é tão babaca…
Guardo minhas coisas e vou tomar um banho. Já estava anoitecendo. Entro no chuveiro e deixo a água escorrer pelo corpo. Só conseguia pensar naquele garoto. Não que eu estivesse loucamente apaixonada, longe disso… mas ele tem um sorriso marcante e um olhar que arrepia. Sentir interesse por garotos bonitos é normal, nada demais.
Termino o banho, pego a toalha e, de repente, a luz acaba, deixando tudo no escuro.
— Ah, merda! PAI! — grito, pegando o celular na pia e ligando a lanterna. Vou para o quarto e chamo meu pai mais algumas vezes, mas é inútil. Me visto, arrumo o cabelo e desço para a sala. Ouço vozes na frente de casa e vou até lá.
Meu pai conversa com dois adultos, e os meninos de mais cedo estão junto.
— Ah… Boo! — meu pai sorri, colocando a mão no meu ombro. Fecho os olhos, torcendo para que ninguém tenha ouvido isso.
— O que aconteceu? — pergunto, olhando ao redor e percebendo tudo apagado.
— Faltou luz, não é óbvio? — Tom ri, levando uma cotovelada do garoto ao lado.
— Simone, essa é a S/N, minha filha. S/N, esses são os Kaulitz. Os meninos também são gêmeos, legal, né? — meu pai apresenta. Olhando melhor, realmente… por baixo do lápis preto e da sombra nos olhos, eles são idênticos.
— Prazer.
— Você e Georg são gêmeos? Que incrível! — Simone, mais animada que meu pai, comenta. Apenas sorrio e confirmo.
— Por que não vamos jantar? Parece que só o bairro está sem luz. — meu pai sugere.
— Tenho que trabalhar cedo amanhã, mas a Simone pode ir com os meninos. — Gordon, padrasto deles, responde.
— Vamos sim! — Simone sorri.
— Os meninos vão no carro com a S/N. — meu pai completa, como se tivesse acabado de ter a ideia mais brilhante do mundo.
Sento-me no banco de trás, entre os gêmeos, e vamos para a tal lanchonete. Meu pai e Simone conversam animadamente, como se fossem amigos há anos. Eu, por outro lado, estava desconfortável. Georg vai adorar saber que fui jantar com os amigos idiotas dele.
— Então você é irmã gêmea do Georg… caramba. — Tom murmura próximo ao meu ouvido, fazendo meu braço arrepiar levemente.
— E daí? — respondo baixo, com a voz rouca.
— Nada, Boo… — ele ri. Não acredito que ouviu esse apelido idiota.
Fico em silêncio, olhando para frente. Uma tortura. Sentia minhas bochechas corarem — não tanto pelo apelido, mas por ouvir a voz dele tão perto e sentir seu corpo encostar no meu.
— Quem é mais velho? Você ou ele? — Bill pergunta, quebrando o clima que eu estava criando sozinha.
— Eu. Mas só por sete minutos. E vocês? — pergunto, mais simpática. Não me sinto desconfortável perto do Bill.
— O Tom, por dez minutos. Vocês não são nada parecidos… — Bill comenta.
— Pois é… Acho que devo agradecer por isso. — rio.
Finalmente chegamos. Era uma hamburgueria. Passei praticamente a noite inteira conversando com Bill. Trocamos números e descobrimos vários gostos em comum. Ele é querido e animado — totalmente diferente do loirinho nariz empinado e sarcástico.
— Então, Tom e Georg são melhores amigos? — pergunto, vendo Tom conversar com meu pai.
— Sim. Faz uns quatro anos. Ele vive na casa do Georg, por isso invade como se fosse dono. São grudados pra tudo. — Bill responde. Que sorte a minha…
— E você? — pergunto.
— Se eu vivo na casa dele? Não. Geralmente estou ocupado com meu cabelo. — ele brinca, mexendo nas mechas. Sorrio e continuamos falando de coisas aleatórias.
Georg chega logo… Mal posso esperar para contar que talvez — só talvez — eu esteja interessada no melhor amigo dele.
________________🍒
Texto passando
Por revisão.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
