02 de setembro, 2018.
— É… meia-noite e dez. Automaticamente não é mais seu aniversário. — murmurei, aproximando-me de Tom, que passou a noite inteira me evitando em meio aos convidados. Ele sempre faz isso quando estamos cercados por amigos… e, talvez agora, tudo comece a fazer sentido.
— Vamos pro meu quarto, então. — sorriu, largando o copo de bebida.
— Não tá rápido demais, Tom? — cruzei os braços, tentando disfarçar a raiva que me consumia. Eu sabia que ele queria evitar estragar a noite dos gêmeos, mas aquilo estava me corroendo por dentro.
— O que aquele idiota do Gustav te contou? — perguntou com naturalidade, como se nada pudesse atingi-lo.
— Como sabe que foi ele? Fica me olhando a noite inteira, mas só se aproxima quando o Georg não está por perto. Por que não me contou que ele pediu pra você se afastar de mim, droga?! — minha voz saiu carregada de irritação.
— Ele não manda em mim, S/N. Se me afastei, foi porque eu quis. — respondeu firme.
— Então só sabe ser gentil entre quatro paredes? E, quando tem mais alguém, prefere agir como um babaca arrogante? — ironizei, em um tom que não combinava comigo.
— Tá falando como a Lanis… essas palavras não são suas. — riu, debochado.
— Vai se ferrar, Tom! — empurrei seu peito com força antes de sair em direção à porta de entrada.
— Espera aí. Você escuta o Gustav a noite toda e não pode me ouvir por cinco minutos? — sua mão agarrou meu pulso.
— Já ouvi o suficiente. — tentei me soltar, mas era inútil. A diferença de força entre nós era um abismo.
— Você acabou de falar um palavrão pesado, Boo… me surpreendi. — disse, puxando-me pelo corredor.
— Me solta, droga! Tá me machucando. — no mesmo instante, sua mão tornou-se mais suave em meu pulso. Mesmo assim, subi com ele pelas escadas, sem conseguir resistir.
Ele entrou no quarto e trancou a porta.
— Vai me manter presa? Isso é crime! — reclamei, mãos na cintura, a respiração acelerada.
— Só não quero que fale nada pro seu irmão. Preciso que finja que nada aconteceu. Eu mesmo vou conversar com ele… só me dê um pouco de paciência. Lidar com o Georg é quase mais difícil do que lidar com você. — disse, coçando a sobrancelha.
— E desde quando você obedece alguém? Pensei que fosse o maior maníaco dessa casa. — retruquei, rindo.
— Você está engraçada hoje… bebeu? — arqueou uma sobrancelha.
— Senti seus olhos sobre mim a noite toda. Saberia se eu tivesse bebido. — respondi seca.
Ele suspirou e, depois de alguns segundos, sua voz veio carregada de arrependimento.
— Depois do casamento da Lanis, quando você dormiu aqui, seu irmão ficou furioso. Tentei convencê-lo de que você já era uma mulher, e ele parecia ter aceitado. Mas no dia seguinte reforçou que eu seria péssimo pra você… e isso eu carrego desde a adolescência. Quando voltamos daquela maldita viagem, depois da fama, ele repetiu a mesma coisa. E meu melhor amigo sempre me lembra disso… então, por que eu deveria acreditar no contrário?
Cada palavra transbordava arrependimento, como se ele jamais quisesse revelar aquilo.
— Porque eu não acho que você seja ruim pra mim! — explodi. — Droga, você me faz sentir a pessoa mais especial do mundo quando estamos juntos. Toca em mim com tanta delicadeza que me sinto como vidro fino, prestes a quebrar.
— É medo de machucar você… só tenho medo disso. Posso encarar a morte mil vezes, que ainda será mais fácil do que quebrar seu coração. De novo. — murmurou baixo.
— Medo demais pra alguém que causa medo em todos à sua volta. — retruquei.
— Seu irmão só quer te proteger… por não ter conseguido quando eram crianças, e quando você morou em Nova York. Ele sente necessidade de compensar os anos em que ficaram separados. Isso inclui te poupar de decepções e dores. — tentou justificar Georg.
— Eu vou me resolver com ele depois! Mas você precisa parar de me tratar como uma vadia… só falta jogar dinheiro na minha cara. No quarto sou uma, e na rua você age como se nem me conhecesse. — falei, cruzando os braços.
— Relaxa, princesinha. — sorriu de canto, provocador, me fazendo querer arrancar suas roupas naquele instante.
Antes que eu respondesse, o celular tocou. Estava sobre a cama dele — jurei que havia deixado na bolsa, na poltrona.
— Não vai atender? — perguntou.
Era 2 de setembro, 00h40. Meu pai estava me ligando.
Meu coração se apertou, os olhos marejaram antes mesmo de eu atender.
— Ow… respira, S/N. — Tom segurou meus ombros. Saí do transe, peguei o celular e atendi. O silêncio se instalou.
Do outro lado, nada.
— Pai… — sussurrei.
— Filha… sinto muito. O voo da sua mãe… ele caiu. Sua mãe faleceu.
As palavras atingiram meu peito como lâminas. O ar fugiu dos meus pulmões, e as lágrimas escorreram sem que eu piscasse. Um soluço preso na garganta me sufocou, e o celular escapou da minha mão.
A voz de Tom soava distante. Um zunido preenchia meus ouvidos, enquanto eu era engolida por uma escuridão que roubava minha racionalidade.
— Senhor Listing… ela está comigo, não se preocupe. Eu a levo pra casa. — ouvi sua voz antes da ligação encerrar.
— Ei… olha pra mim. Você precisa respirar. — Tom segurou meu rosto com as duas mãos. Eu tentava, mas o ar simplesmente não vinha.
— N-não consigo… — minha voz falhou.
— Consegue, claro que consegue! Fez isso a vida inteira. — segurou minhas mãos no colo. Meus olhos desceram até nossas pulseiras, tocando-se, e depois voltaram para os dele — tão desesperados quanto os meus.
— Minha mãe… Tom… — murmurei, sem acreditar.
— Eu sei, amor. Vai ficar tudo bem. Só precisa soltar o choro… e respirar. — envolveu-me em seus braços, puxando minha cabeça contra seu peito. Afundei o rosto no lugar mais seguro do mundo.
— Eu não disse que a amava… tratei ela como qualquer uma quando me ligou. — soluçava como uma criança. As lágrimas queimavam, e a culpa me esmagava.
Tom apenas me apertou mais forte, em silêncio. Eu repetia, entre soluços, que era minha culpa.
— Estou cansada… — sussurrei, afastando o rosto. A expressão dele era de pura raiva, o maxilar trincado.
— Deita um pouco, descansa. — disse, tirando meus sapatos. Eu só obedeci, como uma boneca sem forças.
— Que horas são? Preciso ir… — murmurei, com a voz rouca.
— É tarde demais pra você sair agora. Amanhã eu levo. — abriu meu vestido e me vestiu com uma camisa branca dele.
— Vai me deixar aqui? — perguntei, vendo-o ir até a porta.
— Não, amor. Só vou encerrar a festa. Já são duas da manhã. — sorriu de leve.
Duas da manhã… eu havia chorado por mais de uma hora em seus braços.
Antes que pudesse responder, meus olhos se fecharam. E mesmo inconsciente, lágrimas continuavam a escorrer.
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Revisado.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
