Agosto
De manhã, acordei e comecei a desfazer minhas malas. De volta à estaca zero: morando com meu pai. O Georg agora dividia uma casa com os meninos, sempre ocupados com compromissos da banda...
Arrumei tudo no quarto e fui tomar um banho longo, cuidando de mim. Ao sair, sequei o cabelo, passei um creme leve, maquiagem simples e uma roupa bonita, mas confortável. Um verdadeiro dia de princesa, oferecido a mim mesma. Música boa, casa tranquila... e uma felicidade inesperada só por estar ali. Sem estresse de trabalho, sem o trânsito insuportável de Nova York.
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12h30
— Pai? — Georg entrou em casa. Eu estava na cozinha preparando um sanduíche.
— Na cozinha! — gritei, lambendo o dedo sujo de geleia.
— S/n? — ele apareceu confuso. Logo atrás, Tom entrou mexendo no celular... e minha calma evaporou. Só de vê-lo, meu corpo se arrepiou inteiro.
— Surpresa... — sorri sem graça, guardando as coisas.
— Quando você chegou? — perguntou.
— Faz quatro dias. — respondi.
— Vamos logo, Geo! — Tom resmungou, impaciente, ignorando minha presença.
— Calma aí, cara. — Georg rebateu. Tom revirou os olhos e finalmente me encarou. Seu maxilar se contraiu, e meu coração disparou.
— E aí, s/n. — disse, quase educado.
— Oi, Tom. — respondi contida.
— Eu vim ver o pai antes de sair. Sabe onde ele tá? — Georg perguntou.
— Onde mais seu pai estaria? — falei sarcástica.
— Ah, claro... trabalho. — ele riu. — Enfim, já que você tá aqui, quer ir lá pra casa hoje? Vamos fazer algo pra comer. Só os meninos, nada especial. Você já conhece a casa.
Olhei para Tom. Ele olhava para o Georg com uma expressão clara de cala a boca.
— Valeu, maninho, mas vou recusar. Outro dia a gente marca só eu e você. — mordi o sanduíche, enquanto Tom me olhava confuso. Talvez, na cabeça dele, eu jamais recusaria uma chance de me aproximar.
— Outro dia? Você não vai embora? — Tom perguntou.
— Eu disse que voltaria. Demorou mais de um ano, mas... lar, doce lar. — respondi. Ele apenas ficou em silêncio.
— Sério?! Beleza então. Outro dia a gente faz alguma coisa, maninha. Te amo. — Georg disse, beijando minha testa antes de sair com pressa.
— Por que recusou o convite do seu irmão? — Tom questionou.
— Porque não tava afim de ver sua cara hoje... mas já deu errado. — falei, automática, sempre na defensiva quando estava sozinha com ele.
— Imagina a minha surpresa ao ver você aqui. — ele resmungou.
— Ficou surpreso? — provoquei.
— Incomodado. — respondeu seco, saindo da cozinha. Sorri sozinha. Engraçado como ele se esforçava pra manter distância... mas parecia inevitável querer voltar.
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23h00
O dia mais improdutivo da minha vida: passei deitada assistindo séries. Até que meu celular explodiu de notificações. Bill me xingava por estar de volta e não ter avisado. Exigia que eu fosse até a casa dele em meia hora. Recusei várias vezes, mas ele insistiu tanto que cedi.
Cheguei, toquei a campainha. Quem abriu foi Tom.
— O que você tá fazendo aqui? — ele perguntou, confuso.
— O Bill me chamou. Disse que estavam fazendo algo pra comer e que a Lanis tava aqui também. Vim contra a vontade, mas vim. — expliquei.
— Isso foi às nove da noite. Eles... ah, entra logo. — cortou a própria frase.
Entrei e me sentei no sofá, mandando uma enxurrada de mensagens pro Bill, mas nenhuma era entregue.
— Droga! Idiota... — resmunguei, jogando o celular.
— Eles foram pra um bar encher a cara. Mentiram pra você. — Tom falou, se sentando no outro sofá.
— Tá bebendo o quê? — perguntei, suspirando, a mão na testa. Irritada.
— Whisky. Quer? — levantou o copo.
— Não.
— Então pra que perguntou?
— Se fosse algo mais fraco, talvez aceitasse.
— Tem vinho na cozinha. Pode abrir. Se quiser esperar seus amigos, fica à vontade. Mas não acho que vão voltar cedo. — falou indiferente.
— É... já saquei o plano do seu irmão. Ainda mais se ele tá com a Lanis. — fui pra cozinha.
Revirei gavetas, mas não achei abridor. Escorei no balcão, frustrada. Sério que mentiram só pra me deixar sozinha com o Tom? Quantos anos esses idiotas têm?!
— Tão frustrante assim não conseguir abrir uma garrafa de vinho? — Tom apareceu, encostado na parede. Ignorei. Ele cruzou a cozinha, pegou um abridor e me entregou uma taça servida. Tomei um gole. Ele não parava de me encarar.
— Não sou ladra. Não precisa me vigiar. — provoquei, voltando à sala.
— O que você disse pra Lanis? Pra eles convencerem o Gustav e o Georg a saírem só pra nos deixar sozinhos? — ele perguntou direto.
— Apenas a verdade: que você é um babaca. Não menti em nada. — sorri forçada.
— Ainda bem. Meu objetivo nunca foi ser um cavalheiro. — respondeu, cortante.
— Quando foi que virou isso, Tom? Grosso, frio... sem se importar com quem foi ou é importante pra você? — perguntei, sem jogos, séria.
— Você ficou fora quatro anos, s/n. Se decepcionar com alguém que criou na própria cabeça não é problema meu. Muita coisa aconteceu. Você foi embora. Tudo mudou. Sua delicadeza e coração gentil deixavam tudo mais leve, mas você sumiu. Eu cresci, amadureci. Sou esse cara agora. Não gosta? Paciência. — disse. Pela primeira vez, parecia abrir uma brecha.
— Eu causei isso em você? Tá tentando me culpar, como se eu tivesse levado sua felicidade comigo? — questionei.
— Não me importo com o que você acha, garota. Não precisa sentar aqui e tentar me fazer uma sessão de terapia. Tô bem. — cortou.
— Não entendo, Tom... Não espero que esteja apaixonado por mim, isso já ficou claro. Mas por que ficar comigo? Por que me levar pra sua cama, me dizer que sentia minha falta quando eu estava deitada no seu peito? Por que, se sabia que ia me machucar? Você pode ter quem quiser. — falei, a voz embargada.
— Eu nunca usei você. Isso é idiota. Você me provocou, ficou esperando eu ceder... e eu tentei, tentei me segurar, mas não consegui. — respondeu, grosso, me deixando corada.
— Você mentiu pra mim, não foi? — perguntei baixo. Ele apenas me encarou. O silêncio dizia tudo.
— Foi pra te proteger. Eu não sou o cara certo pra você. Não vou postar fotos, não vou ser o príncipe gentil. Eu vou te fazer chorar. Não quero partir seu coração, porque ele é bom demais pra mim. Por isso, não posso ter você. — confessou.
Fiquei alguns segundos em silêncio, depois sorri amargo.
— É isso que você acha? — perguntei.
— É. Nós somos diferentes demais. — bebeu o resto do copo e saiu da sala.
Fiquei ali, imóvel, indignada. Cada fora dele parecia pior que o anterior. Eu começava a me sentir humilhada. Toda vez que eu tentava me aproximar, ele recuava, como se eu fosse veneno.
E, no fundo, tudo que eu queria... era que pelo menos dissesse que éramos amigos.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
