8 de dezembro
Já está decidido. As malas prontas, documentos organizados… eu vou.
Um ano em Nova York, vivendo o que sempre sonhei: aulas de artes, projetos de moda, novas experiências. Parece pouco tempo diante de tantas possibilidades.
Meu pai me apoiou sem hesitar, e Lanis vibrou como se o sonho fosse dela. Eu mal posso esperar para embarcar nesse intercâmbio. Finalmente, minha mente começa a se afastar do peso constante do Tom…
Depois do jantar com meu pai, subi para o quarto. Banho, pijama, cama. No notebook, namorava cada foto do dormitório que seria meu: delicado, acolhedor, perfeito para alimentar meu eu interior. Por um instante, pensei em abandonar o preto e seguir a moda nova-iorquina… mas não. Vou para lá levando meu estilo, não deixando que ele me leve.
Foi quando ouvi batidas na porta.
— Que foi, pai? — perguntei, sem resposta. Ele bateu de novo. Levantei bufando e abri.
E então… congelei.
— Parece que viu um fantasma. — Tom sorriu diante de mim.
— Tom… quando…? — minha voz falhou.
— Acabamos de chegar. Você foi a primeira pessoa que pensei em ver. Minhas malas ainda estão no carro… — não deixou terminar. Joguei-me em seus braços.
O choque durou segundos até que suas mãos me envolveram pela cintura. Senti o peso dele desabar contra mim, como se o mundo inteiro tivesse ficado mais leve com aquele abraço. Fechei os olhos, respirando seu cheiro, guardando aquele instante.
— Por onde você andou… — murmurei, sem me soltar.
— Eu precisava desse abraço mais do que imaginava. Não sabia o quanto… até ficar fora por…
— Oito. — completei, afastando-me um pouco para encará-lo. — Foram oito meses.
Seu olhar endureceu. Entrou no quarto e fechou a porta.
— A fama chegou, mas junto veio um produtor louco. Ele nos usou esse tempo inteiro. Sem saídas, sem celulares, sem visitas. Foram meses de shows e entrevistas até ele encher os bolsos e nos descartar. Bill passou a semana chorando de alívio.
Sentei-me na beira da cama, hipnotizada. Ele estava diferente. Mais maduro, mais bonito.
— Vocês foram explorados? Por que não largaram tudo?
— Ele ameaçava espalhar mentiras… coisas piores. Mas não importa. Finalmente acabou. Agora o Bill vai cuidar de tudo sozinho. — suspirou, livre.
— Onde eles estão? — perguntei.
— Em casa. Vim buscar você. A Lanis deve estar a caminho também. — disse, puxando meu notebook. Seus olhos franziram ao ver a tela.
— E aí, o que achou? — me sentei ao lado dele.
— Bonitinho. Vai redecorar o quarto? — arqueou a sobrancelha.
— Não… é onde vou morar no ano que vem. — respondi firme, encarando-o. Vi seus olhos escurecerem.
— Como assim? Você vai embora? Mas… acabamos de voltar. — sua voz vacilou.
— Não é sobre vocês. É só um intercâmbio, doze meses. Não é como se eu fosse sumir sem dar notícias. — forcei um sarcasmo que não me convenceu.
Ele apenas desviou, levantando-se.
— Entendi. Vou para lá com os outros. Você vem?
Assenti em silêncio.
Abracei cada um dos meninos. Rimos até a madrugada, tentando compensar a saudade acumulada. Todos apoiaram minha novidade, comemoraram comigo. No fundo, eu sabia: se ele tivesse chegado antes… talvez eu desistisse de tudo por uma chance entre nós. Mas agora já não podia mais.
De volta para casa, Lanis não perdeu tempo:
— Até que demorou para surtar. — debochou, jogando-se na cama. — Achei que desistiria do intercâmbio no momento em que viu o Tom. Mas ó, conseguiu segurar.
— Ele não disse nada… nem um “parabéns”. Nem um “fica, eu quero você comigo”. — falei, quase sem acreditar.
— Emocionada demais, S/n. — ela riu.
— Eu só queria… uma palavra que fizesse sentido. Mas ele só disse “entendi”. Como se não ligasse. Será que perdeu o interesse?
— Interesse em quê? Vocês nunca tiveram nada além de um beijo e uma declaração mal resolvida. Depois fingiram amizade até se convencerem disso. É claro que ele não vai correr atrás. Foi você quem deixou claro que eram só amigos. — ela disse, cruelmente honesta.
Meus ombros caíram.
— Não acredito que ele voltou justo agora… e que eu vou embora.
— Seus dramas me dão ansiedade. — Lanis revirou os olhos. — Primeiro amor e ódio, depois beijo, declaração, amizade capenga, despedida, reencontro… agora separação de novo. Isso aqui já virou novela mexicana.
Sorri fraca. Talvez fosse mesmo.
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Tom
— Pensei que fosse contar para ela o que sente. — Bill disse, sentando-se no sofá.
— Pra quê? Ela vai embora. — respondi, levantando-me.
— E você vai deixar? Fingir que não sente nada? Está na cara, Tom. Desde o primeiro dia. — Bill insistiu.
Parei por um instante.
— Isso não é sobre mim. Ela deixou claro quando falou do intercâmbio. Não vou fazer S/n perder a chance da vida só porque eu gosto dela. — subi para o quarto.
Deitei, encarando o teto.
Tudo que queria ter dito aquela noite… ficou preso. Eu não queria que ela fosse minha válvula de carência, mas percebi isso tarde demais. Agora talvez seja definitivo.
Perder S/n uma vez já doeu.
Perdê-la de vez… está me matando.
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Revisado.
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A irmã do meu melhor amigo -Tom kaulitz
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Aos 16 anos, S/N vê sua vida mudar por completo. Irmã gêmea de Georg Listing, ela foi criada pela mãe no Brasil, enquanto o irmão cresceu na Alemanha ao lado do pai. Agora, forçada a conviver sob o mesmo teto que Georg, a con...
